Fatores protetores de risco associados ao uso de drogas na adolescência

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O uso de substâncias psicoativas para alterar as percepções, os sentimentos ou o comportamento é comum entre os jovens: estudos desenvolvidos em todo o mundo indicam que 50% a 80% das crianças em idade escolar usam drogas lícitas ou ilícitas  com propósitos recreacionais.

O entendimento das características do uso entre os jovens e dos fatores de risco pode auxiliar na prevenção, principalmente da evolução do uso experimental para o quadro de abuso e/ou dependência, evitando pior prognóstico.

Adolescentes usuários de drogas apresentam maior incidência de alterações de comportamento e problemas psicológicos que os adultos, sendo que o uso mais precoce está mais associado a estas alterações (Kandel, 1982).

O uso de substâncias psicoativas afeta, diretamente, a cognição, capacidade de julgamento, humor e as relações interpessoais, áreas que, freqüentemente, já estão comprometidas mesmo na adolescência normal (Miller et al, 1991). O prejuízo na capacidade de processar novas informações, juntamente com as alterações na capacidade de concentração e retenção podem prejudicar o desempenho escolar e o desenvolvimento de várias habilidades de muitos adolescentes que fazem uso de álcool e/ou drogas (Kandel & Davies, 1996).

A adolescência é a passagem da infância para a vida adulta e um período crítico na formação da identidade e desenvolvimento da personalidade. O uso regular e a eventual dependência de álcool e drogas nesta fase pode resultar em inconsistências ou deficiências na personalidade futura (Newcomb & Bentler, 1989; Kandel et al., 1986). No processo de formação da identidade, o adolescente precisa experimentar novas atividades, novas posturas sociais e formas de se relacionar. É o resultado destas experimentações - como ele se sente, do que ele gosta e o retorno que o meio dá - que determinará se o jovem adotará ou não determinada postura, que o auxiliará na formação de sua identidade. O uso de álcool e outras drogas pode diminuir o contraste do que é bom ou ruim, distorcendo a avaliação do jovem nestas novas situações, assim como sua avaliação do retorno da sociedade. Esta distorção dificultará na determinação do que ele (a) gosta ou não, dificultando o processo de escolhas e, conseqüentemente, atrasará desde sua escolha vocacional até seu amadurecimento emocional e o treinamento de habilidades. Em muitos adolescentes e adultos dependentes de drogas foi identificado um corte no desenvolvimento, onde a maturação interrompeu-se quando se desenvolveu a dependência de substâncias psicoativas. Um dos ‘principais pontos na formação da identidade na adolescência é a individuação que, quando completada com sucesso, é caracterizada pelo auto-controle e auto-estima. Caso a maturação seja interrompida durante o processo de individuação, a personalidade resultante pode ser excessivamente dependente de fatores externos, ao invés dos internos, na determinação de comportamentos e identidade. Quanto mais cedo se inicia o consumo de substâncias, maior será a dependência de fatores externos e menor auto-estima terá o jovem. A baixa auto-estima encontrada em alguns adolescentes faz com que eles se tornem mais influenciáveis pelo grupo, no que diz respeito ao comportamento e estilo de vida (Dupre et al., 1995), o que poderia facilitar a progressão do consumo de substâncias psicoativas, perpetuando o ciclo.

O uso de drogas e álcool na adolescência também afeta o desenvolvimento de funções sociais e o estabelecimento de relações interpessoais. Os adolescentes dependentes de drogas e/ou álcool são freqüentemente afastados dos outros jovens da mesma faixa etária, assim como das normas existentes nas atividades rotineiras da adolescência (Kandel & Davies, 1996). Estas atividades, que são preparatórias para a vida adulta, incluem namorar, formar laços fortes de amizade e a participação em grupos e atividades que requerem o desenvolvimento de algumas habilidades sociais como cooperação e interdependência. Os relacionamentos estabelecidos pelos adolescentes dependentes são, muitas vezes, baseados no consumo de drogas e/ou álcool. Alguns adolescentes utilizam o álcool e as drogas inicialmente para recreação e acabam por não desenvolver outras formas de divertimento ou de descontração. Uma parte deles terá dificuldades em manter relacionamentos afetivos sem o uso destas substâncias, dificultando ainda mais o estabelecimento de laços mais fortes de relacionamento (Dupre et al., 1995). O medo do abandono é uma característica freqüente entre os adolescentes usuários de drogas: eles têm receio de fazer vínculos e, posteriormente, que estas pessoas importantes os deixem, mas relatam que "as drogas nunca os abandonam" (Scivoletto, 1997).

Por estas características do adolescente, a precocidade no início de uso tem maior influência na gravidade do quadro clínico apresentado do que o tempo total de uso de drogas (Kandel et al, 1992). Os adolescentes apresentam evolução mais rápida entre a experimentação até a dependência que os adultos (Stewart & Brown, 1995). Muitos dos riscos e conseqüências que, para os adultos, são vistos como motivadores para diminuir ou cessar o consumo de drogas, representam, para os adolescentes, oportunidades de auto-afirmação. Esta "onipotência juvenil", que faz com que o adolescente minimize os riscos e conseqüências de seus atos, associada ao imediatismo da adolescência, explicaria, em parte, o maior envolvimento com o uso de drogas em menor tempo, quando comparados com os adultos dependentes.

Na prevenção ao abuso de substâncias, os fatores de risco são características específicas que ocorrem estatisticamente mais freqüentemente para aqueles que desenvolvem problemas com álcool e outras drogas. Quanto mais fatores de risco uma criança apresenta, mais provável será que ela se engaje em abuso de substâncias e em problemas relacionados, na adolescência e como adulto jovem. Por outro lado, a promoção de fatores protetores na vida da criança pode diminuir sua vulnerabilidade para posteriores problemas sociais e de saúde (Hawkins, Catalano & Miller, 1992).É importante ressaltar que os fatores protetores não são simplesmente o oposto dos fatores de risco, sendo, muitas vezes, ações independentes. Por isso a identificação de fatores de risco e protetores é importante.

1. Fatores e protetores de risco associados ao uso de substâncias

Há um consenso de que o uso/abuso de substâncias psicoativas é multifatorial, com implicações de fatores psicológicos, biológicos e sociais. Alguns fatores normalmente citados são: curiosidade, obtenção de prazer, relaxamento das tensões psicológicas, facilitação da sociabilização, influência do grupo, isolamento social, dinâmica familiar, baixa auto-estima, manejo inapropriado da mídia na questão das drogas, influências genéticas, familiares com problemas com álcool, excessiva medicamentalização da sociedade. De uma maneira geral, pode-se dividi-los em fatores internos e externos.

A curiosidade natural dos adolescentes é um dos fatores internos de maior influência na experimentação de substâncias psicoativas. Esta curiosidade os impulsiona a experimentar novas sensações e prazeres. O jovem vive o presente, buscando realizações imediatas e os efeitos das drogas vão de encontro a esse perfil, proporcionando prazer passivo e imediato. Some-se a isso fatores externos como opinião de amigos, modelagem social (mundo adolescente como produto, reprodução do mundo adulto), fácil acesso às drogas e oportunidades de uso e se tem o ambiente propício para a experimentação de drogas.

Com relação à evolução da experimentação para o uso regular e manutenção do uso, outros fatores internos estariam mais envolvidos, tais como insegurança e sintomas depressivos (Scivoletto, 1997), os quais também poderiam se relacionar com o início do uso de drogas, já que a insatisfação pessoal, a baixa auto-estima e a própria insegurança podem aumentar a curiosidade do adolescente por novas sensações e prazeres.

Outros fatores de risco ainda associados ao plano individual, são: a falta de autocontrole e de assertividade; o fracasso escolar e a falta de vínculos na escola; comorbidades (transtorno de conduta, ansiedade, depressão, entre outras); e a própria predisposição biológica ao uso de substâncias psicoativas.

Dentre os fatores externos, o modismo é particularmente importante na adolescência (Kandel & Yamaguchi, 1993) e influenciará na escolha do próprio estilo. Nesta escolha salienta-se a pressão da turma, o desejo de pertencer a um grupo, os modelos dos ídolos e os exemplos que estes jovens tiveram dentro de casa ao longo da infância. Atualmente, o uso indiscriminado de medicamentos dão ao jovem a impressão de que, para qualquer problema, há sempre uma alternativa medicamentosa, de ação rápida, que não requer grande esforço. A maior ou menor influência destes modelos e modismos no processo de maturação do adolescente dependerá de suas características internas que, por sua vez, refletirão na forma com que este jovem consumirá a droga. Um jovem inseguro, com baixa auto-estima dará mais importância ao comportamento e atitudes dos amigos, ficando portanto, mais vulnerável às pressões externas.

A escola pode apresentar situações favoráveis ao uso de drogas, entre as quais, a falta de senso comunitário e condições pedagógicas que não atendam as dificuldades de aprendizagem, propiciando o insucesso escolar. Atitudes favoráveis ao uso de substâncias pelos funcionários da escola e pelos estudantes, regras e sanções ambíguas ou inconsistentes em relação ao uso de drogas e às demais condutas dos alunos; a disponibilidade de álcool, cigarro e outras drogas em locais próximo da escola são fatores de risco no domínio escolar.

Por outro lado, um clima escolar afetivo no qual o estudante possa contar com apoio pedagógico, parâmetros claros e consistentes e que lhe possibilitassem encontrar prazer, realização pessoal e oportunidades de participação ativa constituem fatores de proteção. O mesmo ocorre quando os professores têm altas expectativas em relação aos alunos e procuram envolve-los, com responsabilidade, nas tarefas e decisões escolares.

Fatores de risco podem estar também no domínio da comunidade e da sociedade em geral. Entre eles podemos citar as posturas favoráveis para o uso e abuso de drogas, a falta de conhecimento ou consciência do problema pela comunidade, serviços inadequados para jovens ou falta de oportunidade para envolvimento social, disponibilidade das drogas, carência de leis ou de controle sobre o uso de drogas, empobrecimento, desemprego e subemprego, discriminação e preconceito.

Quanto à família, esta pode ser um fator protetor ou de risco para o consumo de substâncias psicoativas (McKay et al., 1991). Os estudos genéticos evidenciam que filhos de pais dependentes de álcool e/ou drogas apresentam risco quatro vezes maior de se tornarem dependentes. Van Der Bree et al. (1998) demonstraram que fatores ambientais e genéticos interagem: a hereditariedade foi maior para o abuso/dependência de cocaína, estimulantes, maconha, álcool, enquanto que os fatores ambientais contribuíram mais para o uso inicial e ocasional das mesmas.

Além disso, ensinar a criança a lidar com limites e frustrações é função da família. Crianças que crescem em um ambiente com regras definidas, geralmente são mais seguras e desenvolvem recursos internos para lidar com as frustrações. Sem regras claras e bem definidas, os jovens adotam um comportamento desafiador em relação aos pais e que, posteriormente, será repetido fora do núcleo familiar. A ausência de limites claros e a carência de atitudes continentes dentro da família podem deixar o adolescente muito mais influenciável pelo seu grupo de iguais.

O consentimento ou estímulo ao uso de drogas, lícitas ou ilícitas, pela família, bem como a violência doméstica ou a manifestação de expectativas irreais de desenvolvimento para a criança ou o adolescente, além da falta de supervisão e disciplina familiar, constituem fatores de risco para o consumo indevido de drogas.

Mâsse et al. (1997) pesquisaram a relação entre as características de personalidade de crianças do Jardim da Infância e o uso de drogas na adolescência. Observou-se que personalidades com traços proeminentes de "busca de sensações" e pouco "evitadoras de danos" foram preditoras de uso precoce de substâncias na adolescência. Dessa maneira, o desenvolvimento da dependência irá depender da interação da predisposição genética, características de personalidade e dos fatores ambientais.

2. Particularidades dos fatores de risco entre os gêneros

A companhia de uso é importante influência para o início do uso de drogas (Kandel 1982; Lynskey et al. 1998). Segundo Moon et al. (1999), entre alunos do ensino fundamental, no sexo feminino, a primeira oferta para experimentar drogas ocorre com colegas do mesmo sexo, irmãs, primas, ou com o namorado, geralmente em casa de colegas. Já os adolescentes do sexo masculino iniciam o uso de drogas com colegas do mesmo sexo, irmãos, primos, ou com estranhos do sexo masculino, geralmente em locais públicos. Estes também iniciam o uso de drogas em idade mais precoce e têm maior risco de receberem ofertas para usarem drogas do que o sexo feminino.

Comportamento semelhante a este foi encontrado entre os adolescentes brasileiros em tratamento por uso de substâncias.

Entre o sexo feminino, o primeiro uso de drogas ocorreu com familiares com maior freqüência do que no sexo oposto. Somente entre as garotas foi observado o primeiro uso com o namorado. Por outro lado, somente os garotos iniciaram uso de drogas com estranhos (Giusti, 2004).

Estes dados são coerentes com outros estudos que mostram que as mulheres iniciam o uso de drogas com seus companheiros do sexo oposto (Sutker 1985). Na cultura feminina, geralmente o uso de drogas não se inicia com parceiros masculinos até que comecem a namorar; assim, o sexo feminino teria menos risco de se envolver com drogas em idades mais precoces (Moon et al. 1999). Para o sexo masculino é dada liberdade e independência em idade mais precoce do que para o sexo feminino (Wood 1997), o que facilitaria o início do uso de drogas em locais públicos e, conseqüentemente, aumentaria o risco do início do uso mais precocemente.

Uma vez dada a oportunidade, ambos os gêneros são igualmente susceptíveis ao uso de drogas (Delva et al. 1999; Van Etten & Anthony 1999). Whitmore et al. (1997) observaram que os adolescentes de ambos os sexos iniciavam o consumo regular de substância com a mesma idade e usavam a mesma quantidade de substâncias (em média 3 a 4 substâncias). Porém, os adolescentes dependentes do sexo masculino eram mais jovens quando da experimentação da primeira droga. Já as adolescentes progrediam mais rapidamente do abuso para a dependência, em comparação com o sexo oposto (Whitmore et al. 1997).

A puberdade precoce é um dos fatores de risco para o uso de substância entre o sexo feminino. As garotas que apresentam puberdade precoce têm mais chance de usar drogas do que as garotas que iniciam a puberdade mais tardiamente (CASA, 2003). Além das adolescentes evoluírem mais rapidamente do abuso a dependência de drogas, elas usam drogas por razões diferentes do sexo masculino e também são mais vulneráveis as conseqüências deste uso.

Apesar da mídia também influenciar o sexo masculino com a imagem de "masculinidade do homem de Malboro", entre o sexo feminino esta influência tem sido mais forte. O consumo de cigarro tem aumentado em maiores proporções entre as garotas do que entre os garotos da mesma idade. As adolescentes sofrem forte incentivo da mídia que tem investido mais no público feminino, tentando atraí-las ao consumo de cigarro através de idéias de controle do peso, liberdade e igualdade social (CASA, 2003). Por isso a probabilidade de usar ambos, álcool e cigarro, é maior para adolescentes do sexo feminino do que do masculino (Crisp et al. 1999; Dawes et al. 2000). Garotas de 10 a 15 anos que têm preocupação com o peso, tem 2 vezes mais chances de começar a fumar do que as garotas que não se preocupam com o peso (Field et al. 2002).

Este incentivo ao uso de substâncias lícitas leva a outras riscos. Por exemplo, as estudantes do ensino médio que fumam, têm 6 vezes mais risco do que as não fumantes de terem usado cocaína, inalantes ou outras drogas ilícitas "na vida" e 5 vezes mais risco de serem, no momento, usuárias de álcool, maconha e cocaína (Everett et al. 1998). Estudo realizado com adolescentes americanos revelou que as garotas tinham mais facilidade pata obter cocaína, crack, LSD ou heroína do que os garotos (CASA, 2003).

Semelhante ao que ocorre entre os adolescentes do sexo masculino, no sexo feminino a progressão de uma droga para outra sofre forte influência das colegas. Quanto mais as suas colegas fumam, bebem ou usam drogas, menos as garotas acreditam que estes comportamentos podem levar a uma forma mais severa de uso de drogas. As atitudes e crenças em relação a drogas variam de acordo com a idade. Por exemplo, garotas estudantes do ensino fundamental acreditam que fumar e beber são formas de desobedecer aos adultos. Durante a transição deste para o ensino médio, as garotas acreditam que beber "é legal". Na transição do ensino médio para a faculdade, acreditam que fumar ajuda a relaxar, e que beber diminui a tristeza, monotonia e a depressão (CASA, 2003).

Abuso físico ou sexual é mais freqüente entre o sexo feminino do que o masculino e está fortemente associado ao abuso de drogas entre os adolescentes. Garotas que sofreram abuso físico ou sexual tem duas vezes mais chances de fumar, beber ou usar drogas do que as adolescentes que não sofreram tais abusos. Estas adolescentes também iniciam o uso de substâncias mais precocemente e usam drogas em maior quantidade do que as adolescentes que não sofreram estes tipos de abusos (CASA, 2003).

Os programas de prevenção existentes foram desenvolvidos sem considerar as particularidades de cada gênero e tendo em mente o sexo masculino. Estes programas deveriam reconhecer, por exemplo, que as adolescentes tem maior probabilidade de serem depressivas, de terem transtornos alimentares e de sofrerem abusos físico ou sexual do que os adolescentes do sexo masculino. As garotas costumam usar drogas para melhorar seu humor, tornarem-se mais sensuais, diminuir a inibição ou perder peso. Já os garotos tendem a usar álcool e drogas pela sensação que estas causam, desinibição, para se auto-afirmar ou para melhorar seu desempenho social (CASA, 2003). A identificação destas diferenças entre os gêneros quanto aos fatores que os motivam o uso de drogas é importante para o desenvolvimento de programas de prevenção mais eficazes, principalmente para o sexo feminino.

3. Comorbidade como fator de risco para o uso de substâncias na adolescência

A presença de comorbidades está relacionada à maior gravidade do transtorno por uso de substância (TUS) (Martin et al. 1997; Lipschitz et al. 2000) e com o início precoce do uso de drogas (Burke et al. 1994; Rohde et al. 1996). Transtorno de conduta (TC), transtorno opositivo desafiante (TOD), transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno depressivo maior (TDM) e transtorno de ansiedade (TA) são as comorbidades mais freqüentemente associadas com problemas por uso de substância (Stowell; Estroff 1992; Hovens et al. 1994), e também são mais freqüentes em população de usuários de drogas quando se compara com a população não usuária (Clark et al. 1997). Entre as usuárias de drogas, também é comum o diagnóstico de transtorno alimentar (APA, 2000).

Para o sexo feminino, a insatisfação com a imagem corporal e as tentativas de controlar o peso são importantes promotores de transtorno alimentar e uso de substâncias. Entre 30 a 50 % dos indivíduos com bulimia e entre 12 e 18% daqueles com anorexia nervosa fazem uso abusivo de tabaco, álcool ou drogas ilícitas (APA, 2000) e 35 a 50% dos pacientes que fazem uso abusivo de substância também têm transtorno alimentar (Krahn, 1991). Geralmente o sexo feminino com transtorno alimentar inicia o uso de cocaína e outras substâncias como modo de controlar o peso, diminuir o apetite e aumentar o metabolismo (Hudson et al. 1992; Sansone & Sansone 1994). A preocupação com o peso também é citada como razão para não parar de fumar, entre o sexo feminino (Klesges & Meyers, 1989). Além da cocaína, estimulantes, drogas para diminuir o apetite e o cigarro, as adolescentes com transtorno alimentar também fazem uso abusivo de diuréticos e laxantes como meio de perder peso, reduzindo a retenção de líquidos rapidamente (Bulik, 1992).

Entre adolescentes em tratamento por abuso de substâncias é freqüente o diagnóstico de transtorno de ansiedade (Rohde et al. 1996). Este, quando presente, pode precipitar o início do uso de drogas, ou manter.

A depressão geralmente precede o uso de substâncias e está associada ao início precoce do uso de drogas (Rohde et al. 1996). Alguns autores defendem ainda, que a presença de transtorno de humor entre o sexo feminino é mais preditiva de uso ou abuso de substância do que o transtorno de conduta (Ensminger et al. 1982; Windle & Barnes 1988).

A presença de transtorno de humor ou ansiedade, principalmente durante a adolescência, pode ser usada para identificar grupo de risco para transtorno por uso de substância, já que ambos estão associados ao início precoce do uso de drogas.

O transtorno de conduta é o transtorno mais associado ao TUS na adolescência (Crowley & Riggs 1995), chegando a prevalências que variam de 75% (Hovens et al. 1994; Grilo et al. 1995) a 100%, dependendo do estudo (Whitmore et al. 1997). O TC também é responsável pelo início mais precoce de consumo de substâncias entre os adolescentes (Robins & McEvoy 1990; Windle 1992) e pode emergir antes ou concomitante com o início do uso de drogas, o que sugere que o TC pode ser um fator de risco para o início do uso de drogas, facilitando sua emergência (Gittelman et al. 1985; Hovens et al. 1994).

Diferenças entre os gêneros quanto à influência do TC sobre o uso de drogas é controverso. Para Robins & McEvoy (1990), não há diferença entre os gêneros quanto a influência do TC e uso de drogas. Para outros autores, o TC entre o sexo feminino proporciona maior risco para o TUS em comparação com o sexo masculino.(Lewis; Bucholtz 1991; Boyle & Offord, 1990).

Para alguns autores o TDAH não aumenta o risco para uso de substâncias (Barkley et al. 1990; Mannuzza et al. 1991). Outros ressaltam a associação deste com o transtorno de conduta. Vários estudos apontam para a associação da gravidade do TDAH e do TC com a gravidade do abuso/dependência de substâncias (Crowley & Riggs 1995; Lynskey & Fergusson 1995). A prevalência de depressão entre crianças e adolescentes com TC é mais alta (15 a 24%) (Chiles et al. 1980; Kandel et al. 1999) do que entre aquelas sem TC (2 a 8%) (Zoccolillo 1992). Esta associação de TC e TDM contribui para maior prevalência de TUS na adolescência (Greenbaum et al. 1990).

Entre adolescentes com TC, Riggs et al. (1995) observaram que a depressão contribuía para início de problemas de comportamento mais precoce, maior déficit de atenção e mais TUS.

Whitmore et al. (1997) observaram, entre os adolescentes em tratamento por TUS, que os garotos apresentavam maior prevalência de TC. Este, por sua vez, em combinação com transtorno depressivo maior (TDM) e TDAH, estava relacionado a maior gravidade do TUS. Já entre as garotas, era mais comum o TDM, relacionado com maior gravidade do TUS.

Adolescentes que apresentam sintomas depressivos, ansiosos ou problemas de comportamento devem ser cuidadosamente avaliados, pois o tratamento adequado destes sintomas poderá retardar o início do uso de substâncias ou até evitá-lo. Além disso, a identificação desta população de risco e a avaliação cuidadosa do uso de substâncias poderão identificar usuários em estágios iniciais ou que ainda não apresentam problemas relacionados ao uso de drogas.

4. Conclusão

Os principais fatores de risco relacionados com o uso de drogas são: curiosidade, obtenção de prazer, relaxamento das tensões psicológicas, facilitação da sociabilização, influência do grupo, isolamento social, dinâmica familiar, baixa auto-estima, manejo inapropriado da mídia na questão das drogas, influências genéticas, familiares com problemas com álcool, excessiva medicalização da sociedade. Entretanto, no desenvolvimento de ações preventivas, não basta apenas diminuir os fatores de risco. É necessário promover os fatores protetores, com ações positivas, tais como: oferecer oportunidades de auto-realização para os jovens; incentivar os desafios e conquistas (auto-estima); auxiliá-los a lidar com frustrações, raiva, ou seja, com emoções; incentivar vínculos com pessoas que não usam drogas; ambientes com regras claras e não tolerantes ao uso de drogas; identificação precoce de comorbidades; incentivar a análise crítica das propagandas e modelos oferecidos pela mídia entre os jovens; incentivar e promover a união e continência familiar; estimular programas de prevenção nas escolas, com enfoque na prevenção afetiva e educativa (informação), em conjunto com o trabalho e orientação dos pais; auxiliar no desenvolvimento de habilidades sociais e na relação com o sexo oposto; incentivar a consciência de cidadania e responsabilidade na comunidade. Enfim, promover oportunidades para auto-realização do jovem e de seu pleno desenvolvimento, buscando a promoção de saúde global e não apenas evitando o uso de drogas.


29/10/2004


 

 

Autor

 

Dra. Sandra Scivoletto
Responsável pelo Ambulatório de Adolescentes e Drogas do SEPIA (Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência) do Instituto e Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Coordenadora do GREA (Grupo de Estudos sobre Álcool e Drogas) do Instituto e Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

Jackeline S. Giusti
Mestre em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Médica colaboradora do Ambulatório de Adolescentes e Drogas do SEPIA (Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência) do Instituto e Departamento de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

 

Obtido em:
site Albert Einsten - http://200.152.193.252/alcooledrogas/atualizacoes/ac.htm

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Comentários

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Visitante (não verificado) on sex, 05/31/2013 - 05:16
excelente matéria
 

"Uma concepção errada que prevalece tanto na profissão médica como no público leigo é que o tratamento da dependência química invariavelmente fracassa.  ...já é ponto pacífico que o melhor tratamento é uma combinação de terapias medicamentosas e psicossociais, aplicadas as duas em doses otimizadas" Veja + em: Abstinência e dependência quimica....

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