Uma importante reflexão de Manoel T. Berlinck sobre o uso socialVeja beber social. da maconha, extensão do seu artigo "Ipanema e a clínicaClínica médica, no Brasil, também conhecida como Medicina Interna e Clínica geral, é a especialidade médica que trata de pacientes adultos, atuando principalmente em ambiente hospitalar. Inclui o estudo das doenças de adultos, não cirúrgicas, não obstétricas e não ginecológicas, sendo a especialidade médica a partir da qual se diferenciaram todas as outras como Cardiologia e Pneumologia.No Brasil, o especialista em Clínica médica deve cumprir, além do curso de Medicina, dois anos de Residência médica.Em Portugal, trata-se de um termo actualmente a cair em desuso. Em sua substituição, surgiu a Especialidade de Medicina Geral e Familiar, mais abrangente e de natureza diferente. Psicanalítica", aparecido na Revista Latino-americana de Psicopatologia Fundamental.
Esta associação, entre maconha e melancolia é muito interessante e precisa ser explorada com cuidado e delicadeza.
No caso descrito pelo antropólogo Eduardo Galvão, entretanto, (que não tem nada a ver com Frei Galvão, santo brasileiro a respeito do qual já escreveu Durval Mazzei Nogueira Filho, num artigo luminoso publicado na Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental) a Panema é um estado causado por severas proibições. As transgressões a essas proibições são Panema. Por exemplo, comer peixe limpo e preparado por mulher grávida é Panema.
Ipanema seria, então, um estado sem pecado, sem proibições, como bem observou Chico Buarque ("Não há pecado do lado de baixo do Equador"). Mas, também, sem mania, acrescento. Pois a mania é a impossibilidade de reconhecer o estado de melancolia que nos afeta.
Quanto à maconha, penso que seu efeito é oposto ao da cocaínaUm alcalóide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou sintetizado a partir da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odontologia, oftalmologia e cirurgias de ouvido, nariz e garganta, dada a sua forte ação vasoconstritora que ajuda a reduzir as hemorragias locais.A cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado sem indicação terapêutica para produzir euforia ou “ligação”; o uso repetido produz dependência. A cocaína ou “coca” é geralmente vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó (“farinha” ou “pó”), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais. O pó é aspirado (“cheirado” ou “cafungado”) e produz efeitos imediatos (entre 1 a 3 minutos de latência) que duram em torno de 30 minutos.A cocaína pode ser ingerida oralmente, geralmente com álcool; os usuários de opióides e cocaína combinados geralmente os injetam por via intravenosa. Alguns elementos alcalinos (freebase) são utilizados para aumentar a potência da cocaína pela extração do alcalóide puro através da inalação dos vapores em cigarros ou narguilé (cachimbo de água). Uma solução aquosa de sal de cocaína é misturada com um álcali (como bicarbonato de sódio) e o extrato é obtido através de um solvente orgânico como o éter ou o hexano. O procedimento é perigoso uma vez que a mistura é explosiva e altamente inflamável. Um procedimento mais simplificado que evita o uso de solventes orgânicos consiste em aquecer o sal de cocaína com bicarbonato de sódio; isto produz o crack.O crack ou “pedra” é uma cocaína alcaloidal (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. É um composto de coloração bege. Crack refere-se ao som de estalido provocado quando o composto é aquecido. Um efeito intenso ocorre de 4 a 6 segundos após a inalação do crack. Um sentimento de exaltação e de desaparecimento de ansiedade é vivenciado, junto com um exagerado sentimento de confiança e auto-estima. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem se preocupar com as conseqüências.A fala fica acelerada e pode se tornar desconexa e incoerente. Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5 a 7 minutos, depois do que o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como uma síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sonolência e inércia.Podem ocorrer reações tóxicas agudas tanto no consumidor de cocaína principiante quanto no inveterado. Essas reações incluem delirium semelhante ao pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnóide), arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte. Outras seqüelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranóides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. “Luzes na neve” (snow lights) é o termo usado para descrever alucinações ou ilusões que lembram o brilho do sol nos cristais de neve. Foram descritos efeitos teratogênicos, incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros. Os transtornos por uso de cocaína estão entre os transtornos por uso de substâncias psicoativas incluídas na CID-10 (classificadas em F14). ou da anfetaminaUma classe das aminas simpatomiméticas com poderosa ação estimulante do sistema nervoso central. Esta classe inclui a anfetamina, a dexanfetamina e a metanfetamina. Outras drogas farmacologicamente relacionadas incluem o metilfenidato, a fenmetrazina e a anfepramona (dietilpropiona). Em linguagem de rua, as anfetaminas são freqüentemente referidas como “bolinhas” (Br.).Os sinais e sintomas sugestivos de intoxicação por anfetaminas ou outros simpatomiméticos de ação semelhante incluem taquicardia, dilatação pupilar, aumento da pressão arterial, hiperreflexia, sudorese, calafrios, anorexia, náusea ou vômito, e comportamentos anormais, tais como agressividade, grandiosidade, hipervigilância, agitação e perturbação do juízo crítico. Em raros casos pode-se desenvolver um delirium a menos de 24 horas da ingestão. O uso crônico em geral induz alterações da personalidade e do comportamento tais como impulsividade, agressividade, irritabilidade, desconfiança e psicose paranóide (veja psicose anfetamínica). A interrupção da ingestão após uso prolongado ou intenso pode produzir uma reação de abstinência, com humor deprimido, fadiga, hiperfagia, transtornos do sono e aumento dos sonhos.Atualmente, a prescrição de anfetaminas e de substâncias similares está limitada principalmente ao tratamento da narcolepsia e do transtorno de hiperatividade por déficit de atenção. Não é recomendado o uso dessas substâncias como agentes anorexígenos no tratamento da obesidade.Veja também:estimulantes; transtorno psicótico induzido por álcool ou droga., que são drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. maníacas. Neste sentido, é possível dizer que a maconha coloca o sujeito num estado melancólico.
Penso, porém, que a maconha estimula um estado esquizo, uma certa fragmentação do ego sem ser acompanhado, necessariamente, pela paranóia, que freqüentemente acompanha esses estados de fragmentação. A maconha aumenta a sensibilidade, reduz o contato com o chamado "superego" e possibilita viagem "livre-associativa".
Li, uma vez, num livro chamado Pato lógico, de M.D. Magno, a seguinte observação, que vai aqui parafraseada: o tratamento (psicanalítico) do alcoolismo só começa quando o psicanalista perguntar ao paciente: "a quem você está dando de beberIngestão de bebida; especificamente, neste contexto, uso de bebida alcoólica.?"
Não tenho dados epidemiológicos sobre o consumo dessas drogasDrogas. Mas, minha hipótese é que a maconha é consumida predominantemente pela população pobre de regiões "atrasadas", de cidades relativamente pequenas, como o Norte e o Nordeste e a cocaína e anfetamina são consumidas pela população das grandes metrópoles. Mas, para contradizer minha hipótese, há o guaraná, droga estimulanteCom referência ao sistema nervoso central, qualquer agente que ative, acentue ou aumente a atividade neural; também chamado de psicoestimulante. Compreende as anfetaminas, a cocaína, a cafeína e outras xantinas, a nicotina, e os supressores do apetite sintéticos tais como a fenmetrazina e o metilfenidato. Outras drogas têm ações estimulantes, que, entretanto, não são seus efeitos primários mas que podem se manifestar em altas doses ou após o uso crônico; estas incluem os antidepressivos, os anticolinérgicos, e certos opióides.Os estimulantes podem dar origem a sintomas sugestivos de intoxicação, incluindo taquicardia, dilatação pupilar, aumento da pressão sanguínea, hiperreflexia, sudorese, calafrios, náusea e vômitos, e um comportamento anormal como beligerância, grandiosidade, hipervigilância, agitação e perturbação do juízo crítico. O uso crônico em geral leva a alterações de personalidade e do comportamento tais como impulsividade, agressividade, irritabilidade e desconfiança. Pode ocorrer uma psicose delirante plena. A interrupção da ingestão após períodos de consumo prolongado ou elevado pode produzir uma síndrome de abstinência, com humor deprimido, fadiga, alterações do sono e aumento de sonhos.Na CID-10, os transtornos mentais e comportamentais decorrentes do uso de estimulantes são subdivididos em: devidos ao uso de cocaína (F14) e devidos ao uso de outros estimulantes, inclusive a cafeína (F15), entre os quais destacam-se a psicose anfetamínica e a psicose devida à cocaína.Veja também:transtorno psicótico induzido por álcool ou droga., maníaca, costumeiramente consumida na região Amazônica. Há quem diga, também, que a maconha é droga geral e irrestrita no Brasil.
Em 1962-64 trabalhei com um antropólogo norte-americano da Califórnia, que realizava uma pesquisa sobre hábitos de consumo de bebidas alcoólicas. Vindo dos EUA, ele me dizia que o brasileiro bebia muito pouco. Mas, que não nos iludíssemos. Em 20 anos, os brasileiros seriam tão consumidores de bebidas alcoólicas como os norte-americanos. O álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica. é droga melancólica. Você viu o ma-ra-vi-lho-so filme sobre Vinicius de Moraes? Saí do cinema liquidado, principalmente porque acompanhei Vinicius durante um certo período de minha vida. E vi o filme desde uma outra posição. Vinicius (como Tom Jobim, [...] e outros) era muito, mas muito melancólico. Era, também, muito maníaco. Vinicius tinha duas manias, nesta ordem: whisky e mulher. Sem essas duas drogas, Vinicius ficava catatônico.
O que não víamos, na época, eram as outras drogas - maconha, cocaína, anfetamina. Hoje, é possível adquirir qualquer droga, a preços módicos, via Internet. Elas são entregues no local solicitado. Todos vocês - como eu - recebem, quase que diariamente, ofertas de drogas via Internet, em oferta. Recebo mais ofertas disso do que de bebidas alcoólicas. A venda de drogas pela Internet é um problema grave para o tráfico em favelas. O traficante favelado vai ter que se plugar. Ou cair fora. Há, aí, um problema de logística que quero ver traficante resolver.
O Brasil mudou! Está muito mais complexamente drogado!
O mais eficiente mecanismo sócio-cultural antidrogas, no Brasil, não é a polícia. São as Igrejas Evangélicas. Elas restauram a auto-estima e organizam o ego da população pobre e da pequena classe média.
Asseguram uma estabilidade familiar, permitem o emprego estável e o reconhecimento institucional como recurso estruturante. Além disso, permitem e até estimulam o erotismo.
O combate à toxicomaniaUm termo de origem francesa para designar a dependência de drogas. só é eficaz através de mudança de grupo de pertinência. Não há psicoterapia, nem remédio, nem AAAs, que tirem nequinho do alcoolismo. Ele só deixa a bebida se mudar de grupo. As Igrejas Evangélicas oferecem essa oportunidade para os alcoolistas e outros drogaditos.
Você já foi ao infernal subúrbio de Sampa, ou do Rio (a chamada ZN)? Lá só tem uma alternativa: a birosca, o botequim miserável onde rola cachaça e cerveja. Junte isso com altíssimas taxas de desemprego, falta de perspectivas e baixíssima auto-estima. Resultado? Melancolia e drogadição.
Neste sentido, há uma forte dimensão política no movimento evangélico no Brasil. Não é por acaso que se criou um partido político controlado pelo bispo [...]. Não é por acaso que o Garotinho e a Rosinha têm forte base política no Rio e em outros estados da União, onde o fundamentalismo evangélico cresce.
Acredito que, nos anos vindouros, a grande polarização política no Brasil e na América Latina será entre o populismo lulista e o fundamentalismo evangélico. A social-democracia tucana só terá chance se oferecer ao povão àquilo que, até agora, não conseguiu oferecer. A social-democracia tucana é eminentemente elitista. Oferece um estado de bem-estar resultante de gestão eficiente, reconhecimento de certos privilégios que são completamente estranhos ao povão como, por exemplo, ciência e tecnologia, alta cultura, educação superior etc. O povão não sabe o que é isso. O povão quer comer, quer sair da bebedeira, quer emprego, quer auto-estima. A Lula é tão forte (acredito que será re-eleito com boa vantagem, especialmente se o seu concorrente for o Alkimin) porque ele é o retrato do bem-sucedido, aos olhos do povão. E ele sabe disso. Ele aposta no voto dos pobres, ele fala pros pobres. Ele está cagando e andando para a população da Zona Sul, como ele mesmo disse, num discurso da semana passada. Ele toma umas e outras. Mas nada grave (por enquanto, pelo menos). O povão não sabe o que é taxa de juros, o que é FMI. O povão quer comida, emprego e, principalmente, auto-estima. Essa sensação de ser esquecido, marginal, ignorado, abandonado é muito dura. E os tucanos, pobres tucanos, não sabem como lidar com isso. Acreditam na eficiência administrativa. Mas isso é pouco.
Então, o horizonte é o de uma polarização entre populismo esquerdista - Lula, Chaves, Kishner, o cocaleiro boliviano, o uruguaio - e o fundamentalismo evangélico. A social-democracia tucana, com sua arrogância elitista, vai ocupar um terceiro lugar, que, se bem administrado, poderá, até, lhe proporcionar o poder. Assim é a democracia.
Manoel Berlinck
Enquanto que a cocaína cria realmente uma espécie de mania artificial, parece-me que o álcool não origina mania nem melancolia, mas apenas permite que as emoções se manifestem, livres do peso que o autocontrole nos exige. O bêbado chora quando fica triste, e canta, grita e abraça todo mundo quando fica alegre. Sendo o álcool ansiolítico, funciona inibindo o autocontrole e a repressão sem bloquear o afeto.
Já a maconha parece produzir um real desligamento, não apenas afetivo mas também perceptivo e cognitivo, e o que pode parecer melancolia talvez seja apenas indiferença contemplativa. Na antiga Índia, a utilização do bhang (preparado de CannabisUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva., como a maconha ou o haxixeVeja cânabis.), com o propósito de facilitar a introspecção e a meditação, era bem aceita pela casta dos Brahmins ou brâmanes. Esta casta, uma aristocracia moral e espiritual, não via com bons olhos o uso do álcool, considerado como liberador das paixões e dos instintos inferiores. Já com os guerreiros ou Kshatriyas, que representavam a autoridade e o poder temporal, ocorria o oposto. De maneira semelhante à atitude das sociedades ocidentais, eles desprezavam o bhang e faziam uso do daru, uma bebida de alto teor alcoólicoVeja alcoolista.. Essa atitude dos brâmanes era semelhante à dos muçulmanos. Nas sociedades competitivas, não admira que o problema esteja nos estimulantes como a cocaína e as anfetaminas, que são as drogas que se usam em cavalos de corrida e em disputas esportivas. A cafeínaUma xantina, que é um estimulante leve do sistema nervoso central, um vasodilatador e um diurético. A cafeína é encontrada no café, chá chocolate, guaraná, coca cola e outros refrigerantes, em alguns casos juntamente com outras xantinas tais como a teofilina ou a teobromina. Denomina-se cafeinismo o uso excessivo crônico ou agudo (por exemplo, o consumo diário de 500 mg ou mais) com uma conseqüente toxicidade. Os sintomas incluem inquietação, insônia, rubor facial, contrações musculares, taquicardia, perturbações gastrintestinais incluindo dores abdominais, tensão, pensamento e fala acelerados e desorganizados e, algumas vezes, exacerbação de uma ansiedade pré-existente ou estados de pânico, depressão ou esquizofrenia. Os transtornos por uso de substâncias da CID-10 incluem os transtornos causados pelo uso e a dependência de cafeína (classificadas em F15). estimula apenas a cognição, sem euforia. O álcool não estimula nem dá coragem diretamente, mas tira o medo e a ansiedadeAnsiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc.. Não é à toa que o tema constante de Vinícius era o não ter medo da paixão:
Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai
Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não
Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão
Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer
Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão
Você que lê e não sabe
Você que reza e não crê
Você que entra e não cabe
Você vai ter que viver
Na tonga da mironga do kabuletê
Você que fuma e não traga
E que não paga pra ver
Vou lhe rogar uma praga
Eu vou é mandar você
Pra tonga da mironga do kabuletê
Cláudio Lyra Bastos
Cláudio, A maconha chegou ao Brasil no século XVI com os primeiros negreiros e os primeiros escravos africanos. A escravidão já era praticada na África há muitos séculos e os escravagistas de lá haviam aprendido que as pessoas só aceitam ser escravos devidamente maconhados. Devidamente maconhados, as pessoas tendem a aceitar qualquer indignidade. Olhe à sua volta, repare. Desde então, no Brasil nunca mais faltou maconha nas senzalas nem nas cadeias. Quando falta, tem revolta na certa. Ainda que, pelo menos até agora, nunca tivesse constado formalmente da pauta de negociações com os "homi". Para mim e nestas circunstâncias, o adjetivo desmotivador é eufemístico. Julgo melhor desumanizador, brutificador ou algo assim.
Luis Salvador
É verdade, mestre. Mas o mesmo efeito de dissociação e indiferença pode ser usado para diversos fins, dependendo do contexto e das circunstâncias. Para um brâmane poderia servir para desligar o espírito das coisas mundanas e elevar a alma; para um hashishin, serviria para diminuir o apego à vida e auxiliá-lo a cumprir a sua missão; para um preso ou um escravo, ajudaria a esquecer o seu infortúnio. Cláudio Lyra Bastos
É, Cláudio, é um ponto de vista. Mas presume a suposição de que estaria sendo usada intencionalmente para isto ou aquilo. Não é?
Luis Salvador
O álcool, as anfetaminas, etc. podem desencadear manias sintomáticas ou secundárias com características próximas das manias ditas periódicas ou bipolares. Na embriagues simples, afora a excitação intelectual e motora, a loquacidade e a perda do controleUma incapacidade para modular a quantidade e a freqüência do uso de substâncias psicoativas. A incapacidade de interromper a ingestão de substâncias como o álcool e a cocaína, uma vez experimentado seus efeitos iniciais. Em discussões mais recentes sobre o síndrome de dependência, a expressão “perda do controle” foi substituída por “controle prejudicado”. de si, nota-se uma sensação de tristeza ou euforia. E na embriagues mais grave, a exaltação do humor é cada vez maior. Por outro lado, ninguém se droga para mergulhar na melancolia.
Na POLB de Maio 2005, apresentei a tradução de um trabalho de Erick Jean-Daniel SINGAYNY, intitulado « O toxicômano teria perdido a dimensão do sagrado? Envio somente uma passagem que relata, de maneira admirável, a experiência do toxicômano: «A droga viria modificar os estados da consciência, abrir a porta aos espaços psíquicos vividos como dilatados, ao mergulho transpessoal («estados não ordinários da consciência» segundo Grof, 1996) geralmente incontrolados e perigosos. O doente toxicômano é então atingido na sua própria sagração, ele é de « maneira anormal encadeado no fundo dele mesmo» (Palem, 1997). O que ele encontrou nisso, quando o acolhemos, é bastante contraditório porque o tratamento que lhe propomos, mesmo que seja o mais « acolhedor», só faz «cortar» à parte da « razão» que é a dele na medida em que seu mal é uma «contradição» (Hegel) no meio da razão.
Um poeta do Século XIX, Gérard de Nerval, mostrou-nos esta extraordinária contradição: « Eu vou tentar transcrever as impressões de uma longa doença que se desenrolou inteiramente nos mistérios de meu espírito ; e eu não sei porque me sirvo deste termo doença, porque nunca, no que me diz respeito, sinto-me tão bem. Às vezes, eu pensava que a minha força e a minha atividade duplicavam; parecia-me tudo saber, tudo compreender; a imaginação trazia-me delícias infinitas. Ao recobrar o que os homens chamam razão, devo lastimar tê-la perdida?» (p.695). E mais adiante: « A partir do momento em que este ponto me deu a certeza de que eu estava submisso às provas da iniciação sagrada, uma força invisível entrou no meu espírito».
Eliezer de Hollanda Cordeiro
Psiquiatra e Psicanalista brasileiro, residente na França
Obtido em: Psichiatry on line brazil - Fevereiro 2006 vol 11 nº2
http://www.polbr.med.br/ano06/lbp0206.php#2
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