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Início

A demanda por um projeto que levasse informações sobre drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. e que, a partir delas, pudesse ter uma abordagem preventiva junto aos alunos do 1° ano do Ensino Médio surgiu da comunidade escolar, especialmente dos pais dos alunos. Acreditamos que muitos destes se sentem despreparados para discutir com seus filhos temas especialmente vinculados às vivências juvenis e que abarcam questões de saúde, sexualidade e comportamentos de risco. É de se pensar que o trabalho escolar poderia colaborar na reflexão sobre estes temas.

Em cerca de cinco décadas, a escola vem acumulando papéis: partiu de atribuições de caráter quase que estritamente didático-pedagógica, ou seja, o ensino dos conteúdos mais convencionais, e acompanhou uma série de transformações sociais do país em direção a uma redefinição de suas atribuições diante da sociedade. O debate acerca das metas de uma nova escola colocou em foco a promoção da cidadania, o fomento à consciência crítica, a instrumentalização para o trabalho, ou para o vestibular, e o desenvolvimento biopsicosocial do aprendiz. Diante destas demandas, que foram se somando ao contexto escolar, têm surgido questionamentos sobre a especificidade da ação pedagógica, seus limites e possibilidades. Podemos pensar em simplesmente somar estas novas atribuições ou em assimilá-las dentro uma reorganização curricular que elegeria prioridades. A proposta objetivada neste artigo se vincula à segunda vertente, ao sugerir que o tema drogasDrogas seja desenvolvido nos cursos especiais que a Escola da Vila criou em sua grade curricular para o Ensino Médio, a chamada Integração, atualmente subdividida nasVeja teor alcoólico no sangue. três áreas: Ciências Humanas, Ciências Naturais e Códigos e Linguagens.

Desenvolvimento

A adolescência é uma fase de descobertas, transformações e crises, em que a vulnerabilidade a situações de risco surge com certa freqüência. Os adolescentes vivem marcantes perdas referentes às mudanças psicobiológicas e aos seus papéis dentro do contexto familiar, escolar e social, enquanto vislumbram várias possibilidades de realizações futuras. Nestas circunstâncias, suas angústias e anseios somados à busca de identidade e às experimentações de tais possibilidades tendem a levar os adolescentes a integrar grupos de diversos perfis, dentre estes, aqueles que fazem uso de drogas.

Pesquisa realizada pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas (CEBRID), em 1997, revela que, até os 18 anos, cerca de 25% dos adolescentes entrevistados já havia consumido alguma droga psicoativaVeja substância ou droga psicoativa. (excetuando-se álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um nume­roso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consu­mida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos poten­cialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxi­cação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decor­rentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuro­patia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica. e tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nico­tina.Veja também:nicotina; fumar passivo.); tal número sobe para 32% entre os maiores de 18 anos. Sendo a escola um espaço em que tais dinâmicas de grupo ocorrem de maneira intensa e plural, podemos também legitimá-la como ambiente social adequado para levantar e problematizar o tema das drogas e desenvolver estratégias de informação e orientação para uma educação preventiva. Sabemos que na sociedade, assim com na escola, o mundo adulto carrega representações diferentes acerca do uso de drogas, embora acreditemos que há um consenso sobre as situações de abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de subs­tância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persis­tente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga)., nas quais o adolescente tem suas relações sociais e seu desempenho escolar fortemente comprometidos.

Nesta intenção educativa sobre a drogadição, não se trataria, no entanto, de apenas expor aos alunos informações objetivas, que contemplem os efeitos e os riscos para a saúde que as chamadas substâncias psicoativas podem causar a curto ou longo prazo. Sabe-se hoje que somente a contribuição científica das diversas áreas do conhecimento não é suficiente para sensibilizar os jovens perante a complexa relação dos fatores envolvidos no consumo de drogas, os quais transitam entre o plano individual e o coletivo. Desta forma, é importante notar que o conhecimento científico das drogas, em particular aquele advindo das ciências naturais, é necessário, porém não é suficiente para uma abordagem que pretenda ter um caráter preventivo. Nesta perspectiva é que o tema poderia assumir um caráter interdisciplinar e, daí, constituir um eixo que não apenas integrasse diferentes componentes curriculares, mas que também buscasse uma ação conjunta dos pais, professores, orientação educacional e funcionários.

Considerando a nossa primeira experiência com a discussão do tema em 2006, constatamos uma variedade de informações, às vezes divergentes, trazidas pelos alunos, ao lado de perguntas que revelam a multiplicidade de fontes em que estão imersos: televisão, cinema, música, internet, imprensa.

Muitas vezes, os alunos demonstraram argumentos contraditórios ou pautados em perspectivas restritas sobre do tema. Outros demonstraram falta de informação ou ainda um aparente receio para adentrar à discussão. Julgamos que a análise, o confronto e a ampliação destas informações sejam importantes para que os alunos possam desenvolver a capacidade de avaliar criticamente o fenômeno da drogadição.

A perspectiva piagetiana sobre o desenvolvimento moral nos coloca a idéia de que a criança progride de uma fase heterônoma a uma autônoma. Na primeira, a criança situa-se em uma condição egocêntrica caracterizada pela dissociação do eu e o meio social.

Ela não compreende o significado das normas de conduta, apenas reage a elas, ora aceitando-as como forma de evitar punições ou garantir recompensas, ora transgredindo-as com maior ou menor influência de um cálculo de riscos. A simples imposição das normas e punições por parte dos adultos dificulta a passagem a uma dinâmica de autonomia, na medida em que limita a liberdade de escolha da criança e reforça suas relações infantis com a norma. Já na fase autônoma, a criança estabelece com os limites uma relação que pressupõe a compreensão da origem destes, não apenas para garantir o seu próprio bem-estar, mas também o do outro. Pensamos que o contato do jovem com diversas informações sobre as drogas, aquelas provenientes da mídia e outros meios informais, e também as que são sistematizadas no âmbito escolar, possam contribuir para a construção de uma visão autônoma acerca dos limites existentes para o uso de drogas, sejam os limites advindos da lei, da norma social ou do conhecimento científico.

Acreditamos, enfim, que informações integradas e o desenvolvimento da autonomia de julgar possam contribuir na prevenção ao abuso de drogasVeja abuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)..

Os diversos modelos de prevenção, ao nível escolar, compõem um quadro revisto, a partir da literatura internacional, por Beatriz Carlini-Cotrim e Ilana Pinsky. De modo abreviado, os modelos podem ser agrupados segundo as abordagens:

  1. 1) Modelo de modificação das condições de ensino: Defende que a vivência escolar, desde a educação infantil, é fundamental para o desenvolvimento sadio do adolescente. A ênfase recai na formação global do jovem, em que a prevenção ao abuso de drogasAbuso de drogas é uma de suas intenções, ao lado da prevenção à delinqüência e às patologias mentais. Como ação propõe-se: técnicas de ensino mais prazerosas, melhoria na relação professor-aluno, maior participação da comunidade nas decisões estruturais, incentivo à cooperação e solidariedade, oferecimentos de serviços de saúde, participação dos pais na vida acadêmica de seus filhos.
  2. Modelo do estilo de vida saudável: A estratégia central deste modelo é promover estilos de vida associados à boa saúde, à alimentação balanceada, a exercícios físicos, à vida sexual segura. Inclui-se o tratamento de temas mais gerais, como poluição trânsito, substâncias cancerígenas e perigo nuclear.
  3. Modelo de oferecimento de alternativas: Entende o abuso de drogas como válvula de escape diante das tensões sociais. Procura propiciar aos jovens sensações de expansão da mente, crescimento pessoal, desafios e alívio do tédio por outros meios que não o consumo de drogas. Intervenções adotadas: formação de grupos para atividades culturais, esportivas etc. fora do horário escolar.
  4. Modelo de educação afetiva: Constitui-se de um conjunto de técnicas que visa melhorar ou desenvolver a auto-estima, a capacidade de lidar com ansiedadeAnsiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc., a possibilidade de resistir às pressões do grupo. Defende que jovens mais estruturados psicologicamente são menos propensos ao abuso de substâncias psicoativas. Nesse modelo, a droga não é tratada como a questão principal, ela é apenas um dos tópicos tratados.
  5. Modelo do conhecimento científico: Propõe o fornecimento de informações sobre drogas de caráter imparcial e científico. A partir dessas informações, os jovens poderiam tomar decisões racionais sobre as drogas. As avaliações sobre esse modelo revelaram que grande parte dos jovens assimilou os conteúdos, mas que as mudanças de atitude são mais freqüentes quando estas informações se associam a outros modelos de intervenção.

Outros modelos, de menor interesse para este trabalho, são os denominados modelo da pressão positiva, modelo do aumento do controle social, modelo do princípio moral e modelo de amedrontamento.

Podemos identificar em algumas ações da Escola da Vila elementos associados aos modelos de prevenção descritos. A participação dos pais na escola infantil e no ensino fundamental, que incentiva um acompanhamento mais próximo das produções dos alunos, assim como a proposição de atividades que estimulam a sociabilidade e a solidariedade entre os alunos em toda escola ou a busca de canais para sua participação estariam vinculados ao modelo de modificação das condições de ensino.

Outro conjunto de ações tais como a valorização da saúde presente em várias abordagens da nutrição, hábitos alimentares e higiene nos três segmentos, ou o estudo das diferentes formas de poluição atrelado à conscientização sobre a importância do equilíbrio ambiental, ou ainda a discussão sobre os possíveis riscos decorrentes do uso de alimentos transgênicos, aditivos alimentares e da energia nuclear se vinculariam ao modelo do estilo de vida saudável.

As atividades esportivas, além de se associarem ao modelo anterior, também caracterizariam um dos elementos do modelo de oferecimento de alternativas. A este ainda poderíamos relacionar outras práticas como as atividades culturais ligadas à formação de grupos musicais ou teatrais, ao Festival de Poesia e ao Arte e Ciência, bem como a participação em ações sociais e no grêmio estudantil. A compreensão, por parte dos professores, da importância de incentivar a participação dos alunos em atividades desta natureza, bem como de considerar suas conquistas e produções, seria um forte estímulo ao modelo de prevenção considerado, ao lado do reconhecimento dos valores intrínsecos a estas práticas.

Já quanto ao modelo de educação afetiva, é comum os professores não deterem conhecimentos teóricos e circunstanciais sobre as variações pessoais e psicológicas de seus alunos para poder intervir. A ação mais direcionada aos aspectos pessoais da auto-estima, do controle da ansiedade etc. se enquadra no âmbito da orientação educacional em parceria com a família. Um diálogo entre professores e orientadores pode, em decorrência dos encaminhamentos, aliar este modelo de intervenção àqueles outros em que tais alunos estão envolvidos sob supervisão do corpo docente.

Para além destas atividades, o modelo do conhecimento científico é o referencial para a sugestão de trabalho que fazemos para 2007. Como já dissemos, consideramos que seja valoroso o planejamento de uma seqüência didática sobre o abuso de drogas que integrasse as três áreas de conhecimento do Ensino Médio.

Na área de Ciências Naturais, seria feito o estudo dos principais tipos de drogas, sejam lícitas ou ilícitas, seus modos de ação, efeitos agudos e crônicos e os riscos derivados do abuso e da dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a neces­sidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psico­ativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoo­lismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “depen­dência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (depen­dência de drogas, dependência química, dependência do uso de subs­tância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicá­veis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a depen­dência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orien­tação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de absti­nência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tole­rância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomato­logia física (neuroadaptação)..

Nas áreas de Ciências Humanas e Códigos e Linguagens, se abordariam os aspectos sociais e culturais tais como a historicidade, as drogas em culturas diversas, os vínculos entre economia, violência e o narcotráfico, a correlação entre a liberdade de escolhas e o bem-estar coletivo, questões éticas, conceitos psicológicos acerca da normalidade e loucura, a representação das drogas nas artes e na literatura, a sua relação com a criatividade, entre vários outros aspectos.

Em suma, consideramos que uma estratégia de prevenção ao abuso de drogas deva ter como princípios a valorização à vida e a promoção da qualidade de vida, dentro de uma ação educativa continuada que pressupõe o processo de construção da autonomia do adolescente. A elaboração de uma seqüência de estudo sobre o tema nos parece bastante importante e viável, considerando todas as práticas já desenvolvidas e a consonância entre os princípios desta proposta e aqueles que norteiam as metas globais da escola.

  1. Bibliografia AQUINO, J.G. – 1998. A Escola e as novas demandas sociais: as drogas como tema transversal. In: AQUINO, J.G. (org.) – Drogas na Escola: Alternativas Teóricas e Práticas. São Paulo: Summus
  2. BOUER, J. E TOZZI, D. – 1998. Prevenção também se ensina? In: AQUINO, J.G. (org.) – Drogas na Escola: Alternativas Teóricas e Práticas. São Paulo: Summus
  3. CARLINI-COTRIM, B. – 1998. Drogas na escola: prevenção, tolerânciaUma diminuição de resposta a uma dose de determinada subs­tância que ocorre com o uso continuado da mesma. No consumidor freqüente ou de grandes quantidades de bebidas alcoólicas (ou de outras drogas), por exemplo, são necessárias doses mais elevadas de álcool para alcançar os efeitos originalmente produzidos por doses mais baixas. Tanto fatores psicológicos como psicossociais podem contribuir para o desenvolvimento da tolerância, que pode ser física, comportamental ou psicológica. Com respeito aos fatores fisiológicos, pode desenvolver-se tanto a tolerância metabólica como a funcional, isoladas ou conjuntamente. Aumentando-se a taxa de metabolismo da substância, o organismo pode ser capaz de eliminar a substância mais rapidamente. A tolerância funcional é definida pela diminuição da sensibilidade do sistema nervoso central à substância. A tolerância comportamental é uma mudança no efeito da droga como resultado de aprendizado ou de alterações ambientais. A tolerância aguda é uma acomodação rápida, temporária, ao efeito de uma substância após uma única dose. A tolerância reversa, também conhecida como sensibilização, refere-se a uma condição na qual a resposta a uma substância aumenta com o uso repetido.A tolerância é um dos critérios para a síndrome de depen­dência. e pluralidade. In: AQUINO, J.G. (org.) – Drogas na Escola: Alternativas Teóricas e Práticas. São Paulo: Summus DE LA TAILLE, Y. – 1998. Limites: três dimensões educacionais. São Paulo: Ática SOUSA, P. M. L – 2006.
  4. Desenvolvimento moral na adolescência. Disponível em http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0296.pdf. Acesso em 22/out/06.

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Abstinência e dependência quimica

"Uma concepção errada que prevalece tanto na profissão médica como no público leigo é que o tratamento da dependência química invariavelmente fracassa.

Nada mais longe da verdade, o tratamento da abstinência é eficaz e seguro, embora a melhora seja variável...

...já é ponto pacífico que o melhor tratamento é uma combinação de terapias medicamentosas e psicossociais, aplicadas as duas em doses otimizadas" >> Continuar...


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