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A institucionalização do dependente químico é o último recurso a ser considerado quando de sua abordagem. De fato, somente quando a dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a neces­sidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psico­ativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoo­lismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “depen­dência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (depen­dência de drogas, dependência química, dependência do uso de subs­tância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicá­veis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a depen­dência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orien­tação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de absti­nência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tole­rância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomato­logia física (neuroadaptação). está instalada, caracterizada pelo abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de subs­tância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persis­tente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga). crônico e deletério, com visíveis repercussões somáticas (debilitude das funções orgânicas e co-morbidades patológicas), emocionais (instabilidade emocional de significativo relevo com entidades psiquiátricas acessórias), familiares (desequilíbrio funcional da família e perda de papéis), sociais (complicações legais) e ocupacionais (absenteísmo ou perda de emprego) e episódios de tentativas infrutíferas de diminuição do abuso da substânciaVeja droga psicoativa., é que se pode considerar o dependente passível de uma asilagem. Em muitos casos a internação compulsória se faz necessário tamanho é o prejuízo alcançado pelo paciente. Nesse caso, o terapeuta per si, não tem mais como usar a palavra como elemento terapêutico e não possui outra saída que não recomendar a internação, no mínimo, para desintoxicaçãoO processo pelo qual um indivíduo é afastado dos efeitos de uma substância psicoativa.Como um procedimento clínico, é o processo de afastamento da substância realizado de maneira segura e efetiva, de tal forma que os sintomas da abstinência são minimizados. O serviço no qual esse processo se dá é denominado de unidade ou centro de desintoxi­cação.Tipicamente, o indivíduo está clinicamente intoxicado ou já em abstinência no início da desintoxicação. A desintoxicação pode ou não envolver o uso de medicamentos. Quando os usa, o medicamento em geral é uma droga que apresenta tolerância cruzada e dependência cruzada em relação à(s) substância(s) usada(s) pelo paciente. A dose é calculada para aliviar a síndrome de abstinência sem induzir intoxicação e é gradualmente diminuída à medida que o paciente se recupera.A desintoxicação como um procedimento clínico implica que o indivíduo seja supervisionado até recuperar-se completamente da into­xicação ou da síndrome de abstinência física. O termo “autodesintoxi­cação” é usado algumas vezes para denotar a recuperação não assis­tida de um episódio de intoxicação ou de sintomas da abstinência..

Quando, por opção ou mesmo na falta dessa, o paciente é internado num centro de tratamento com características de comunidade terapêuticaUm ambiente estruturado no qual indivíduos com transtornos por uso de substância psicoativa residem para alcançar a reabi­litação. Tais comunidades são em geral especificamente destinadas a pessoas dependentes de drogas; elas operam sob normas estritas, são dirigidas principalmente por pessoas que se recuperaram de uma dependência, e são em geral isoladas geograficamente. As comuni­dades terapêuticas são caracterizadas por uma combinação de “teste de realidade” (através da confrontação do problema relacionado ao uso de droga do indivíduo) e de apoio dos funcionários e de co-residentes para a recuperação. Elas têm geralmente uma linha muito similar à dos grupos de ajuda mútua tais como Narcóticos Anônimos.Veja também:pensão protegida., na maior parte das vezes irá se deparar com uma estratégia de tratamento que contempla a teoterapia como atividade terapêutica principal. A teoterapia, muitas vezes em conjunto com a psicoteologia, é a responsável pela tentativa de remodelamento interior que o dependente irá experimentar. Nessa tentativa, a busca da espiritualidade, a comunhão com um Deus soberano, supremo e sábio, é que, espera-se, moverá as estruturas internas do dependente e fará com que ele erga novas pilastras de sustentação do seu caráter. Um dos grandes problemas encontrados, entretanto, para que isso ocorra, guarda estreita relação com um dos comportamentos mais execrados pelas comunidades terapêuticas e que pode ser encontrado em oito entre dez dependentes de drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos.: a compulsãoQuando aplicado ao uso de substâncias psicoativas, o termo se refere a uma necessidade poderosa de consumir a substância (ou substâncias) em questão, necessidade esta atribuída mais a senti­mentos internos do que a influências externas. O usuário da substância pode identificar a necessidade como prejudicial ao seu bem-estar e pode ter uma intenção consciente de se refrear. Esses sentimentos são menos característicos da dependência do álcool e de drogas do que do transtorno obsessivo-compulsivo.Veja também:controle prejudicado; craving; necessidade impe­riosa. sexualA saúde sexual refere-se às áreas da medicina envolvidas com a reprodução humana e comportamento sexual, as doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos, anticoncepcionais, entre outros. expressa na masturbação excessiva.

Masturbação é alívio para o dependente

Não raras vezes, o paciente, flagrado em ato masturbatório, é rotulado como maníaco, safado e blasfemo. Na verdade, ele é compulsivo, imediatista e, muitas vezes, religioso. Sua atividade sexual de auto-satisfação não é prerrogativa do seu caráter transfigurado pela droga, mas sim umas ações extremamente comuns, casuais e presentes em todas as pessoas que possuem outros tantos problemas que não a dependência de drogasDrogas. O que os difere é que, enquanto a masturbação do dependente químico é a extensão da sua compulsão (cuja raiz está na não satisfação do auto-erotismo infantil projetado junto à mãe), nas pessoas ditas comuns, a masturbação pode ser antes um reflexo de ideação que não encontra materialização no seu cotidiano. Em outras palavras, o dependente de drogas se masturba como um sucedâneo para mitigação de suas satisfações represadas desde a infância, enquanto a pessoa dita normal o faz para dar cor a uma vida afetiva e sexual monótona e monocórdia.

Freud escreveu em 1897: "...comecei a compreender que a masturbação é o grande hábito, o vício primário e que é somente como seu sucedâneo e substituto dela que outros vícios - álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um nume­roso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consu­mida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos poten­cialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxi­cação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decor­rentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuro­patia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica., morfinaVeja opióide., tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nico­tina.Veja também:nicotina; fumar passivo. etc - adquire existência." (Carta 79, in: Sigmund Freud, Obras Completas, vol I, Ed. Imago, Rio de Janeiro, 1977, pg. 367). Citado pelo Dr. Sérgio de Paulo Ramos em seu artigo "Da contribuição de fatores psicodinâmicos na gênese da dependência química", publicado no jornal eletrônico de psiquiatriaPsiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais em humanos, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e outras áreas afins.Uma doença ou problema psíquico pode ser tratado através de medicamentos ou várias formas de psicoterapia.A avaliação psiquiátrica envolve o exame do estado mental e a história clínica. Testes psicológicos, neurológicos e exames de imagem podem ser utilizados na avaliação, assim como exames físicos. Os procedimentos diagnósticos variam mas os critérios oficiais estão descritos em manuais como a CID-10 da Organização Mundial de Saúde e o DSM-IV da American Psychiatric Association. Psichyatry On Line Brazil (www.epm.br/polbr/index) em agosto de 1997, esse postulado de Freud, defendido e debatido ao longo dos anos por outros autores como Abraham, Ferenczi, Fenichel, Rádo e Simmel e outros, evidencia a capital importância da função orgástica na gênese do que ele chama de vícios. A masturbação aparece no princípio freudiano como "vício primário", enfatizando o autor, na época, que a manipulação erótica genital já se configurava como busca do alívio.

Evento em vez de ritual

A fim de desbordar o tema e desvinculá-lo do ranço de preconceito que carrega, o cuidador do centro de tratamento precisa entender a importância do sexo e da sexualidade do dependente químico. Primeiro, é preciso distinguir sexualidade de sexo. Sexualidade é um conjunto de manifestações e fenômenos da vida sexual. Sexo é gênero. É feminino ou masculino. Sexo é singular, sexualidade é plural e como tal impõe carinho, atenção, compreensão e aceitação do gênero "sexo" do outro. Na sua onipotência, o dependente químico tende a masturbação uma vez que essa independente do concurso de outras pessoas, com as quais não lida, não interage e tem dificuldades para tal. Mesmo quando em atividade sexual com outro, o dependente ainda assim pode estar exercendo a "masturbação ilusória", pois seu parceiro pode ser simplesmente e mero coadjuvante. Prevalece o exercício egoísta de se bastar para o dependente químico.

De qualquer modo, a atividade sexual exercida pelo dependente químico é um evento que tem um fim em si próprio. É mecânica, automática, fugaz, proporciona refrigério e alívio imediato. Ele não ritualiza o ato sexual que predispõe a conquista, o romance, a vivência, a afetividade, o doar-se e o prazer, numa ação que se estende e se perpetua. Entender como esses mecanismos agem no conjunto de emoções do dependente químico é fundamental para auxiliá-lo no seu processo de recuperaçãoA manutenção de qualquer forma de abstinência de álcool e/ou de drogas. O termo é particularmente associado com os grupos de ajuda mútua; entre os Alcóolicos Anônimos (AA) e outros grupos dos doze passos refere-se ao processo de atingir e manter a sobrie­dade. Posto que a recuperação é vista como um processo que dura toda a vida, um membro do AA é sempre visto internamente como um alcoólico “em recuperação”, embora o termo alcoólico “recuperado” possa ser usado fora do grupo.. O sexo, para Freud, é a energia vital que move o homem. Mais tarde, ele admitiu que a fome, uma tese de Jung, também é primária. Assim sendo, o homem precisa ter parte de sua carga sexual canalizada para outros objetivos que não somente o da perenização da espécie, uma predisposição adâmica. Se não souber mediar tal acúmulo energético, poderá represá-lo e sublimá-lo desenvolvendo compulsões, entre elas a dependência por substâncias psicoativas.

Fixação oral

Cabe aos pais, sobretudo a mãe na fase intra-uterina, esse papel mediador. É muito comum na gravidez, pais preferirem "menino homem" ou "menina mulher", quando o ideal seria que preferissem uma "pessoa", independente do seu gênero. Aceitar e amar a criança na fase intra-uterina é exercer a chamada protoprofilaxia, quando todo um elenco de atitudes que beneficiam a criança são adotadas pela mãe. Aceita em seu gênero desde o útero, a criança não se verá obrigada a atender a projeção narcísica dos pais quanto ao seu sexo e, acolhida sob um teto emocional equilibrado, desenvolverá sua pulsões sexuais de modo salutar lidando com seu corpo como algo passível de ser descoberto e não encoberto. Bem atendida em suas satisfações emocionais, com uma "mãe suficientemente boa" e um pai que lhe permite exercer sua "agressão", ela pode valer-se de seu auto-erotismo, erguendo um edifício egóico com todas as formas de expressão, não somente com as que lhe são permitidas pelos pais.

Na argamassa dessa construção, a criança passará por todas as fases do desenvolvimento: a oral, anal, fálica, edipiana, a puberdade, adolescência e a adulta. A família disfuncional permitirá o surgimento na primeira infância de quadros compulsivos. Avulta, nesse aspecto, a importância da fase oral. "Freud foi o primeiro (1905), a destacar a presença de fixações orais em dependentes químicos. Escreveu em seus três ensaios sobre a teoria da sexualidade: " ... da importância erógena da região labial, constitucionalmente determinada. Se esta importância persistir, estas crianças quando crescerem, torna-se-ão epicuros do beijo, inclinar-se-ão ao beijo pervertido, ou, se do sexo masculino, terão poderoso motivo para beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica. e fumar." (Freud, S. (1905), Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, in: Sigmund Freud, Obras Completas, Vol 7, Ed. Imago, Rio de Janeiro,1972, citado por Sérgio Paulo Ramos, em "Da contribuição de fatores psicodinâmicos na gênese da dependência química")".

Orgasmo oral infantil

Segundo Ramos, para muitos autores, (Abraham, 1916; Rádo, 1926; Wulf, 1932; Bergler, 1933; Robbins, 1935; Knight, 1937; Fenichel, 1945; Meerloo, 1952; Rosenfeld, 1960; Brow, 1965; Limentani, 1968; Rosenfeld D., 1974/92; Wurmser, 1974; Khantzian, 1978 e Maldonado, 1995) a oralidade destes pacientes era fato. "Para estes autores os dependentes químicos estariam fixados na fase oral, como resultado de imperativos constitucionais ou determinantes biográficos. Uns e outros contribuindo para a não resolução de conflitos primitivos. Desta maneira a relação com a droga representaria a satisfação das necessidades orais - capaz de reviver o orgasmo oral infantil, como referiu Rádo em 1926 - com sentimento de triunfo sobre as outras pessoas". O mesmo autor, afirma que Vaillant (A História Natural do Alcoolismo Revisitada, 1995, Artes Médica, Porto Alegre), uma das maiores autoridades mundiais em alcoolismo, não concorda com essa oralidade quando se fala em alcoolismo.

Paralisado na oralidade difusa, o dependente químico tem ainda de se a ver com a agressão natural que não pôde exercer na infância. Engolir choro, ver-se proibido de qualquer manifestação de desagrado, com tentativas constantes de acomodação e sempre carente da nutrição emocional da qual foi privado, ele pode cultivar um agressividade destruidora e latente. Quem adia o ódio, odeia dia-a-dia. No vácuo da desatenção, da vilania ou da permissividade familiar, o potencial compulsivo propenso a desenvolver um superego violento, encontrará frestas para se manifestar. Com sua oralidade não satisfeita, desequilíbrio na mediação da gratificação, ele pode desenvolver uma vivência perversa contra si e contra os outros. Compulsivo, ele exibirá atitudes de busca do "orgasmo oral infantil", quando se voltará para o beber ou comer compulsivo, o fumar desbragadamente (cigarro ou qualquer coisa), ou o sexo, mecânico e instintivo, que lhe foi "negado" nas proibições e imposições da infância.

Promiscuidade e impotência

A atividade sexual é assim exercida por um paciente de auto-estima rebaixada que se vale do álcool e da droga para obter "melhor dos dois mundos", quais sejam, as drogas e as cópulas desenfreadas. Sem peias, esse paciente é alvo dileto de enfermidades infecto-contagiosas. O uso do álcool como elemento desinibidor (e suas congêneresA rigor, este termo aplica-se aos alcoóis (que não o etanol), alde­ídos e ésteres que são encontrados nas bebidas alcóolicas e contri­buem para o gosto e aroma especiais dessas bebidas. Entretanto o termo é também usado informalmente para referir-se a qualquer cons­tituinte de uma bebida alcoólica que proporcione aroma, paladar, cor e outras características tais como “corpo” para tal bebida. Os taninos e os corantes estão entre os compostos assim denominados. em pó, cigarro e comprimidos), é de uso clássico. Entretanto, ainda que o aumento da libido se dê rapidamente tal estímulo não se mantém e tal qual o uso da droga, a busca pelo prazer (na verdade, alívio) esgota o recurso (a estimulação dopasinérgica) e o veículo (o usuário). Sobrevêm, no curto prazo a depressão e no médio e longo prazo, a promiscuidade sexual. A dor emocional, que deveria ser solucionada, na visão do dependente químico, não o é. Ele entra na esfera viciosa do uso continuado para pseudo-estimulação sexual somente para sentir, no fim das contas, que a disfunção erétil que experimenta (no caso dos homens) pode resultar em algo pior: impotência.

É esse quadro que pode chegar ao centro de tratamento. O ato masturbatório, contando que a relação sexual num ambiente terapêutico desses é pouco possível, não tem nada a ver com o ambiente, com o presente, mas sim com o passado. Um passado muito presente na vida do paciente. Assim como, sobretudo nos primeiros dias, ele irá se referir ao tempo em que estava usando a droga, é natural que relembre (e procure mesmo exercitar) algumas ações que antes praticava. Ele poucas vezes o faz visando quebrar as regras, mas sim como algo quase fisiológico e com um quê de auto teste. Ainda estão presentes, nessa fase, a onipotência e o orgulho, tanto quanto a frustração de "se bastar", que revela, na verdade, a incapacidade de se doar do dependente. O alívio que experimenta e que deveria, segundo as regras, ser partilhado com alguém, é exercido de modo solitário, para o seu (legítimo) desprazer. Ele não é capaz de proporcionar algo (prazer) a alguém que ele nunca, ou poucas vezes, experimentou.

Dependente não é assexuado

Flagrado num ato masturbatório, o dependente tem de ser orientado, nunca reprimido. A psicoteologia se aplica melhor aqui do que a teoterapia pura. Por menos que queira, e a depender do grau de espiritualidade alcançada, o dependente se sente "devedor e traidor de Deus". O profissional da psicoteologia poderá lhe dizer porque o ato masturbatório é ainda importante para ele, e o porque ele precisa deter controle sobre o ato e como de resto, sobre toda sua vida. Punir só empurra o paciente mais para seu passado, que continuará confuso e sem rosto e, portanto, doloroso. Na dor, ele irá fazer o que costumava fazer para superá-la: usar drogas e viver a vida promiscuamente do ponto de vista sexual. Muitos cuidadores valorizam a masturbação, em vez do paciente. Com isso, querem tirar a masturbação da vida do dependente a fórceps, com uma violência emocional que só diminui a estatura afetiva do paciente e o conduz para mais perto da droga.

É preciso compreender que a masturbação é também uma forma de expressão do dependente e que o ato compulsivo masturbatório tem de ser compreendido à luz do processo de tratamento pelo qual ele passa. O terapeuta ocupacional do centro de tratamento tem uma grande responsabilidade nesse quesito, uma vez que a ele cabe encontrar formas de fazer o paciente se expressar. Pode ser argila, massa de modelar, pintura, colagem, teatro, música ou qualquer outra atividade física. Com as sessões de psicoteologia, é possível clarificar a mente do dependente para essa questão, tendo em vista que esse auto-erotismo pode tornar-se circunstancial, restrito ao quadro, uma vez que contemplado no tratamento. O problema é que a maioria dos centros de tratamento simplesmente desconsidera a questão, preferindo acreditar que o dependente é assexuado e livre de libido. O que ele faz com sua sexualidade? Simplesmente ela existe e, como componente do conjunto somático-emocional, tem de ser considerada.

Assim, tratar o paciente dependente químico em todo o seu aspecto é preservar seu erotismo estrutural gratificante, uma vez que esse será componente do seu conteúdo egóico restaurado. Ele não pode ser um aleijado sexual. Seu tratamento não exclui sua sexualidade, antes a reintegra. Com sua sexualidade restabelecida, o dependente independerá de si para sua satisfação sexual. Restaurado, verá o quanto é precioso ter e proporcionar prazer sexual, que na verdade, é a manifestação orgásmica de um enlace emocional mais profundo. Saberá doar-se e doará o melhor de si. Mas para que isso ocorra, é preciso que o cuidador do centro de tratamento também tenha sua sexualidade em dia. A sexualidade está no "olhar do outro". Se o cuidador pune e faz o dependente "socar guela adentro" sua sexualidade, é muito provável que assim foi ensinado a lidar com o tema. Só está reproduzindo o que aprendeu. Isso é perigoso. Quem não tem sua sexualidade resolvida, não pode lidar com a do outro.

Autor

José Antonio Mariano - email - mariano@kbonet.com.br
Jornalista especializado em psiquiatria e psicologia, consultor, pesquisador e conselheiro em dependência química
e diretor editorial da revista Arquivos Brasileiros de Dependência Química
Publicado em: http://www.abdq.hpg.ig.com.br/saude/10/index_int_7.html

 


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Comentários

Excelente texto. Gostaria de

Excelente texto. Gostaria de saber se é recomendado em casas de reabilitaçãoNo campo relacionado ao uso de substâncias psicoativas, o processo através do qual um indivíduo com um transtorno por uso de uma dessas substâncias atinge seu máximo possível estado satisfa­tório de saúde, de funcionamento psicológico e bem-estar social [A Organização Mundial da Saúde define a reabilitação psicossocial como “um processo que facilita aos indivíduos deficientes, incapacitados ou inválidos a oportunidade de atingirem seu nível máximo de funcionamento independente em suas comunidades. Isso implica tanto a melhoria das capacidades individuais como a introdução de modificações ambientais a fim de proporcionar a melhor qualidade de vida possível aos indivíduo que tenham sofrido de uma doença mental, ou que tenham alguma deficiência de suas capacidades mentais que resulta em qualquer grau de incapacidade.” (WHO. Psychosocial rehabilitation: a consensus statement.Doc.: WHO/MNH/MND/96.2, Geneva, WHO, 1996)].A reabilitação segue uma fase inicial de tratamento (que pode implicar desintoxicação e tratamentos médicos e psiquiátricos). Compreende uma ampla variedade de abordagens, que incluem terapia de grupo, terapias comportamentais específicas para prevenir a recaída, partici­pação em grupos de ajuda mútua , residência em uma comunidade terapêutica ou em uma pensão protegida, treinamento vocacional e emprego protegido. A expectativa é a de uma reintegração social na comunidade em geral. que o paciente tenha uma vida sexualA saúde sexual refere-se às áreas da medicina envolvidas com a reprodução humana e comportamento sexual, as doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos, anticoncepcionais, entre outros. ativa, não apenas a masturbação. Grata. Sophia

sexo e drogas

                                                                                                               

boa noite,                                                                                                                

minha historia eh diferente, venho de uma internaçaoe sou tao compulsivo pela drogaUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. como pelo sexo ,sou adicto.frequento sala de n.a   (narcoticos anonimos).estou abstenio de drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. ,mais ficar abstenio de sexo eh mais dificil,pelo que me foi sugerido 1ano sem sexo depois que eu sai da comunidade , entao me masturbo constantemente.hoje trabalho minha aceitação.                                                                                        sem mais 11 08 2011 .

sexo e drogas

igual ao outro

sexualidade e dependência quimica

Depois de procurar matérias q abordassem o assunto, pude realmente ficaar satisfeito como q li.

 

sexualidade x dependencia

meu ex namorado é um dependendte quimico de 40 anos

descobri que ele é homoxesual tambem.

acredito que a drogaUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. apenas  aguça este desejo nele mas na verdade ele já tem esta pre disposição.

como descobri? deposi que terminei com ele  por causa de uma das 12 recaidas , ele chegou ao fundo dpo poço e saiu com travestis, putas etc.. mams na verdade o que ele gosta mesmo é do ato sexualA saúde sexual refere-se às áreas da medicina envolvidas com a reprodução humana e comportamento sexual, as doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos, anticoncepcionais, entre outros. homosexual.

ele tentenou esconder isto de mim por muito tempo , mas ha coisas que um dia  são expostas quer queiram ou não.

 é muito triste ,, ele recaiu novamente .. só Deus sabe o  que ele deve estar fazendo por ai.. é algo que nao quero mais pensar..

um conselho p quem tem uma namorado (a) assim.. com a dependednica..

 

é um coisa para o resto da vida.. é  um inferno..!!!! um verdadeiro inferno e nao tem cura. portanto .. cabe a vc cir fora ou viver esta vida  para sempre..

trabalhar a sexualidade em uma comunidade

bom dia!

achei de grande contribuicão o seu conteudo.Estou iniciando um trabalho dentro de uma comunidade feminina de recuperacão a dependendica quimica.e vejo a necessidade de explorar inicisivamente a orientacão sexualA saúde sexual refere-se às áreas da medicina envolvidas com a reprodução humana e comportamento sexual, as doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos, anticoncepcionais, entre outros. jã existente na mesma.As abordagens devem ser feitas ludicamente.

Silvia Assis

Enfermeira

Jacarezinho- Parana

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