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Uso

Vínculo frágil com a substânciaVeja droga psicoativa. que permite a manutenção de outras relações.

É possível usar moderadamente certas substâncias sem abusar delas. Assim, no caso dos medicamentos, o uso correto tem a ver com a dosagem adequada, além da indicação de um remédio apropriado por um médico.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso de drogas deve ser classificado em:

Uso na vida: quando a pessoa fez uso de qualquer droga pelo menos uma vez na vida;

Uso no ano: quando a pessoa utilizou drogas pelo menos uma vez nos últimos doze meses;

Uso no mês ou recente: quando a pessoa utilizou drogas pelo menos uma vez nos últimos trinta dias;

Quanto ao padrão de uso de drogas, a OMS define os seguintes tipos:

Uso de risco: padrão de uso ocasional, repetido e persistente, que implica em alto risco de danos futuros à saúde física ou mentalSaúde mental é um termo usado para descrever um nível de qualidade de vida cognição ou emoção ou a ausência de uma doença mental. Na perspectiva da psicologia positiva ou do holismo, a saúde mental pode incluir a capacidade de um indivíduo de apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as actividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica. A Organização Mundial de Saúde afirma que não existe definição"oficial"de saúde mental. Diferenças culturais, julgamentos subjectivos, e teorias relacionadas concorrentes afectam o modo como a"saúde mental"é definida. http://www.who.int/whr/2001/chapter1/en/index.html, World Health Organization, 2001 do usuário, mas que ainda não resultou em significantes efeitos mórbidos orgânicos ou psicológicos;

Uso prejudicial: padrão de uso que já cause dano físico e/ou mental à saúde.

Uso indevido

Quando se fala em uso indevido de drogas, pressupõe-se que haja algum tipo de uso que seja devido, "tanto na acepção de legítimo, uso que é de direito, como no sentido de benéfico ou proveitoso."

"Não se pode jamais esquecer que a questão das drogas, especialmente como se coloca nos dias de hoje, é eminentemente sociocultural. A taça de champanha com que se brindam bodas, aniversários, Natal e Ano Novo, o chope ou o vin d'honneur são usos devidos de drogas em nossa cultura. Programas de prevenção que ignorem tais realidades certamente perdem credibilidade, pela ambigüidade da mensagem." (Domingos Bernardo, 1994)

Ver também uso e abuso.

Uso ritual

O uso ritual de substâncias psicotrópicas é aquele onde o consumo, geralmente de alucinógenos, é realizado dentro de um controle coletivo codificado em normas simbólicas, semelhante ao ato cerimonial. Esse controle coletivo pode se dar tanto dentro de culturas indígenas e camponesas, quanto no contexto mais próximo das grandes metrópoles.

No primeiro caso, indígena e camponês, o uso ritual geralmente está associado a uma experiência místico-religiosa em que os indivíduos desenvolvem regras de contato com as entidades divinas nas quais acreditam. Temos o exemplo do xamanismo, muito comum em povos nativos da América Latina onde um membro da tribo, tido como portador de capacidades especiais, ingere altas doses de tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nico­tina.Veja também:nicotina; fumar passivo. mascado e através disso atua como interlocutor humano diante da autoridade transcendental ou divina. Aqui o controle é feito basicamente pelos enquadramentos simbólicos que são dados aos efeitos de alucinação provocados pela substância; todas as imagens evocadas pelo xamã são interpretadas em função dos mitos, da realidade e dos anseios daquela tribo. De modo semelhante, o culto do Santo Daime também é uma prática ritual, onde o chá de ayahuasca é empregado por um grupo, orientado por um "mestre", para ter acesso a uma experiência mística. Assim, nesses dois momentos, o uso ritual utiliza o psicotrópico (especificamente o alucinógeno) como um meio de alcançar uma suposta transcendência na qual a coletividade está inclusa como beneficiária.

No segundo caso, do contexto urbano, o uso ritual já assume algumas diferenciações. Nele, a substância (alucinógena, mas também estimulanteCom referência ao sistema nervoso central, qualquer agente que ative, acentue ou aumente a atividade neural; também chamado de psicoestimulante. Compreende as anfetaminas, a cocaína, a cafeína e outras xantinas, a nicotina, e os supressores do apetite sintéticos tais como a fenmetrazina e o metilfenidato. Outras drogas têm ações estimulantes, que, entretanto, não são seus efeitos primários mas que podem se manifestar em altas doses ou após o uso crônico; estas incluem os antidepressivos, os anticolinérgicos, e certos opióides.Os estimulantes podem dar origem a sintomas sugestivos de into­xicação, incluindo taquicardia, dilatação pupilar, aumento da pressão sanguínea, hiperreflexia, sudorese, calafrios, náusea e vômitos, e um comportamento anormal como beligerância, grandiosidade, hipervi­gilância, agitação e perturbação do juízo crítico. O uso crônico em geral leva a alterações de personalidade e do comportamento tais como impulsividade, agressividade, irritabilidade e desconfiança. Pode ocorrer uma psicose delirante plena. A interrupção da ingestão após períodos de consumo prolongado ou elevado pode produzir uma síndrome de abstinência, com humor deprimido, fadiga, alterações do sono e aumento de sonhos.Na CID-10, os transtornos mentais e comportamentais decor­rentes do uso de estimulantes são subdivididos em: devidos ao uso de cocaína (F14) e devidos ao uso de outros estimulantes, inclusive a cafeína (F15), entre os quais destacam-se a psicose anfetamínica e a psicose devida à cocaína.Veja também:transtorno psicótico induzido por álcool ou droga. e depressora) na maioria das vezes não é vista como um veículo para transcendência mística. O consumo não deixa de ocorrer dentro de uma prática grupal, organizada e controlada por um sistema simbólico, mas os objetivos são definidos por questões mais circunscritas aos indivíduos isoladamente. Assim, o que se tem é um ritual de uso, no qual podem ser inseridos o compartilhar de seringas e a alternância de um mesmo cigarro de maconha no interior dos grupos. A forma de se fumar, aspirar ou aplicar a substância, os gestos e olhares são elementos que compõem o ritual do uso controlado.

Numa perspectiva formal, ambos os rituais têm em comum o controle coletivo e codificado, diferenciando-se no que tange às aspirações definidas pelas realidades específicas. De qualquer maneira, existem nuances que não permitem uma visão fixa e fechada das diversas modalidades rituais. O que se procurou fazer aqui foi um breve mosaico desse tema tão amplo e complexo.

Usuário

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda a seguinte classificação para as pessoas que utilizam substâncias psicoativas:

Não-usuário: nunca utilizou;

Usuário leve: utilizou drogas, mas no último mês o consumo não foi diário ou semanal;

Usuário moderado: utilizou drogas semanalmente, mas não diariamente no último mês;

Usuário pesado: utilizou drogas diariamente no último mês.

Segundo considerações de saúde pública, sociais e educacionais, uma publicação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) distingue entre quatro tipos de usuários:

Usuário experimental ou experimentador: limita-se a experimentar uma ou várias drogas, por diversos motivos, como curiosidade, desejo de novas experiências, pressão de grupo etc. Na grande maioria dos casos, o contato com drogas não passa das primeiras experiências.

Usuário ocasional: utiliza um ou vários produtos, de vez em quando, se o ambiente for favorável e a droga disponível. Não há dependência, nem ruptura das relações afetivas, profissionais e sociais.

Usuário habitual ou "funcional": faz uso freqüente de drogas. Em suas relações já se observam sinais de ruptura. Mesmo assim, ainda "funciona" socialmente, embora de forma precária e correndo riscos de dependência.

Usuário dependente ou "disfuncional" (dependente, toxicômano, drogadito, farmacodependente, dependente químico): vive pela droga e para a droga, quase que exclusivamente. Como conseqüência, rompe os seus vínculos sociais, o que provoca isolamento e marginalização, acompanhados eventualmente de decadência física e moral.


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Abstinência e dependência quimica

"Uma concepção errada que prevalece tanto na profissão médica como no público leigo é que o tratamento da dependência química invariavelmente fracassa.

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...já é ponto pacífico que o melhor tratamento é uma combinação de terapias medicamentosas e psicossociais, aplicadas as duas em doses otimizadas" >> Continuar...


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