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O médico que coordenou a maior pesquisa sobre alcoolismo já feita no mundo diz que dois drinques por dia são o limite

Lucila Soares - jornalista - matéria publicada na revista VEJA

"O álcool é mau tranqüilizante, torna pessoas infelizes ainda mais infelizes"

O estudo do alcoolismo começou para o psiquiatra americano George E Vaillant apenas como a chance de obter uma bolsa na Universidade Harvard. E virou uma paixão que já dura quase trinta de seus 65 anos. Na origem dessa paixão está a maior pesquisa já feita sobre o tema no mundo. Durante cinqüenta anos, pesquisadores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, acompanharam a vida de 600 homens para identificar as causas de um problema que atinge 10% da população mundial - ou seja, 600 milhões de pessoas. Essa empreitada monumental é o fundamento do livro A História Natural do Alcoolismo Revisitada, escrito por Vaillant com base na pesquisa, da qual foi coordenador por duas décadas. É considerada uma das obras mais importantes sobre o assunto. As histórias dessas pessoas o levaram a conclusões originais. Uma delas é que, ao contrário do que defendem muitos especialistas, não existe o gene do alcoolismo, e sim um conjunto de genes que tornam o indivíduo vulnerável à dependência de álcoolVeja dependência.. "É uma doença provocada por múltiplos fatores, um drama que envolve praticamente todas as áreas da medicina", diz Vaillant, que participou na semana passada, no Rio de Janeiro, do 13º Congresso Brasileiro de Alcoolismo.

Veja - Nesses quase trinta anos estudando o alcoolismo, qual a principal conclusão a que o senhor chegou?

Vaillant - Minha principal convicção hoje é que o alcoolismo é um problema de dimensões trágicas ainda subdimensionadas. O maior dano do alcoolismo é a destruição de famílias inteiras. Para citar um só exemplo: nos Estados Unidos, 50% de todas as crianças atendidas nos serviços psiquiátricos vêm de famílias de alcoólatras. E boa parte dos abusos cometidos contra crianças tem raiz no alcoolismo.

Veja - Há muita divergência entre especialistas na definição do que seja alcoolismo. Suas pesquisas concluem que é um sintoma ou uma doença?

Vaillant - Sem sombra de dúvida é uma doença. O alcoolismo é resultado de um cérebro que perdeu a capacidade de decidir quando começar a beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica. e quando parar. Os japoneses têm um provérbio que diz "Primeiro o homem toma uma bebida, e depois a bebida toma o homem". O indivíduo alcoólatra é alguém que perdeu a liberdade de escolha. A questão é que esse limite é muito tênue. Há muitas nuances, inclusive no diagnóstico. O ponto exato no qual o abuso que leva alguém a ser preso por dirigir alcoolizadoUm termo empregado para designar tipicamente a ação crimi­nosa de dirigir um veículo com teor alcoólico no sangue acima dos limites estabelecidos. Nos últimos anos, as leis contra dirigir alcoo­lizado têm sido freqüentemente ampliadas e aplicadas também para “dirigir drogado” ou “dirigir intoxicado”, geralmente proibindo dirigir com qualquer traço de certas drogas específicas na corrente sanguínea.*Sinonímia: dirigir embriagado; dirigir bêbado; dirigir intoxicado; dirigir sob a influência do álcool[A legislação em vigor no Brasil (LEI Nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 - Institui o Código de Trânsito Brasileiro). estabelece o limite legal para se dirigir em 0,06% (ou seja, 6 decigramas de etanol por litro de sangue). O artigo 165 da referida Lei estabelece:“Dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica.Infração - gravíssima;Penalidade - multa (cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir;Medida administrativa - retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de habilitação.Parágrafo único. A embriaguez também poderá ser apurada na forma do art. 277.”Como parte da estratégia de redução de danos, existe uma tendência mundial no sentido de reduzir cada vez mais esse limite, que, em algumas jurisdições, já é zero, ou seja, um motorista é passível de sanções penais se dirigir com o mínimo vestígio detectável de álcool no sangue.]. merece o rótulo de alcoolismo é tão incerto quanto o limite entre o amarelo e o verde no espectro de cores.

Veja - Em relação à herança genética, o que se conclui a partir do acompanhamento dessas 600 pessoas? Existe o gene do alcoolismo?

Vaillant - Não é tão simples. O alcoolismo, como as demais doenças Doença (do latim dolentia, padecimento) é uma condição anormal de um organismo que interfere nas funções corporais e está associada a sintomas específicos. Pode ser causada por fatores externos, como outros organismos (infecção), ou por desfunções ou malfunções internas, como as doenças autoimunes. A patologia é a ciência que estuda as doenças e procura entendê-las.Resulta da consciência da perda da homeostasia de um organismo vivo, total ou parcial, estado este que pode cursar devido a infecção, inflamação, isquémias, modificações genéticas, sequelas de trauma, hemorragias, neoplasias ou disfunções orgânicas. Distingue-se da enfermidade, que é a alteração danosa do organismo.O dano patológico pode ser estrutural ou funcional. O médico faz a História clínica e examina o paciente a procura de sinal (médico) e sintomas que definem a síndrome da doença, solicita os exame complementar conforme suas hipótese diagnóstica, visando chegar a um diagnóstico.O passo seguinte é indicar um tratamento. psiquiátricas, é determinado por um conjunto de fatores genéticos e condições sociais. Há muitos genes que permitem a alguns indivíduos beber mais que outros sem se sentir mal, sem ter dor de cabeça, sem se tornar viciados. E há muitos outros que contribuem para o alcoolismo. Se seus pais e avós forem alcoólatras, esse é um sinal de alerta. Você deve usar álcool com muito cuidado, porque sua predisposição genética é mais forte que a de um filho de pais não alcoólatras. Mas, se não houver um fato que desencadeie a doença, a pessoa pode passar a vida toda sem ter problemas com álcool. O importante é que a carga genética não equivale a uma condenação ao alcoolismo, assim como ser filho de músicos não transforma ninguém em violinista. Na pesquisa isolamos um grupo de 398 pessoas, das quais 72 desenvolveram dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a neces­sidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psico­ativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoo­lismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “depen­dência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (depen­dência de drogas, dependência química, dependência do uso de subs­tância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicá­veis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a depen­dência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orien­tação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de absti­nência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tole­rância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomato­logia física (neuroadaptação). de álcool. Entre os 178 indivíduos sem nenhum parente com história de abuso de bebida, apenas dezoito se tornaram dependentes. E, no universo das 71 pessoas que tinham quatro ou mais parentes nessa situação, 25 se tornaram alcoólatras. É uma diferença expressiva, que mostra a influência genética. No entanto, mesmo nesse segundo caso, a maior parte das pessoas não desenvolveu abuso de álcool.

Veja - Existem traços de personalidade que permitem prever um futuro alcoólatra?

Vaillant - Isso é uma tremenda bobagem. A idéia de uma personalidade alcoólica é uma visão que só se sustenta retrospectivamente. Quando se acompanha um indivíduo desde a infância, como no nosso estudo, fica claro que não é possível detectar numa criança ou num pré-adolescente traço algum que permita antever que eles se tornarão alcoólatras. Alcoolismo cria distúrbios de personalidade, mas distúrbios de personalidade não levam necessariamente ao alcoolismo.

Veja - Essas opiniões não são compartilhadas por boa parte dos especialistas no tema mundo afora.

Vaillant - Mas esses especialistas não têm como voltar no tempo para estudar seus pacientes antes que eles se tornassem alcoólatras. Todo mundo que fez estudos prospectivos concorda comigo. Isso acontece porque, como o alcoolismo é uma doença crônica que afeta o sistema nervoso central, o relato de suas vítimas é freqüentemente pouco confiável. A melhor maneira de ter a história real é acompanhando o indivíduo desde antes do surgimento da doença.

Veja - Qual a diferença entre alcoolismo e outras dependências?

Vaillant - A principal diferença diz respeito ao tipo de drogaUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos.. Opiáceos são tranqüilizantes. Pessoas infelizes sentem-se melhor com esse tipo de droga. Mas o álcool é um mau tranqüilizante. Ele tende a fazer as pessoas infelizes ficarem mais infelizes. Álcool piora a depressão. A pequena euforia que caracteriza o pilequinho é sintoma do início da depressão do sistema nervoso central. A autocensura some momentaneamente, dando uma sensação de bem-estar. Entretanto o resultado final é um indivíduo mais infeliz.

Veja - Culturalmente o álcool é associado a alegria e festas. Isso não acaba estimulando o consumo excessivo de bebida?

Vaillant - A associação de bebida a festas é ancestral, e ela em si não é nociva. Mas seria bom que a embriaguezVeja intoxicação.[Estado transitório de intoxicação aguda (F1x.0), que segue a ingestão de drogas ou álcool, e que resulta na mudança de padrões das funções e das respostas fisiológicas e psicológicas,com comprometimento da consciência e do controle do comportamento.] fosse encarada como algo grotesco. Não associá-la a alegria e diversão faria muita diferença. Nossa cultura está começando a achar que o cigarro é ruim. No entanto continuamos achando que ficar bêbado numa festa é divertido. E as autoridades não estão tão preocupadas com essa mudança de mentalidade como estão em relação ao cigarro. Já existe a preocupação de não associar fumo a bom desempenho em esportes, por exemplo. Em relação ao álcool, nenhuma medida efetiva vem sendo tomada. Só que, do ponto de vista da sociedade, o álcool é um problema muito grave. O indivíduo alcoólatra provoca acidentes de trânsito e sofre de problemas de fígado. Porém o maior mal é que ele provoca problemas graves a sua volta, a começar por sua família.

Veja - Em que medida uma pessoa que bebe regularmente está sob o risco de tornar-se alcoólatra?

Vaillant - É um pouco como perguntar se quem dirige regularmente está mais propenso a acidente de trânsito. As únicas pessoas que estão sob o risco de alcoolismo são as que bebem regularmente. Mas, se você nunca passar de dois drinques por dia, pode usufruir socialmente da bebida em festas, casamentos, Carnaval e nunca se tornar alcoólatra.

Veja - Dois drinques são a medida?

Vaillant - Se você é uma mulher pequena, um drinque e meio. Um homem corpulento como Churchill (Winston Churchill, ex-primeiro-ministro da Grã- Bretanha) pode chegar a quatro, sem problema. Mas, se não quiser complicação, dois drinques como os que servem num bar. Não como os que você se serve em casa. Dois do tamanho daqueles pelos quais você paga. Quem habitualmente toma mais do que isso já está emitindo sinal de problema. Provavelmente em seguida vai tentar controlar a quantidade de álcool mudando de bebida. Passar do destilado para o fermentado, por exemplo. Também vai começar a prometer beber menos - e não conseguir cumprir - e a sentir-se culpado por coisas ditas ou feitas quando estava sob o efeito do álcool. Esses quatro pontos são sinais de alarme.

Veja - O que a família de um alcoólatra pode fazer para ajudá-lo?

Vaillant - Há pouco a fazer. Mas uma coisa é essencial. Não se deve tentar proteger alguém de seu alcoolismo. Se uma mulher encontra seu marido caído no chão, desmaiado sobre seu próprio vômitoÊmese, é a expulsão ativa do conteúdo estômago pela boca. O vômito é ao mesmo tempo um sinal e um sintoma bastante desagradável que pode assustar muito a pessoa atingida. Pode ocorrer nas doenças do labirinto, nas intoxicação, nas obstrução intestinal e como resposta do organismo a dores muito intensas., não deve dar banho e levá-lo para a cama. O único caminho para sair do alcoolismo é descobrir que o álcool é seu inimigo. Proteger uma pessoa nessa situação não ajuda. Não é papel da família tentar convencer o alcoólatra de que o álcool é um grande mal para ele. Na verdade, nessa situação a família precisa de ajuda. E deve procurar o Al-AnonVeja grupo de ajuda mútua; grupo dos 12 passos., a divisão dos Alcoólicos Anônimos voltada ao apoio a famílias de alcoólatras. É muito doloroso conviver com uma pessoa nessa situação. Conviver e conversar com quem tem o mesmo problema é essencial.

Veja - Abstinência é realmente o único caminho para livrar-se do alcoolismo ou uma pessoa que foi alcoólatra pode beber socialmente?

Vaillant - Uma pessoa alcoólatra até pode beber socialmente. Da mesma maneira que um carro pode andar sem estepe. Ou seja, é uma situação precária e um acidente é questão de tempo. Num horizonte de seis meses, muitos alcoólatras conseguem manter seu consumo de álcool dentro de padrões socialmente aceitos. Mas, se observarmos um intervalo maior de tempo, como dez anos, vamos verificar que a tendência é ir aumentando gradualmente o consumo até voltar ao padrão alcoólico. Em períodos mais longos, normalmente só quem pára de beber não sucumbe ao vício. Das 600 pessoas que acompanhamos, 200 tornaram-se alcoólatras. Destas, oitenta têm uma recuperaçãoA manutenção de qualquer forma de abstinência de álcool e/ou de drogas. O termo é particularmente associado com os grupos de ajuda mútua; entre os Alcóolicos Anônimos (AA) e outros grupos dos doze passos refere-se ao processo de atingir e manter a sobrie­dade. Posto que a recuperação é vista como um processo que dura toda a vida, um membro do AA é sempre visto internamente como um alcoólico “em recuperação”, embora o termo alcoólico “recuperado” possa ser usado fora do grupo. estável, sendo que 75 conseguiram isso pela abstinência e apenas cinco bebem socialmente. Das 120 restantes, oitenta morreram de doenças provocadas pelo álcool. E quarenta continuam bebendo de maneira alcoólatra. Elas têm uma relação com o álcool parecida com a de Elizabeth Taylor com a comida. Ela consegue emagrecer à custa de internações em spas e outros tratamentos. Ninguém pode dizer que ela é enorme de gorda. Mas ninguém pode dizer também que ela tem uma relação normal e saudável com a comida.

Veja - Que papel as drogas antiabuso têm no tratamento do alcoolismo?

Vaillant - Na década de 30, descobriu-se uma substânciaVeja droga psicoativa. chamada disulfiram (princípio ativo do remédio vendido no Brasil como Anti-etanolVeja álcool.), que provoca um tremendo mal-estar quando misturada com álcool. O problema é que, depois de algum tempo, o sujeito prefere deixar de tomar o remédio a parar de beber. Em 1995, uma outra substância, a naltrexona, foi saudada como a pílula antialcoolismo. Ela já era usada no tratamento de viciados em heroínaVeja opióide. e tem um bom efeito em muitos pacientes, que dizem ter perdido a vontade de beber ou ter reduzido muito a quantidade de álcool ingerido. Essa substância é vendida no Brasil com o nome de Revia, e ainda não tem seu efeito estudado a longo prazo. Mas, em linhas gerais, o que se pode dizer é que drogasDrogas podem funcionar como apoio por no máximo um ano. O problema é que é muito difícil tirar algo de alguém sem oferecer alternativas de comportamento. Usar essas drogas equivale a tirar o brinquedo de uma criança e não dar nada no lugar.

Veja - Qual sua avaliação sobre os Alcoólicos Anônimos?

Vaillant - Como terapia, é parecida com as terapias behavioristas, que pretendem obter uma determinada mudança de comportamento. A diferença é que é um tratamento muito barato, e que dura para sempre. Além disso, tem um componente espiritual importante. Terapias ajudam a não beber, mas os Alcoólicos Anônimos dão ao indivíduo um círculo de amigos sóbrios. Dizem que é preciso ficar abstêmio, mas lhe dão significados, amigos, espiritualidade. É o melhor tratamento que temos.

Veja - As estatísticas confirmam isso?

Vaillant - É muito difícil ter estatísticas precisas. O que sabemos é que cerca de 40% das abstinências estáveis são intermediadas pelos Alcoólicos Anônimos. E os 60% restantes passam por fatores sobre os quais não temos conhecimento algum. A respeito disso há um caso interessante. O doutor Griffith Edwards, um dos maiores especialistas do mundo em alcoolismo, ministrou tratamentos distintos a dois grupos de pacientes. No primeiro, aplicou o que existia de mais moderno, tanto em termos de terapia quanto de medicamento. No segundo, fez acompanhamento terapêutico mensal. Ao final de um ano, os resultados foram muito parecidos.

Veja - Qual o caso mais impressionante de recuperação que o senhor encontrou ao longo de todos esses anos?

Vaillant - Foi o de um homem que sustentava seu alcoolismo com a prostituição, relacionando-se tanto com mulheres quanto com homens. Tinha chegado a um ponto de degradação que se protegia do frio cobrindo o corpo com folhas. Por intermédio dos Alcoólicos Anônimos, ele se recuperou depois de uma longa batalha e tornou-se o sóbrio e feliz dono de uma transportadora de móveis, capaz de carregar um piano sozinho. Ele também é um bom exemplo de como é difícil detectar com precisão o que leva alguém a se tornar alcoólatra. Sua mãe morreu quando era muito pequeno, e foi criado por tias. A conseqüência direta dessa perda em sua vida foi que ele se tornou violento. Sintomaticamente, só tinha problemas com a polícia em aniversários da morte da mãe. Mas, isoladamente, essa história não explica o desenvolvimento do alcoolismo.

Veja - O senhor bebe?

Vaillant - Bebo socialmente, e sempre às refeições. Não dispenso um ótimo vinho francês.

Veja - O senhor tem cinco filhos. Como lidou com a bebida na educação deles?

Vaillant - Todos eles foram autorizados a tomar vinho nas refeições desde os 10 anos de idade. Hoje são adultos e bebem socialmente, sem nenhum problema.


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Comentários

Minha experiência com a abstenção do alcool

Senhores(as) Faz aproximadamente 01 ano que não bebo mais , antigamente eu bebia muito , dava muito trabalho para minha familia , até que decidi que era hora de para de beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica. , mas eu não tinha escolha , pois sofria muito com a abstinênciaA abstenção do uso de droga ou (particularmente) de bebidas alcoólicas, por questão de princípio ou por outras razões.Quem pratica a abstinência de álcool é chamado de “abstêmio” ou “abstêmio total”. A expressão “atualmente abstinente”, freqüentementeempregada em inquéritos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio.O termo “abstinência” não deve ser confundido com “síndrome de abstinência” ( Deve-se, no entanto, diferenciar “abstêmio” (pessoa que não bebe ou não usa drogas) de “abstinente” (pessoa que presentemente não está bebendo, que não está usando drogas).Veja também: sobriedade; temperança. , sempre tinha que tomar "uma" para não passar mal .A partir deste ponto procurei ajuda profissional , fui numa psiquiatra muito conceituada em MG e ela ministrou um tratamento de "choque" tomei várias injeções , muitos calmantes e etc... no final das contas funcionou , atualmente tomo antietanol diáriamente , eu parei de beber... Admito que não sou o mesmo "cara" de antes , admito até que não sou tão feliz como antes , mas agora sou um homen de respeito e não faço mais vexames para os outros ficarem zombando de min... Quando estamos embriagados várias pessoas usam disso para nos mal-tratar e humilhar, o segredo é não dar motivo para essas pessoas , e a única maneira é parando definitivamente de beber, nada de redizir , tem que parar mesmo ...e para todos há uma esperança ,pois se eu que era um cachaceiro , um etilista inveterado , que vivia caído por ai consegui ,qualquer pessoa consegue ...e nada de acharem que isso acontece pq se é pobre ou sem estudo ...isso é uma desculpa barata para motivar a beber , eu sou formado em Engenharia mecânica , ganho e sempre ganhei muito bem , sempre tive posses , e mesmo assim caí nesse vicio maldito. O GRANDE SEGREDO É PENSAR NASVeja teor alcoólico no sangue. PESSOAS QUE NOS AMAM , E PENSAR SE ELAS MERECEM PASSAR O QUE ESTÃO PASSANDO POR NOSSA CAUSA.... E continuo no tratamento ...Abraços a todos ... essa é a minha experiência...

Depender de Deus

Amigo, você não beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica. é uma virtude. Mas também não precisa ser tão chato. Todos dependemos de Deus. Sem demagogia, por favor. (por que evangélicos são tão fanáticos ? - gente chata demais) assinado - bebedor moderado

preciso do livro de vaillant

Como faço para conseguir esse livro?

por favor se alguem tiver avisem!

no email:gelrios_fsa@hotmail.com

Álcool um vicio perturbador

  1. Oi gostaria de compartilhar com todos os leitores desta matéria o quanto eu fiquei satisfeita com ela,sou estudante universitária desde o meu primeiro dia na faculdade tinha em mente que queria fazer algo que pudesse ajudar as pessoas a se tratarem desse viçio que destroi tantas famílias que acaba destruindo não só aqueles que fazem uso do álcool mais todos que estão ao seu redor e que sofrem junto com ele que vendo aquelas pessoas que amam se definharem aos poucos sem perceberem o tamanho da gravidade do problema, fico extremamente indignada quando vejo as pessoas sendo manipuladas pelo álcool, isso mesmo, por que não são eles que as manipulam e se o álcool e que parece mandar em suas vidas e elas não se dão conta disso, acham que não precisam de ajudar quando vêem cair em si as vezes já e tarde de mais.Tenho exemplo todos os dias disto tanto em meu trabalho como no meu cotidiano famílias inteiras sendo degradadas pelo esse viçio terrível o álcool é uma drogaUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habi­tual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. de facil acesso,baixo custo e de um poder incrível de destruição e de viçio, por favor vamos nós mobilizar,vamos fazer algo para tertarmos ajudar essas pessoas tentar conciêntiza-los estou buscando todo tipo de ajuda possível estou me preparando para fazer minha TCC e quero muito fazer sobre esse tema.

Bebidas!!!?

Já faz algum tempo que venho fazendo o uso de bebidas mais somente agora passei por uma situação constrangedora, tudo aconteceu na sexta-feira 13 de maio de 2011 estava em um choppinho com alguns amigos e meu carro ficou sem bateria por motivo do uso do som, logo depois passou uma amigo que fez uma ligação e meu carro funcionou, quando fui saindo fui abordado pela policia que foi dizendo que eu havia feito algumas manobras radicais e por isso estava preso! Agora apareceu a questão, como poderia ter sido eu se eu estava sem bateria? Foi assim que percebi que os policias vendo que eu estava embriagado usou essa historia para fazer a apreensão e resolvi assumir a bebida como minha inimiga pois passei tanta vergonha.

Obrigado pela materia e pelo espaço para trocar-mos experiencias....

BEBIDAS

O ALCOÓLATRA COMEÇA ASSIM DE GOLE EM GOLE,SE FOSSE BOM BEBERIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica. NÃO TERIA TANTAS TRAGÉDIAS POR CAUSA DA BEBIDA, E4U PESSOALMENTE NÃO DEPENDO DELA PARA VIVER DEPENDO SOMENTE DE DEUS, ESSE SIM E O MEU VICIO.

Apenas uma observação

Otimo que não tenha problemas com álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um nume­roso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consu­mida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos poten­cialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxi­cação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decor­rentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuro­patia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica.. Mas deixe de ser chato. E não tome o seu santo nome em vão.

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Abstinência e dependência quimica

"Uma concepção errada que prevalece tanto na profissão médica como no público leigo é que o tratamento da dependência química invariavelmente fracassa.

Nada mais longe da verdade, o tratamento da abstinência é eficaz e seguro, embora a melhora seja variável...

...já é ponto pacífico que o melhor tratamento é uma combinação de terapias medicamentosas e psicossociais, aplicadas as duas em doses otimizadas" >> Continuar...


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