Resumo Original
O estudo tem como objetivo conhecer os sentimentos e as atitudes frente ao uso, abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de substância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persistente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga). e dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoolismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “dependência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicáveis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tolerância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação). de drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. entre profissionais que atuam do Programa Saúde da Família (PSF) no município de Araçatuba - SP. A amostra foi composta por 286, enfermeiros, médicos, odontólogos, auxiliares de enfermagem, auxiliares de consultório dentário e agentes comunitários de saúde. Trata-se de um estudo, quantitativo, descritivo. Para o instrumento de coleta de dados foi formatado um questionário individual, estruturado com perguntas fechadas contendo: identificação sócio-demográfica, check - list de substâncias consideradas drogasDrogas de abuso, um, check - list de sentimentos ao lidarem com pacientes que fazem uso, abuso ou são dependentes de drogas, a escala de atitudes "The Seaman & Mannello Nurse's Attitudes Toward Alcohol and Alcoholism Scale". Foi realizada uma análise descritiva e multivariada entre as variáveis com um intervalo de confiança de 95%. Verificou-se que, as substâncias consideradas drogas de abuso em unanimidade foram a cocaínaUm alcalóide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou sintetizado a partir da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odontologia, oftalmologia e cirurgias de ouvido, nariz e garganta, dada a sua forte ação vasoconstritora que ajuda a reduzir as hemorragias locais.A cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado sem indicação terapêutica para produzir euforia ou “ligação”; o uso repetido produz dependência. A cocaína ou “coca” é geralmente vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó (“farinha” ou “pó”), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais. O pó é aspirado (“cheirado” ou “cafungado”) e produz efeitos imediatos (entre 1 a 3 minutos de latência) que duram em torno de 30 minutos.A cocaína pode ser ingerida oralmente, geralmente com álcool; os usuários de opióides e cocaína combinados geralmente os injetam por via intravenosa. Alguns elementos alcalinos (freebase) são utilizados para aumentar a potência da cocaína pela extração do alcalóide puro através da inalação dos vapores em cigarros ou narguilé (cachimbo de água). Uma solução aquosa de sal de cocaína é misturada com um álcali (como bicarbonato de sódio) e o extrato é obtido através de um solvente orgânico como o éter ou o hexano. O procedimento é perigoso uma vez que a mistura é explosiva e altamente inflamável. Um procedimento mais simplificado que evita o uso de solventes orgânicos consiste em aquecer o sal de cocaína com bicarbonato de sódio; isto produz o crack.O crack ou “pedra” é uma cocaína alcaloidal (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. É um composto de coloração bege. Crack refere-se ao som de estalido provocado quando o composto é aquecido. Um efeito intenso ocorre de 4 a 6 segundos após a inalação do crack. Um sentimento de exaltação e de desaparecimento de ansiedade é vivenciado, junto com um exagerado sentimento de confiança e auto-estima. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem se preocupar com as conseqüências.A fala fica acelerada e pode se tornar desconexa e incoerente. Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5 a 7 minutos, depois do que o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como uma síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sonolência e inércia.Podem ocorrer reações tóxicas agudas tanto no consumidor de cocaína principiante quanto no inveterado. Essas reações incluem delirium semelhante ao pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnóide), arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte. Outras seqüelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranóides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. “Luzes na neve” (snow lights) é o termo usado para descrever alucinações ou ilusões que lembram o brilho do sol nos cristais de neve. Foram descritos efeitos teratogênicos, incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros. Os transtornos por uso de cocaína estão entre os transtornos por uso de substâncias psicoativas incluídas na CID-10 (classificadas em F14)., a maconha e o crackVeja cocaína.. Na avaliação da assistência, os profissionais do PSF percebem que os problemas relacionados ao abuso e dependência de drogas estão presentes entre os agravos à saúde (61,5%), e ainda 89% deles consideram muito importante assistir esses pacientes, havendo média maior para os profissionais com nível superior; porém, as dificuldades são consideráveis (69,2%), e no tocante a assistência realizada, tais profissionais (64%) percebem que tem pouco ajudado estes pacientes, e que os mesmos se beneficiam pouco da assistência oferecida (69%). Quase a metade dos profissionais de saúde apresentou os sentimentos de compaixão e tristeza frente ao paciente usuário de drogas. As atitudes foram positivas em relação a esses de uma forma geral, embora algumas vezes estivessem associados a sentimentos como ansiedadeAnsiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc., estresse, medo, insegurança e desconforto. Quanto à satisfação profissional e pessoal ao trabalhar com pacientes usuários, houve uma média maior para os profissionais com curso de graduação. Estes profissionais também apresentaram maior percepção dos problemas físicos relacionados ao uso de drogas, e um prognóstico não muito positivo quanto aos pacientes usuários. Já o grupo dos profissionais de saúde do PSF sem curso de graduação, que é composto então em sua maioria por agentes comunitários de saúde, apresentam sentimentos e atitudes que demonstram maior aceitação quanto ao uso e usuário de drogas, porém com maiores dificuldades na abordagem junto aos mesmos. O estudo mostrou que existem possibilidades e uma relativa motivação para o desenvolvimento do conhecimento e intervenção junto aos usuários de drogas; mas ainda não tem sido significativamente o suficiente para gerar efeitos objetivos no PSF de acordo com os seus próprios profissionais.
Palavras-chave
¤ Atitudes e Práticas em Saúde
¤ Conhecimentos
¤ Drogas de abuso
¤ Programa Saúde da Família
A tese na integra Dissertação de Mestrado, clique http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22131/tde-18072006-163801/ -
Título em Inglês
The professionals of Programa Saúde da Família (Family Health Program) as to use, abuse and addiction of drugs.
Resumo Original
This study has the objective of disclosing the feelings and attitudes (feeling, thinking and behavior) of the professionals of Programa Saúde da Família (PSF) (Family Health Program) (nurses, doctors, odontologists, nunrsing assistants, dental office assistants and health community agents) towars the use, abuse and addiction of drugs; compare the attitudes among the PSF health professionals with and without a university course as to that matter and identify what substances are considered addiction drugs by these professionals. It is quantitative, descriptive, sectional study. In order to attain the data collection, it was formatted an individual questionary, structured with closed questions containing: sociodemographic identification, check list of substances that are considered addiction crugs, the health assistance to the drug users at PSF, answered with five questions, check list of feelings when dealing with patients connected to the use, abuse, and addiction of drugs and the attitude scale " The Seamn & Mannello Nurse's Attitudes Toward and Alcoholism Scale" . It was carried out descriptive and multivaried analysiswith a safety interval of p>0,005; 286 professionals participated of this research. It was found out that the substances considered addiciton drugs, almost all of them, were cocaine, marijuana(marihuana)Veja cânabis. and crack. In the assistance evaluation, the profissionals pf PSF realized that the problems related to the abuse and dependence of drugs are present in the health damages (61,5%), and 89% of them consider very important to assist these patients, being higher the statistics for professionals with a university course; however, the difficulties are considerable (69,2%), and as to the the assistance perfomed, such professionals (64%) realized that have helped these patientes very little, and that they benefit little from the assistance offered (69%). Almost half of the health professionals present feelings of compassion and the sadness towards the patient with problems related to the use of drugs. The attitudes were positive toward the drug users in a general way, although sometimes they were associated to feeelings of anxiety, stress, fear, insecureness and discomfort. Concerning to the personal and professional satisfaction for working with chemical addicted patientes, there was a higher average for professional with a university course. These professional also presented a higher perception as to the physical problems related to use of drugs and a not very positive prognostic as to the users. On the other hand, the health professionals of PSF without a university course, most of them health community agents, demonstrate feelings and attitudes wich can show a better accepatance as to the drug use and users, however they present more difficulty in a approachinf them. The study showed that there are possibilities and a reasonable motivation for the development of knowledge and intervention with the drug users; but it has a not been sufficiently significant to genterate objetive effects in the PSF according to its own professionals.
Palavras-chave em Inglês
¤ Addiction drugs
¤ Attitudes and practice in health
¤ Knowledge
¤ Programa Saúde da Família
Autor
Barros, Marcelle Aparecida de email - marcellebarros@ibest.com.br
Unidade - Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP)
Área de concentração - Enfermagem Psiquiátrica
Orientador- Pillon, Sandra Cristina
Dissertação de Mestrado
Banca Examinadora
¤ Pillon, Sandra Cristina
¤ Luis, Margarita Antonia Villar
¤ Santos, Manoel Antonio dos
Data da Defesa 06/03/2006
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