O uso de substâncias psicoativas para alterar as percepções, os sentimentos ou o comportamento é comum entre os jovens: estudos desenvolvidos em todo o mundo indicam que 50% a 80% das crianças em idade escolar usam drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. lícitas ou ilícitas com propósitos recreacionais.
O entendimento das características do uso entre os jovens e dos fatores de risco pode auxiliar na prevenção, principalmente da evolução do uso experimentalUsualmente, os primeiros poucos episódios de uso de uma droga específica (algumas vezes incluindo tabaco ou álcool). A expressão refere-se algumas vezes ao uso extremamente raro ou não-persistente. para o quadro de abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de substância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persistente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga). e/ou dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoolismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “dependência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicáveis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tolerância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação)., evitando pior prognóstico.
Adolescentes usuários de drogasDrogas apresentam maior incidência de alterações de comportamento e problemas psicológicos que os adultos, sendo que o uso mais precoce está mais associado a estas alterações (Kandel, 1982).
O uso de substâncias psicoativas afeta, diretamente, a cognição, capacidade de julgamento, humor e as relações interpessoais, áreas que, freqüentemente, já estão comprometidas mesmo na adolescência normal (Miller et al, 1991). O prejuízo na capacidade de processar novas informações, juntamente com as alterações na capacidade de concentração e retenção podem prejudicar o desempenho escolar e o desenvolvimento de várias habilidades de muitos adolescentes que fazem uso de álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica. e/ou drogas (Kandel & Davies, 1996).
A adolescência é a passagem da infância para a vida adulta e um período crítico na formação da identidade e desenvolvimento da personalidade. O uso regular e a eventual dependência de álcoolVeja dependência. e drogas nesta fase pode resultar em inconsistências ou deficiências na personalidade futura (Newcomb & Bentler, 1989; Kandel et al., 1986). No processo de formação da identidade, o adolescente precisa experimentar novas atividades, novas posturas sociais e formas de se relacionar. É o resultado destas experimentações - como ele se sente, do que ele gosta e o retorno que o meio dá - que determinará se o jovem adotará ou não determinada postura, que o auxiliará na formação de sua identidade. O uso de álcool e outras drogas pode diminuir o contraste do que é bom ou ruim, distorcendo a avaliação do jovem nestas novas situações, assim como sua avaliação do retorno da sociedade. Esta distorção dificultará na determinação do que ele (a) gosta ou não, dificultando o processo de escolhas e, conseqüentemente, atrasará desde sua escolha vocacional até seu amadurecimento emocional e o treinamento de habilidades. Em muitos adolescentes e adultos dependentes de drogas foi identificado um corte no desenvolvimento, onde a maturação interrompeu-se quando se desenvolveu a dependência de substâncias psicoativas. Um dos ‘principais pontos na formação da identidade na adolescência é a individuação que, quando completada com sucesso, é caracterizada pelo auto-controle e auto-estima. Caso a maturação seja interrompida durante o processo de individuação, a personalidade resultante pode ser excessivamente dependente de fatores externos, ao invés dos internos, na determinação de comportamentos e identidade. Quanto mais cedo se inicia o consumo de substâncias, maior será a dependência de fatores externos e menor auto-estima terá o jovem. A baixa auto-estima encontrada em alguns adolescentes faz com que eles se tornem mais influenciáveis pelo grupo, no que diz respeito ao comportamento e estilo de vida (Dupre et al., 1995), o que poderia facilitar a progressão do consumo de substâncias psicoativas, perpetuando o ciclo.
O uso de drogas e álcool na adolescência também afeta o desenvolvimento de funções sociais e o estabelecimento de relações interpessoais. Os adolescentes dependentes de drogas e/ou álcool são freqüentemente afastados dos outros jovens da mesma faixa etária, assim como das normas existentes nasVeja teor alcoólico no sangue. atividades rotineiras da adolescência (Kandel & Davies, 1996). Estas atividades, que são preparatórias para a vida adulta, incluem namorar, formar laços fortes de amizade e a participação em grupos e atividades que requerem o desenvolvimento de algumas habilidades sociais como cooperação e interdependência. Os relacionamentos estabelecidos pelos adolescentes dependentes são, muitas vezes, baseados no consumo de drogas e/ou álcool. Alguns adolescentes utilizam o álcool e as drogas inicialmente para recreação e acabam por não desenvolver outras formas de divertimento ou de descontração. Uma parte deles terá dificuldades em manter relacionamentos afetivos sem o uso destas substâncias, dificultando ainda mais o estabelecimento de laços mais fortes de relacionamento (Dupre et al., 1995). O medo do abandono é uma característica freqüente entre os adolescentes usuários de drogas: eles têm receio de fazer vínculos e, posteriormente, que estas pessoas importantes os deixem, mas relatam que "as drogas nunca os abandonam" (Scivoletto, 1997).
Por estas características do adolescente, a precocidade no início de uso tem maior influência na gravidade do quadro clínico apresentado do que o tempo total de uso de drogas (Kandel et al, 1992). Os adolescentes apresentam evolução mais rápida entre a experimentação até a dependência que os adultos (Stewart & Brown, 1995). Muitos dos riscos e conseqüências que, para os adultos, são vistos como motivadores para diminuir ou cessar o consumo de drogas, representam, para os adolescentes, oportunidades de auto-afirmação. Esta "onipotência juvenil", que faz com que o adolescente minimize os riscos e conseqüências de seus atos, associada ao imediatismo da adolescência, explicaria, em parte, o maior envolvimento com o uso de drogas em menor tempo, quando comparados com os adultos dependentes.
Na prevenção ao abuso de substâncias, os fatores de risco são características específicas que ocorrem estatisticamente mais freqüentemente para aqueles que desenvolvem problemas com álcool e outras drogas. Quanto mais fatores de risco uma criança apresenta, mais provável será que ela se engaje em abuso de substâncias e em problemas relacionados, na adolescência e como adulto jovem. Por outro lado, a promoção de fatores protetores na vida da criança pode diminuir sua vulnerabilidade para posteriores problemas sociais e de saúde (Hawkins, Catalano & Miller, 1992).É importante ressaltar que os fatores protetores não são simplesmente o oposto dos fatores de risco, sendo, muitas vezes, ações independentes. Por isso a identificação de fatores de risco e protetores é importante.
1. Fatores e protetores de risco associados ao uso de substâncias
Há um consenso de que o uso/abuso de substâncias psicoativas é multifatorial, com implicações de fatores psicológicos, biológicos e sociais. Alguns fatores normalmente citados são: curiosidade, obtenção de prazer, relaxamento das tensões psicológicas, facilitação da sociabilização, influência do grupo, isolamento social, dinâmica familiar, baixa auto-estima, manejo inapropriado da mídia na questão das drogas, influências genéticasDoenças congênitas (português brasileiro) ou doenças congénitas (português europeu) são aquelas adquiridas antes do nascimento ou até mesmo depois do mesmo, no primeiro mês de vida, seja qual for a sua causa. Dentre essas doenças, aquelas caracterizadas por deformações estruturais são denominadas usualmente por anomalias ou malformações congênitas.Malformação congênita é uma condição presente ao nascimento onde a hereditariedade não pode ser imediatamente excluída e não está necessariamente causando a anomalia que se apresenta . Pode ser definida portanto como qualquer defeito na constituição de algum órgão ou conjunto de órgãos que determine uma anomalia morfológica estrutural presente no nascimento por causa genética , ambiental ou mista.Essa definição abrange todos os desvios em relação à forma, tamanho, posição, número e coloração de uma ou mais partes do corpo capazes de ser averiguadas macroscopicamente ao nascimento e/ou por ser discreta que não tenha sido verificada na ocasião em que a criança nasceu e só se manifeste clinicamente mais tarde.Nesse sentido não se distingue de"erros inatos do metabolismo","enfermidades genéticas"ou"doenças congênitas"no sentido amplo de desvios do estado de saúde devido total ou parcialmente à constituição genética do indivíduo, embora a condição de deficiência (handicap), mesmo associado às malformações graves (com perda de função da área afetada), não correspondem exactamente à noção de ausência de saúde.Essas doenças, caso não sejam visíveis, podem ser descobertas através do"teste do pézinho", testes de screening (triagem) neonatal nos quais é recolhida uma gota de sangue do calcanhar do bebê (normalmente entre o quarto e o sétimo dia de vida). São exemplos de doenças congénitas os erros inatos do metabolismo tipo : fenilcetonúria, tirosinemia e homocistinúria., familiares com problemas com álcool, excessiva medicamentalização da sociedade. De uma maneira geral, pode-se dividi-los em fatores internos e externos.
A curiosidade natural dos adolescentes é um dos fatores internos de maior influência na experimentação de substâncias psicoativas. Esta curiosidade os impulsiona a experimentar novas sensações e prazeres. O jovem vive o presente, buscando realizações imediatas e os efeitos das drogas vão de encontro a esse perfil, proporcionando prazer passivo e imediato. Some-se a isso fatores externos como opinião de amigos, modelagem social (mundo adolescente como produto, reprodução do mundo adulto), fácil acesso às drogas e oportunidades de uso e se tem o ambiente propício para a experimentação de drogas.
Com relação à evolução da experimentação para o uso regular e manutenção do uso, outros fatores internos estariam mais envolvidos, tais como insegurança e sintomas depressivos (Scivoletto, 1997), os quais também poderiam se relacionar com o início do uso de drogas, já que a insatisfação pessoal, a baixa auto-estima e a própria insegurança podem aumentar a curiosidade do adolescente por novas sensações e prazeres.
Outros fatores de risco ainda associados ao plano individual, são: a falta de autocontrole e de assertividade; o fracasso escolar e a falta de vínculos na escola; comorbidades (transtorno de conduta, ansiedadeAnsiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc., depressão, entre outras); e a própria predisposição biológica ao uso de substâncias psicoativas.
Dentre os fatores externos, o modismo é particularmente importante na adolescência (Kandel & Yamaguchi, 1993) e influenciará na escolha do próprio estilo. Nesta escolha salienta-se a pressão da turma, o desejo de pertencer a um grupo, os modelos dos ídolos e os exemplos que estes jovens tiveram dentro de casa ao longo da infância. Atualmente, o uso indiscriminado de medicamentos dão ao jovem a impressão de que, para qualquer problema, há sempre uma alternativa medicamentosa, de ação rápida, que não requer grande esforço. A maior ou menor influência destes modelos e modismos no processo de maturação do adolescente dependerá de suas características internas que, por sua vez, refletirão na forma com que este jovem consumirá a droga. Um jovem inseguro, com baixa auto-estima dará mais importância ao comportamento e atitudes dos amigos, ficando portanto, mais vulnerável às pressões externas.
A escola pode apresentar situações favoráveis ao uso de drogas, entre as quais, a falta de senso comunitário e condições pedagógicas que não atendam as dificuldades de aprendizagem, propiciando o insucesso escolar. Atitudes favoráveis ao uso de substâncias pelos funcionários da escola e pelos estudantes, regras e sanções ambíguas ou inconsistentes em relação ao uso de drogas e às demais condutas dos alunos; a disponibilidade de álcool, cigarro e outras drogas em locais próximo da escola são fatores de risco no domínio escolar.
Por outro lado, um clima escolar afetivo no qual o estudante possa contar com apoio pedagógico, parâmetros claros e consistentes e que lhe possibilitassem encontrar prazer, realização pessoal e oportunidades de participação ativa constituem fatores de proteção. O mesmo ocorre quando os professores têm altas expectativas em relação aos alunos e procuram envolve-los, com responsabilidade, nas tarefas e decisões escolares.
Fatores de risco podem estar também no domínio da comunidade e da sociedade em geral. Entre eles podemos citar as posturas favoráveis para o uso e abuso de drogasVeja abuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)., a falta de conhecimento ou consciência do problema pela comunidade, serviços inadequados para jovens ou falta de oportunidade para envolvimento social, disponibilidade das drogas, carência de leis ou de controle sobre o uso de drogas, empobrecimento, desemprego e subemprego, discriminação e preconceito.
Quanto à família, esta pode ser um fator protetor ou de risco para o consumo de substâncias psicoativas (McKay et al., 1991). Os estudos genéticos evidenciam que filhos de pais dependentes de álcool e/ou drogas apresentam risco quatro vezes maior de se tornarem dependentes. Van Der Bree et al. (1998) demonstraram que fatores ambientais e genéticos interagem: a hereditariedade foi maior para o abuso/dependência de cocaínaUm alcalóide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou sintetizado a partir da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odontologia, oftalmologia e cirurgias de ouvido, nariz e garganta, dada a sua forte ação vasoconstritora que ajuda a reduzir as hemorragias locais.A cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado sem indicação terapêutica para produzir euforia ou “ligação”; o uso repetido produz dependência. A cocaína ou “coca” é geralmente vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó (“farinha” ou “pó”), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais. O pó é aspirado (“cheirado” ou “cafungado”) e produz efeitos imediatos (entre 1 a 3 minutos de latência) que duram em torno de 30 minutos.A cocaína pode ser ingerida oralmente, geralmente com álcool; os usuários de opióides e cocaína combinados geralmente os injetam por via intravenosa. Alguns elementos alcalinos (freebase) são utilizados para aumentar a potência da cocaína pela extração do alcalóide puro através da inalação dos vapores em cigarros ou narguilé (cachimbo de água). Uma solução aquosa de sal de cocaína é misturada com um álcali (como bicarbonato de sódio) e o extrato é obtido através de um solvente orgânico como o éter ou o hexano. O procedimento é perigoso uma vez que a mistura é explosiva e altamente inflamável. Um procedimento mais simplificado que evita o uso de solventes orgânicos consiste em aquecer o sal de cocaína com bicarbonato de sódio; isto produz o crack.O crack ou “pedra” é uma cocaína alcaloidal (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. É um composto de coloração bege. Crack refere-se ao som de estalido provocado quando o composto é aquecido. Um efeito intenso ocorre de 4 a 6 segundos após a inalação do crack. Um sentimento de exaltação e de desaparecimento de ansiedade é vivenciado, junto com um exagerado sentimento de confiança e auto-estima. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem se preocupar com as conseqüências.A fala fica acelerada e pode se tornar desconexa e incoerente. Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5 a 7 minutos, depois do que o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como uma síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sonolência e inércia.Podem ocorrer reações tóxicas agudas tanto no consumidor de cocaína principiante quanto no inveterado. Essas reações incluem delirium semelhante ao pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnóide), arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte. Outras seqüelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranóides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. “Luzes na neve” (snow lights) é o termo usado para descrever alucinações ou ilusões que lembram o brilho do sol nos cristais de neve. Foram descritos efeitos teratogênicos, incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros. Os transtornos por uso de cocaína estão entre os transtornos por uso de substâncias psicoativas incluídas na CID-10 (classificadas em F14)., estimulantes, maconha, álcool, enquanto que os fatores ambientais contribuíram mais para o uso inicial e ocasional das mesmas.
Além disso, ensinar a criança a lidar com limites e frustrações é função da família. Crianças que crescem em um ambiente com regras definidas, geralmente são mais seguras e desenvolvem recursos internos para lidar com as frustrações. Sem regras claras e bem definidas, os jovens adotam um comportamento desafiador em relação aos pais e que, posteriormente, será repetido fora do núcleo familiar. A ausência de limites claros e a carência de atitudes continentes dentro da família podem deixar o adolescente muito mais influenciável pelo seu grupo de iguais.
O consentimento ou estímulo ao uso de drogas, lícitas ou ilícitas, pela família, bem como a violência doméstica ou a manifestação de expectativas irreais de desenvolvimento para a criança ou o adolescente, além da falta de supervisão e disciplina familiar, constituem fatores de risco para o consumo indevido de drogas.
Mâsse et al. (1997) pesquisaram a relação entre as características de personalidade de crianças do Jardim da Infância e o uso de drogas na adolescência. Observou-se que personalidades com traços proeminentes de "busca de sensações" e pouco "evitadoras de danos" foram preditoras de uso precoce de substâncias na adolescência. Dessa maneira, o desenvolvimento da dependência irá depender da interação da predisposição genética, características de personalidade e dos fatores ambientais.
2. Particularidades dos fatores de risco entre os gêneros
A companhia de uso é importante influência para o início do uso de drogas (Kandel 1982; Lynskey et al. 1998). Segundo Moon et al. (1999), entre alunos do ensino fundamental, no sexo feminino, a primeira oferta para experimentar drogas ocorre com colegas do mesmo sexo, irmãs, primas, ou com o namorado, geralmente em casa de colegas. Já os adolescentes do sexo masculino iniciam o uso de drogas com colegas do mesmo sexo, irmãos, primos, ou com estranhos do sexo masculino, geralmente em locais públicos. Estes também iniciam o uso de drogas em idade mais precoce e têm maior risco de receberem ofertas para usarem drogas do que o sexo feminino.
Comportamento semelhante a este foi encontrado entre os adolescentes brasileiros em tratamento por uso de substâncias.
Entre o sexo feminino, o primeiro uso de drogas ocorreu com familiares com maior freqüência do que no sexo oposto. Somente entre as garotas foi observado o primeiro uso com o namorado. Por outro lado, somente os garotos iniciaram uso de drogas com estranhos (Giusti, 2004).
Estes dados são coerentes com outros estudos que mostram que as mulheres iniciam o uso de drogas com seus companheiros do sexo oposto (Sutker 1985). Na cultura feminina, geralmente o uso de drogas não se inicia com parceiros masculinos até que comecem a namorar; assim, o sexo feminino teria menos risco de se envolver com drogas em idades mais precoces (Moon et al. 1999). Para o sexo masculino é dada liberdade e independência em idade mais precoce do que para o sexo feminino (Wood 1997), o que facilitaria o início do uso de drogas em locais públicos e, conseqüentemente, aumentaria o risco do início do uso mais precocemente.
Uma vez dada a oportunidade, ambos os gêneros são igualmente susceptíveis ao uso de drogas (Delva et al. 1999; Van Etten & Anthony 1999). Whitmore et al. (1997) observaram que os adolescentes de ambos os sexos iniciavam o consumo regular de substância com a mesma idade e usavam a mesma quantidade de substâncias (em média 3 a 4 substâncias). Porém, os adolescentes dependentes do sexo masculino eram mais jovens quando da experimentação da primeira droga. Já as adolescentes progrediam mais rapidamente do abuso para a dependência, em comparação com o sexo oposto (Whitmore et al. 1997).
A puberdade precoce é um dos fatores de risco para o uso de substância entre o sexo feminino. As garotas que apresentam puberdade precoce têm mais chance de usar drogas do que as garotas que iniciam a puberdade mais tardiamente (CASA, 2003). Além das adolescentes evoluírem mais rapidamente do abuso a dependência de drogas, elas usam drogas por razões diferentes do sexo masculino e também são mais vulneráveis as conseqüências deste uso.
Apesar da mídia também influenciar o sexo masculino com a imagem de "masculinidade do homem de Malboro", entre o sexo feminino esta influência tem sido mais forte. O consumo de cigarro tem aumentado em maiores proporções entre as garotas do que entre os garotos da mesma idade. As adolescentes sofrem forte incentivo da mídia que tem investido mais no público feminino, tentando atraí-las ao consumo de cigarro através de idéias de controle do peso, liberdade e igualdade social (CASA, 2003). Por isso a probabilidade de usar ambos, álcool e cigarro, é maior para adolescentes do sexo feminino do que do masculino (Crisp et al. 1999; Dawes et al. 2000). Garotas de 10 a 15 anos que têm preocupação com o peso, tem 2 vezes mais chances de começar a fumar do que as garotas que não se preocupam com o peso (Field et al. 2002).
Este incentivo ao uso de substâncias lícitas leva a outras riscos. Por exemplo, as estudantes do ensino médio que fumam, têm 6 vezes mais risco do que as não fumantes de terem usado cocaína, inalantesVeja substâncias voláteis. ou outras drogas ilícitas "na vida" e 5 vezes mais risco de serem, no momento, usuárias de álcool, maconha e cocaína (Everett et al. 1998). Estudo realizado com adolescentes americanos revelou que as garotas tinham mais facilidade pata obter cocaína, crackVeja cocaína., LSDVeja alucinógeno. ou heroínaVeja opióide. do que os garotos (CASA, 2003).
Semelhante ao que ocorre entre os adolescentes do sexo masculino, no sexo feminino a progressão de uma droga para outra sofre forte influência das colegas. Quanto mais as suas colegas fumam, bebem ou usam drogas, menos as garotas acreditam que estes comportamentos podem levar a uma forma mais severa de uso de drogas. As atitudes e crenças em relação a drogas variam de acordo com a idade. Por exemplo, garotas estudantes do ensino fundamental acreditam que fumar e beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica. são formas de desobedecer aos adultos. Durante a transição deste para o ensino médio, as garotas acreditam que beber "é legal". Na transição do ensino médio para a faculdade, acreditam que fumar ajuda a relaxar, e que beber diminui a tristeza, monotonia e a depressão (CASA, 2003).
Abuso físico ou sexualA saúde sexual refere-se às áreas da medicina envolvidas com a reprodução humana e comportamento sexual, as doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos, anticoncepcionais, entre outros. é mais freqüente entre o sexo feminino do que o masculino e está fortemente associado ao abuso de drogasAbuso de drogas entre os adolescentes. Garotas que sofreram abuso físico ou sexual tem duas vezes mais chances de fumar, beber ou usar drogas do que as adolescentes que não sofreram tais abusos. Estas adolescentes também iniciam o uso de substâncias mais precocemente e usam drogas em maior quantidade do que as adolescentes que não sofreram estes tipos de abusos (CASA, 2003).
Os programas de prevenção existentes foram desenvolvidos sem considerar as particularidades de cada gênero e tendo em mente o sexo masculino. Estes programas deveriam reconhecer, por exemplo, que as adolescentes tem maior probabilidade de serem depressivas, de terem transtornos alimentares e de sofrerem abusos físico ou sexual do que os adolescentes do sexo masculino. As garotas costumam usar drogas para melhorar seu humor, tornarem-se mais sensuais, diminuir a inibição ou perder peso. Já os garotos tendem a usar álcool e drogas pela sensação que estas causam, desinibiçãoUm estado de liberação das restrições internas sobre o comportamento de um indivíduo. A desinibição pode resultar da administração de uma droga psicoativa.A crença em que uma droga psicoativa, especialmente o álcool, induz farmacologicamente o comportamento desinibido, em geral é expressa na formulação fisiológica do século XIX sobre o desligamento das inibições localizadas “nos centros superiores da mente”. Quase qualquer adjetivo, desde “maligno” a “expressivo”, pode ser usado para descrever o comportamento atribuído ao efeito desinibitório. A expressão “teoria da desinibição” é usada para distinguir esta crença de uma perspectiva mais recente que afirma que os efeitos farmacológicos são fortemente mediados por expectativas culturais e pessoais e pelo contexto.Desinibição é também usado por neurofisiologistas e neurofarmacólogos para referir-se à remoção de uma influência inibitória em um neurônio ou circuito neuronal, em contraste com a estimulação direta desse neurônio ou circuito neuronal. Por exemplo, as drogas opióides deprimem a atividade de neurônios dopaminérgicos que normalmente exercem um efeito inibitório tônico na secreção de prolactina pelas células da hipófise. Assim, os opióides “desinibem” a secreção de prolactina e indiretamente causam uma elevação do nível de prolactina no plasma., para se auto-afirmar ou para melhorar seu desempenho social (CASA, 2003). A identificação destas diferenças entre os gêneros quanto aos fatores que os motivam o uso de drogas é importante para o desenvolvimento de programas de prevenção mais eficazes, principalmente para o sexo feminino.
3. Comorbidade como fator de risco para o uso de substâncias na adolescência
A presença de comorbidades está relacionada à maior gravidade do transtorno por uso de substância (TUS) (Martin et al. 1997; Lipschitz et al. 2000) e com o início precoce do uso de drogas (Burke et al. 1994; Rohde et al. 1996). Transtorno de conduta (TC), transtorno opositivo desafiante (TOD), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno depressivo maior (TDM) e transtorno de ansiedade (TA) são as comorbidades mais freqüentemente associadas com problemas por uso de substância (Stowell; Estroff 1992; Hovens et al. 1994), e também são mais freqüentes em população de usuários de drogas quando se compara com a população não usuária (Clark et al. 1997). Entre as usuárias de drogas, também é comum o diagnóstico de transtorno alimentar (APA, 2000).
Para o sexo feminino, a insatisfação com a imagem corporal e as tentativas de controlar o peso são importantes promotores de transtorno alimentar e uso de substâncias. Entre 30 a 50 % dos indivíduos com bulimia e entre 12 e 18% daqueles com anorexiaAnorexia é a sensação diminuída de apetite.Na maioria dos casos, os estudos científicos focam seus estudos na anorexia nervosa.Nem sempre, contudo, a anorexia pode ser explicada por transtornos de ordem alimentar.A Anorexia também pode ter causas que não remetem, necessariamente a um distúrbio. nervosa fazem uso abusivo de tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nicotina.Veja também:nicotina; fumar passivo., álcool ou drogas ilícitas (APA, 2000) e 35 a 50% dos pacientes que fazem uso abusivo de substância também têm transtorno alimentar (Krahn, 1991). Geralmente o sexo feminino com transtorno alimentar inicia o uso de cocaína e outras substâncias como modo de controlar o peso, diminuir o apetite e aumentar o metabolismo
(Hudson et al. 1992; Sansone & Sansone 1994). A preocupação com o peso também é citada como razão para não parar de fumar, entre o sexo feminino (Klesges & Meyers, 1989). Além da cocaína, estimulantes, drogas para diminuir o apetite e o cigarro, as adolescentes com transtorno alimentar também fazem uso abusivo de diuréticos e laxantes como meio de perder peso, reduzindo a retenção de líquidos rapidamente (Bulik, 1992).
Entre adolescentes em tratamento por abuso de substâncias é freqüente o diagnóstico de transtorno de ansiedade (Rohde et al. 1996). Este, quando presente, pode precipitar o início do uso de drogas, ou manter.
A depressão geralmente precede o uso de substâncias e está associada ao início precoce do uso de drogas (Rohde et al. 1996). Alguns autores defendem ainda, que a presença de transtorno de humor entre o sexo feminino é mais preditiva de uso ou abuso de substância do que o transtorno de conduta (Ensminger et al. 1982; Windle & Barnes 1988).
A presença de transtorno de humor ou ansiedade, principalmente durante a adolescência, pode ser usada para identificar grupo de risco para transtorno por uso de substância, já que ambos estão associados ao início precoce do uso de drogas.
O transtorno de conduta é o transtorno mais associado ao TUS na adolescência (Crowley & Riggs 1995), chegando a prevalências que variam de 75% (Hovens et al. 1994; Grilo et al. 1995) a 100%, dependendo do estudo (Whitmore et al. 1997). O TC também é responsável pelo início mais precoce de consumo de substâncias entre os adolescentes (Robins & McEvoy 1990; Windle 1992) e pode emergir antes ou concomitante com o início do uso de drogas, o que sugere que o TC pode ser um fator de risco para o início do uso de drogas, facilitando sua emergência (Gittelman et al. 1985; Hovens et al. 1994).
Diferenças entre os gêneros quanto à influência do TC sobre o uso de drogas é controverso. Para Robins & McEvoy (1990), não há diferença entre os gêneros quanto a influência do TC e uso de drogas. Para outros autores, o TC entre o sexo feminino proporciona maior risco para o TUS em comparação com o sexo masculino.(Lewis; Bucholtz 1991; Boyle & Offord, 1990).
Para alguns autores o TDAH não aumenta o risco para uso de substâncias (Barkley et al. 1990; Mannuzza et al. 1991). Outros ressaltam a associação deste com o transtorno de conduta. Vários estudos apontam para a associação da gravidade do TDAH e do TC com a gravidade do abuso/dependência de substâncias (Crowley & Riggs 1995; Lynskey & Fergusson 1995). A prevalência de depressão entre crianças e adolescentes com TC é mais alta (15 a 24%) (Chiles et al. 1980; Kandel et al. 1999) do que entre aquelas sem TC (2 a 8%) (Zoccolillo 1992). Esta associação de TC e TDM contribui para maior prevalência de TUS na adolescência (Greenbaum et al. 1990).
Entre adolescentes com TC, Riggs et al. (1995) observaram que a depressão contribuía para início de problemas de comportamento mais precoce, maior déficit de atenção e mais TUS.
Whitmore et al. (1997) observaram, entre os adolescentes em tratamento por TUS, que os garotos apresentavam maior prevalência de TC. Este, por sua vez, em combinação com transtorno depressivo maior (TDM) e TDAH, estava relacionado a maior gravidade do TUS. Já entre as garotas, era mais comum o TDM, relacionado com maior gravidade do TUS.
Adolescentes que apresentam sintomas depressivos, ansiosos ou problemas de comportamento devem ser cuidadosamente avaliados, pois o tratamento adequado destes sintomas poderá retardar o início do uso de substâncias ou até evitá-lo. Além disso, a identificação desta população de risco e a avaliação cuidadosa do uso de substâncias poderão identificar usuários em estágios iniciais ou que ainda não apresentam problemas relacionados ao uso de drogas.
4. Conclusão
Os principais fatores de risco relacionados com o uso de drogas são: curiosidade, obtenção de prazer, relaxamento das tensões psicológicas, facilitação da sociabilização, influência do grupo, isolamento social, dinâmica familiar, baixa auto-estima, manejo inapropriado da mídia na questão das drogas, influências genéticas, familiares com problemas com álcool, excessiva medicalização da sociedade. Entretanto, no desenvolvimento de ações preventivas, não basta apenas diminuir os fatores de risco. É necessário promover os fatores protetores, com ações positivas, tais como: oferecer oportunidades de auto-realização para os jovens; incentivar os desafios e conquistas (auto-estima); auxiliá-los a lidar com frustrações, raiva, ou seja, com emoções; incentivar vínculos com pessoas que não usam drogas; ambientes com regras claras e não tolerantes ao uso de drogas; identificação precoce de comorbidades; incentivar a análise crítica das propagandas e modelos oferecidos pela mídia entre os jovens; incentivar e promover a união e continência familiar; estimular programas de prevenção nas escolas, com enfoque na prevenção afetiva e educativa (informação), em conjunto com o trabalho e orientação dos pais; auxiliar no desenvolvimento de habilidades sociais e na relação com o sexo oposto; incentivar a consciência de cidadania e responsabilidade na comunidade. Enfim, promover oportunidades para auto-realização do jovem e de seu pleno desenvolvimento, buscando a promoção de saúde global e não apenas evitando o uso de drogas.
29/10/2004
Dra. Sandra Scivoletto
Responsável pelo Ambulatório de Adolescentes e Drogas do SEPIA (Serviço de PsiquiatriaPsiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais em humanos, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e outras áreas afins.Uma doença ou problema psíquico pode ser tratado através de medicamentos ou várias formas de psicoterapia.A avaliação psiquiátrica envolve o exame do estado mental e a história clínica. Testes psicológicos, neurológicos e exames de imagem podem ser utilizados na avaliação, assim como exames físicos. Os procedimentos diagnósticos variam mas os critérios oficiais estão descritos em manuais como a CID-10 da Organização Mundial de Saúde e o DSM-IV da American Psychiatric Association. da Infância e Adolescência) do Instituto e Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Coordenadora do GREA (Grupo de Estudos sobre Álcool e Drogas) do Instituto e Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Jackeline S. Giusti
Mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica colaboradora do Ambulatório de Adolescentes e Drogas do SEPIA (Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência) do Instituto e Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.
Obtido em:
site Albert Einsten - http://200.152.193.252/alcooledrogas/atualizacoes/ac.htm
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