- Introdução
- Definição
- Epidemiologia
- Aspectos Clínicos
- Etiologia
- Psicopatologia
- Fisiopatologia e Efeitos Físicos Adversos
- Potencial Terapêutico
- Tratamento Agudo
- Tratamento do Uso Crônico
- Tratamento Hospitalar
- Tratamento Ambulatorial
- Referências
Introdução
CannabisUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva. sativa é uma planta do cânhamo da Índia conhecida por sua utilização para fins medicinais desde o século III a.C. na China. O cannabis (maconha) é uma mistura variada das folhas, sementes, talos e florescências da planta; tem sido usada recreativamente em todo o mundo; e, recentemente, está sendo desenvolvida para ser mais potente. O Delta-9-tetrahidrocannabinol (THCTetrahidrocannabinol. Veja cânabis.), um dos 60 canabinóides, foi identificado como o principal constituinte psicoativo da cannabis, que pode conter 0,1 a 10 porcento de delta-9-THC (Tumer, 1980). Os preparados de haxixeVeja cânabis. consistem da resina da planta cannabis e contêm uma percentagem mais alta de delta-9-THC. O abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de substância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persistente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga). de cannabis nos Estados Unidos teve seu auge nasVeja teor alcoólico no sangue. décadas de 60 e 70; há controvérsias em relação a seus riscos médicos e psicológicos.
Definição
Três transtornos orgânicos relacionados à cannabis são classificados no DSR-III-R: I) intoxicaçãoUma situação conseqüente à administração de uma substância psicoativa e que resulta em perturbações do nível da consciência, da cognição, da percepção, do juízo crítico, do afeto, do comportamento ou de outras funções e reações psicofisiológicas. As perturbações estão relacionadas com a substância através dos efeitos farmacológicos agudos e das reações aprendidas relativos à substância e desaparecem completamente com o tempo, exceto quando houver surgido lesões teciduais ou outras complicações. O termo é mais comumente utilizado em relação ao uso de álcool; seu equivalente da linguagem diária é “embriaguez”. A intoxicação pelo álcool manifesta-se por rubor facial, fala empastada, marcha instável, euforia, hiperatividade, volubilidade, perturbação da conduta, diminuição do tempo de reação, juízo crítico perturbado, descoordenação motora, insensibilidade ou estupor.A intoxicação aguda depende muito do tipo e da dose da droga e é influenciada pelo nível individual de tolerância e por outros fatores. Muitas vezes uma droga é consumida exatamente para se conseguir um grau desejado de intoxicação. A expressão comportamental de um determinado grau de intoxicação é fortemente influenciada pelas expectativas culturais e pessoais acerca dos efeitos da droga.Intoxicação aguda é o termo empregado na CID-10 para designar uma intoxicação com importância clínica (F1x 0). As complicações podem incluir traumatismos, aspiração do vômito, delirium, coma e convulsões, dependendo da substância e do método de administração.A intoxicação habitual (ou embriaguez habitual), expressão usada basicamente em relação ao álcool, designa um padrão regular ou recorrente de beber até à intoxicação. Tal padrão às vezes é considerado como um delito, independentemente de episódios isolados de intoxicação.Outros termos gerais para intoxicação ou intoxicado incluem: embriaguez, embriagado, estar alto, bêbado.Veja também:bebedor de rua; intoxicação. por cannabis, 2) deliriumUma síndrome orgânica cerebral aguda caracterizada por perturbações concomitantes da consciência, da atenção, da percepção, da orientação, do pensamento, da memória, do comportamento psicomotor, das emoções e do ciclo sono-vigília. A duração é variável, de poucas horas a poucas semanas e a gravidade varia de leve até muito grave. A síndrome de abstinência induzida pela retirada do álcool com delirium é conhecida como delirium tremens. por cannabis, e 3) transtorno delirante por cannabis. As definições de abuso e dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoolismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “dependência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicáveis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tolerância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação). de cannabis seguem as definições de outras substâncias psicoativas (ver Tabelas 1 a 3). A dependência de cannabis é uma nova categoria no DSM-III-R e resulta da recente ampliação da definição de dependência de substância psicoativa para incluir padrões de problemas psicossociais.
Relatos de casos de sintomas de abstinênciaA abstenção do uso de droga ou (particularmente) de bebidas alcoólicas, por questão de princípio ou por outras razões.Quem pratica a abstinência de álcool é chamado de “abstêmio” ou “abstêmio total”. A expressão “atualmente abstinente”, freqüentementeempregada em inquéritos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio.O termo “abstinência” não deve ser confundido com “síndrome de abstinência” ( Deve-se, no entanto, diferenciar “abstêmio” (pessoa que não bebe ou não usa drogas) de “abstinente” (pessoa que presentemente não está bebendo, que não está usando drogas).Veja também: sobriedade; temperança. em usuários crônicos de altas doses têm incluído ansiedadeAnsiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc., disforia, insônia, anorexiaAnorexia é a sensação diminuída de apetite.Na maioria dos casos, os estudos científicos focam seus estudos na anorexia nervosa.Nem sempre, contudo, a anorexia pode ser explicada por transtornos de ordem alimentar.A Anorexia também pode ter causas que não remetem, necessariamente a um distúrbio., tremores e sudorese, mas não se desenvolve qualquer tipo de síndrome estereotipada e não há uma categoria específica no DSM-III-R para a abstinência de cannabis ( Mendelson et al., 1984). Fatores específicos associados com o abuso de cannabis têm sido uso diário, uso de grandes quantidades e comportamento problemático.
Epidemiologia
Em 1979, mais de 50 milhões de pessoas, nos Estados Unidos da América, haviam usado cannabis pelo menos uma vez. ÁlcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica., tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nicotina.Veja também:nicotina; fumar passivo. e cannabis são as substâncias de abuso mais freqüente entre adolescentes. Adolescentes e adultos jovens são os grupos etários onde o abuso de cannabis é mais prevalente e os fatores de risco para esses períodos têm sido estudados extensivamente. Uma pesquisa da NIDA (EUA) de 1982 revelou que 21 porcento dos adolescentes, 40 porcento de adultos jovens de 18 a 25 anos e apenas 10 porcento de adultos mais velhos haviam experimentado cannabis (NIDA, 1983). É geralmente reconhecido que o uso de cannabis entre adolescentes teve seu auge no final da década de 70 e, possivelmente devido à menor aprovação do grupo de companheiros iguais, o uso regular de cannabis caiu de 51 porcento para 42 porcento entre 1979 e 1983. O uso diário de cannabis caiu de 10,2 porcento em 1978 para 5 porcento em 1984. O uso regular de cannabis tinha uma taxa de desaprovação entre adolescentes de 83 porcento em 1983.
Esta boa notícia precisa ser contrabalançada por um recente aumento do uso de drogas mais pesadas, incluindo cocaínaUm alcalóide obtido das folhas de coca (Erythroxylon coca) ou sintetizado a partir da ecgonina ou de seus derivados. O hidrocloreto de cocaína era comumente usado como anestésico local em odontologia, oftalmologia e cirurgias de ouvido, nariz e garganta, dada a sua forte ação vasoconstritora que ajuda a reduzir as hemorragias locais.A cocaína é um poderoso estimulante do sistema nervoso central, usado sem indicação terapêutica para produzir euforia ou “ligação”; o uso repetido produz dependência. A cocaína ou “coca” é geralmente vendida como cristais brancos e translúcidos, ou em pó (“farinha” ou “pó”), freqüentemente adulterada com açúcares ou anestésicos locais. O pó é aspirado (“cheirado” ou “cafungado”) e produz efeitos imediatos (entre 1 a 3 minutos de latência) que duram em torno de 30 minutos.A cocaína pode ser ingerida oralmente, geralmente com álcool; os usuários de opióides e cocaína combinados geralmente os injetam por via intravenosa. Alguns elementos alcalinos (freebase) são utilizados para aumentar a potência da cocaína pela extração do alcalóide puro através da inalação dos vapores em cigarros ou narguilé (cachimbo de água). Uma solução aquosa de sal de cocaína é misturada com um álcali (como bicarbonato de sódio) e o extrato é obtido através de um solvente orgânico como o éter ou o hexano. O procedimento é perigoso uma vez que a mistura é explosiva e altamente inflamável. Um procedimento mais simplificado que evita o uso de solventes orgânicos consiste em aquecer o sal de cocaína com bicarbonato de sódio; isto produz o crack.O crack ou “pedra” é uma cocaína alcaloidal (básica), um composto amorfo que pode conter cristais de cloreto de sódio. É um composto de coloração bege. Crack refere-se ao som de estalido provocado quando o composto é aquecido. Um efeito intenso ocorre de 4 a 6 segundos após a inalação do crack. Um sentimento de exaltação e de desaparecimento de ansiedade é vivenciado, junto com um exagerado sentimento de confiança e auto-estima. Há também uma perturbação do juízo crítico e o usuário tende a cometer atos irresponsáveis, ilegais ou perigosos, sem se preocupar com as conseqüências.A fala fica acelerada e pode se tornar desconexa e incoerente. Os efeitos agradáveis terminam em torno de 5 a 7 minutos, depois do que o humor rapidamente muda para depressão e o consumidor é compelido a repetir o processo de forma a recuperar a euforia do ápice. A superdose parece ser mais freqüente com o crack que com outras formas de cocaína.A interrupção do uso contínuo de cocaína é geralmente seguida por uma crise que pode ser vista como uma síndrome de abstinência, na qual a exaltação dá lugar à apreensão, depressão profunda, sonolência e inércia.Podem ocorrer reações tóxicas agudas tanto no consumidor de cocaína principiante quanto no inveterado. Essas reações incluem delirium semelhante ao pânico, hiperpirexia, hipertensão (algumas vezes com hemorragia subdural ou subaracnóide), arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, colapso cardiovascular, convulsões, estado de mal epiléptico e morte. Outras seqüelas neuropsiquiátricas incluem uma síndrome psicótica com delírios paranóides, alucinações visuais e auditivas e idéias de auto-referência. “Luzes na neve” (snow lights) é o termo usado para descrever alucinações ou ilusões que lembram o brilho do sol nos cristais de neve. Foram descritos efeitos teratogênicos, incluindo anormalidades do trato urinário e deformidade dos membros. Os transtornos por uso de cocaína estão entre os transtornos por uso de substâncias psicoativas incluídas na CID-10 (classificadas em F14).. A cocaína estava se tomando mais aceitável entre os jovens no início da década de 80, provavelmente refletindo a aceitação pela população em geral. Esforços para a prevenção têm se focalizado ao nível da escola secundária, embora os fatores de risco na latência e no nível do primeiro grau precisem ser reconhecidos. Infelizmente, o uso de cannabis ainda é um ritual de passagem para a idade adulta para muitos adolescentes. Embora a cannabis ainda seja facilmente conseguida, os distribuidores de drogas podem estar promovendo substâncias mais lucrativas. Basicamente, os adolescentes podem estar achando que os efeitos neuropsicológicos principais da cannabis não conduzem ao estilo orientado para o sucesso da década de 80.
Aspectos Clínicos
O pico da intoxicação da cannabis, quando fumada, geralmente ocorre após 10 a 30 minutos, quando os níveis de delta-9-THC são máximos. Altamente lipossolúvel, o delta-9-THC e os metabólitos tendem a acumular-se nas células adiposas e têm uma meia-vida de aproximadamente 50 horas. A maioria dos cigarros de cannabis, "baseados", contêm 5 a 20 mg de delta-9-THC (Jaffe, 1980). A intoxicação dura geralmente de 2 a 4 horas, dependendo da dose; entretanto, o prejuízo comportamental e psicomotor pode continuar por várias horas após. A ingestão oral de cannabis produz um início de intoxicação mais lento (45 a 60 minutos) e efeitos psicoativos mais poderosos.
A interação de droga e setting de uso parece ter uma influência considerável sobre os efeitos psicoativos da droga. Usuários inexperientes ou de primeira vez podem não experimentar uma alteração marcada no estado subjetivo, a "excitação" mesmo que fumem corretamente ( Weil et al., 1968). Os fumantes de cannabis podem ter que aprender a apreciar os efeitos psicoativos sutis associados com a intoxicação. Os fumantes crônicos, ao contrário, podem aprender a suprimir respostas comportamentais indesejáveis com exposição a longo prazo. A intoxicação geralmente envolve achados fisiológicos, comportamentais, subjetivos e neuropsicológicos característicos.
A intoxicação pode produzir muitos psicoativos subjetivos que fazem a experiência do "alto" ser buscada repetidamente ( Halikas et al., 1971). Os usuários experimentam sensação de lentificação do tempo; apetite aumentado; sede aumentada; um senso mais aguçado de cor, som, padrão, texturas e gostos; euforia; introspecção intensificada; capacidade de absorver-se em experiências sensuais; sentimentos de relaxamento e flutuação; e autoconfiança aumentada. Outros sintomas subjetivos incluem aumento do desejo sexualA saúde sexual refere-se às áreas da medicina envolvidas com a reprodução humana e comportamento sexual, as doenças sexualmente transmissíveis, os métodos contraceptivos, anticoncepcionais, entre outros., ilusões transitórias, alucinações e aumento da sensibilidade interpessoal. Conjuntivite (olhos vermelhos), odor forte, pupilas dilatadas, taquicardiaTaquicardiaé um termo médico utilizado para designar um aumento da freqüência cardíaca. Convenciona-se como freqüência normal no ser humano uma freqüência coração entre 60 e 100 batimentos por minuto. A partir de 100, inclusive, considera-se que há taquicardia.Uma das formas de se classificar a taquicardiaé quanto ao mecanismo que a origina.
A taquicardia pode ser devida a variações normais do funcionamento do organismo, neste caso chamada deTaquicardia fisiológica, ou devida a alguma doença, neste casoTaquicardia patológica. , boca secaAxerostomia(também conhecida comoboca secaousecura da boca) é um sintoma relacionado à falta de saliva.A xerostomia pode causar dificuldade em falar e comer. Também pode levar à halitose (mau hálito) e aumento dramático de cáries dentárias, já que o efeito de proteção da saliva não está presente, e também pode fazer com que a mucosa da boca se torne mais vulnerável a infecções. e tosseAtosseé uma contração espasmo, repentina e freqüentemente repetitiva da cavidade torácica, resultando em uma violenta liberação de ar dos pulmões, e geralmente acompanhada por um som característico.A tosse é uma ação que o corpo toma para se livrar das substâncias (poeiras, bactérias, vírus, fungos e outras substâncias danosas) que estão irritando as passagens de ar na faringe, laringe, traquéia ou pulmões. Uma tosse geralmente é iniciada para limpar uma formação de fleuma (muco) na traquéia; o ar pode se mover nesta passagem a até 480 km/h (300 mph) durante a contração. A tosse também pode ser desencadeada por uma porção de comida descendo pela traquéia ao invés do esôfago, devido a uma falha da epiglote, embora isso possa resultar, no entanto, em um engasgo. A tosse crônica (ou freqüente) geralmente indica a presença de uma doença. A menos que o paciente não seja um fumante e tenha um raio-X peitoral normal, a causa da tosse crônica em 93% de todos os pacientes é devido à asma, doença do refluxo gastroesofágico ou gotejamento pós-nasal (secreção do nariz indo na direção dos pulmões). Outras causas da tosse crônica incluem bronquite crônica e medicamentos como os IECA. A tosse pode ocorrer voluntariamente assim como involuntariamente, neste caso sendo um mecanismo de reflexo.Tossir durante uma injeção pode diminuir a dor da penetração da agulha causada por um repentino aumento na pressão do peito e canal espinal, inibindo as estruturas condutoras de dores da medula espinhal.http://health.msn.com/menshealth/articlepage.aspx?cp-documentid=100119940>1=7538 são sinais físicos de uso recente.
Efeitos adversos como ansiedade, depressão e paranóia leves são infreqüentemente tratados em um setting médico e geralmente não são um impedimento a um novo uso. O comportamento pode ser marcado por passividade e sedação ou hiperatividade com hilaridade marcada. Inúmeros estudos têm descrito alterações e déficits neuropsicológicos na intoxicação por cannabis, embora os efeitos possam ser amplamente variáveis. Têm sido encontradas diminuições no tempo de reação complexa e nas tarefas de memória de códigos, formação de conceito, memória, discriminação de forma tátil, função motora, estimativa de tempo e na capacidade de rastrear informações com o passar do tempo ( Clark e Nakashima, 1986); Melges, 1976; Klonoff et al., 1973). Psicose, desrealização e agressividade têm sido descritas como ocorrendo raramente. Weller e Halikas (1985) acompanharam 97 usuários regulares de cannabis durante um período de 5 a 6 anos. O uso contínuo estava associado com uma diminuição nos efeitos prazerosos. Os efeitos indesejáveis persistiriam, mas foram encontradas diminuições na taquicardia, boca seca e sensação de estar "aéreo". Numerosos estudos têm demonstrado que a intoxicação por cannabis prejudica a tarefa de conduzir automóveis, aviões e outras atividades práticas complexas através do prejuízo no período de tempo de atenção, coordenação motora e percepção em profundidade por até 10 horas ou mais após o uso.
Na escola, trabalho ou qualquer situação na qual seja necessária uma mente que pense claramente, a cannabis tem efeitos prejudiciais. Mesmo após os efeitos de intoxicação aguda(F1x.0)Veja intoxicação. terem passado, uma "ressacaUm estado pós-intoxicação que inclui os efeitos imediatamente posteriores à ingestão de bebidas alcoólicas em excesso: Os componentes não-etílicos das bebidas podem estar envolvidos em sua etiologia. Os aspectos físicos podem incluir fadiga, cefaléia, sede, vertigem, transtornos gástricos, náusea, vômitos, insônia, tremores finos das mãos e pressão arterial elevada ou diminuída. Os sintomas psicológicos incluem ansiedade aguda, culpa, depressão, irritabilidade e sensibilidade aumentada. A quantidade de álcool necessária para produzir ressaca varia com a condição mental e física do indivíduo, embora geralmente quanto mais alto o teor alcoólico no sangue durante o período de intoxicação, mais intensos os sintomas subseqüentes. Os sintomas também variam com a atitude social. Usualmente, a ressaca não dura mais que 36 horas depois que todos os traços da bebida deixaram o organismo.Alguns dos sintomas da ressaca são similares aos da síndrome de abstinência do álcool, mas o termo ressaca é reservado usualmente aos efeitos posteriores a um episódio único de beber e não implica, necessariamente, nenhum outro transtorno por uso de álcool." matinal pode interferir no funcionamento. A capacidade de falar coerentemente, formar conceitos, concentrar-se e transferir material da memória imediata para a de longo prazo fica prejudicada. Estudos eletroencefalográficos têm revelado achados inconsistentes tanto de diminuição como de aumento nos padrões de ritmo alfa (Low et al., 1973). Sintomas mais leves de ansiedade, confusão, medo e dependência aumentada podem progredir para pânico e sintomatologia paranóide e reações depressivas. Personalidade, experiência passada com a droga e setting podem alterar a experiência dramaticamente, embora doses mais elevadas de delta-9-THC aumentarem a chance de reações tóxicas.
Psicose tóxica aguda induzida por delta-9-THC tem sido descrita nos que usam pela primeira vez e em usuários crônicos e pode incluir características mentais orgânicas ou persistir com uma consciência clara ( Talbott e Teague, 1969; Weil, 1970; Spencer, 1970). A psicose pode apresentar-se subitamente com sintomas scheneiderianos de primeira linha, agitação e amnésiaPerda ou perturbação da memória (completa ou parcial, permanente ou temporária), atribuível tanto a causas orgânicas como a psicológicas. A amnésia anterógrada é a perda da memória de duração variável para eventos e vivências subseqüentes a um incidente causal, após a recuperação da consciência. A amnésia retrógada é a perda da memória de duração variável para eventos e vivências que precederam um incidente causal. para eventos da intoxicação. Thacore e Sukla (1976) descobriram que quando comparada com a esquizofrenia paranóide, a psicose por cannabis é caracterizada por agitação, violência, fuga de idéias e menor distúrbio de pensamento. Episódios psicóticos prolongados podem anunciar a presença de psicopatologia residual. A cannabis pode precipitar flashbacksVeja revivescências. ou experiências psicóticas de experiências passadas com psicodélicos ou cannabis.
Diversos autores têm alertado sobre o uso de cannabis em transtornos psiquiátricos preexistentes. Treffert (1978) identificou a cannabis como a variável independente associada com psicose em esquizofrênicos anteriormente bem controlados com o passar do tempo. Melges (1976) propôs que a ideação paranóide induzida pela cannabis pode ser um produto da perda de seqüência de informações sobre o ambiente, o que faz com que idéias paranóides preencham as lacunas, a fim de diminuir a ameaça de perda do controleUma incapacidade para modular a quantidade e a freqüência do uso de substâncias psicoativas. A incapacidade de interromper a ingestão de substâncias como o álcool e a cocaína, uma vez experimentado seus efeitos iniciais. Em discussões mais recentes sobre o síndrome de dependência, a expressão “perda do controle” foi substituída por “controle prejudicado”.. Este processo pode ser ampliado com a esquizofrenia.
O diagnóstico diferencial de psicose por cannabis e esquizofrenia pode ser difícil, entretanto a avaliação da história passada, testes urinários e a natureza de curta duração dos sintomas tóxicos geralmente ajudam a fazer o diagnóstico. Millman e Sbriglio (1986) sugerem que atribuindo seus sintomas ao abuso de cannabis, alguns esquizofrênicos podem distanciar-se da doença subjacente. Em resumo, deveria ser especialmente aconselhado cautela no uso de cannabis a indivíduos propensos à doença psicótica.
Etiologia
Os estudos sobre a etiologia do abuso de cannabis tendem a focalizar-se em problemas do desenvolvimento do adolescente e não encontraram fatores generalizáveis simples. Os estudos longitudinais de Kandel (1975) da progressão do uso de drogas revelaram que o uso de bebidas alcoólicas e cigarros por adolescentes está associado com as taxas mais elevadas de futuro abuso de cannabis. A ordem da associação temporal entre álcool e cannabis pode ser mais forte do que entre tabaco e cannabis. O uso da cannabis foi um passo chave em direção a outras drogas ilícitas e a progressão para drogas mais pesadas estava diretamente relacionada à intensidade do uso de cannabis. Recentemente, os adolescentes dirigem-se cada vez mais para a cocaína sem o uso extensivo de cannabis. A experimentação da cannabis pode não ter produzido os efeitos adversos anunciados e os adolescentes podem ficar menos temerosos de experimentar outras drogas. A cannabis introduz o jovem às subculturas das drogas e diminui a inibição para o uso de outras drogas. O uso de drogas pelo grupo de companheiros iguais, uso de substâncias pelos pais, e a baixa monitorização parental são fatores de risco para o abuso de cannabis. A delinqüência é um fator de risco para o abuso de cannabis e outras substâncias; entretanto, a identificação do fumante de cannabis é geralmente mais com outros usuários da droga do que com delinqüentes. O abuso de cannabis que geralmente começa na escola de primeiro grau. Dificuldade ou aborrecimento na escola podem contribuir para o uso de cannabis com amigos como uma alternativa social.
O reconhecimento de que é um mito que a adolescência é uma "psicose de tempo limitado" tem dado lugar, recentemente, ao reconhecimento de que para a maioria dos adolescentes este não é um período de marcada turbulência ou rejeição parental. Rebeldia, depressão, desempenho escolar deficiente e atitudes auto-destrutivas podem ser um sinal de um transtorno subjacente. A depressão em fumantes de cannabis pode ser um outro fator de risco para a progressão para outras drogas. Alguns adolescentes podem usar cannabis para evitar a resolução normal do conflito da adolescência. Os adolescentes que abusam da cannabis freqüentemente têm uma perda de comunicação com a família, com alterações de humor imprevisíveis, deterioração nos valores morais, apatia, mudança de amizades, vadiagem, desempenho acadêmico deficiente, negação do uso mesmo quando encontrado com a parafernália ligada à droga e sinais óbvios de intoxicação ( Niven, 1986). Kandell,1984) sugere que o uso de cannabis em adultos jovens está associado com um contexto social favorável a seu uso e com insatisfação com as instituições sociais. Fatores de alto risco para o uso podem operar independente da personalidade.
Psicopatologia
Tem sido difícil avaliar a psicopatologia em indivíduos antes do abuso da cannabis. Curiosidade e inconformismo são razões principais para o início, embora um desejo por uma alteração marcada da consciência possa estar associado com o uso contínuo de cannabis. Alguns autores têm argumentado a favor de um efeito anti-raiva ou antiansiedade da cannabis, enquanto outros relatam alta incidência de agressividade em abusadores crônicos. A cannabis tem um efeito sedativo e pode ser usada como "automedicação" por indivíduos ansiosos. A cannabis pode potencializar outros depressores do SNC, como o álcool, e aumentar o déficit cognitivo. Linn (1972) sugere que a promoção de uma orientação psicológica introspectiva pode tornar a cannabis atraente para certos indivíduos. Weller e Halikas (1985) encontraram que havia mais personalidade anti-social quando comparados com controles, mas não outras diferenças significativas na psicopatologia.
As explicações fisiológicas dos efeitos da cannabis têm variado desde uma hipótese relativa ao desvio na dominância cerebral do hemisfério esquerdo para o direito até a desinibiçãoUm estado de liberação das restrições internas sobre o comportamento de um indivíduo. A desinibição pode resultar da administração de uma droga psicoativa.A crença em que uma droga psicoativa, especialmente o álcool, induz farmacologicamente o comportamento desinibido, em geral é expressa na formulação fisiológica do século XIX sobre o desligamento das inibições localizadas “nos centros superiores da mente”. Quase qualquer adjetivo, desde “maligno” a “expressivo”, pode ser usado para descrever o comportamento atribuído ao efeito desinibitório. A expressão “teoria da desinibição” é usada para distinguir esta crença de uma perspectiva mais recente que afirma que os efeitos farmacológicos são fortemente mediados por expectativas culturais e pessoais e pelo contexto.Desinibição é também usado por neurofisiologistas e neurofarmacólogos para referir-se à remoção de uma influência inibitória em um neurônio ou circuito neuronal, em contraste com a estimulação direta desse neurônio ou circuito neuronal. Por exemplo, as drogas opióides deprimem a atividade de neurônios dopaminérgicos que normalmente exercem um efeito inibitório tônico na secreção de prolactina pelas células da hipófise. Assim, os opióides “desinibem” a secreção de prolactina e indiretamente causam uma elevação do nível de prolactina no plasma. das funções cerebrais primitivas do lobo límbico paleocortical ( Cohen, 1986). O delta-9-THC pode agir na alteração da relação funcional normal entre o sistema límbico e o neocórtex. Alterações específicas no EEG têm sido encontradas nas regiões septais durante a intoxicação por cannabis. A tomografia computadorizada por emissão de pósitron e outros estudos cerebrais dinâmicos podem ajudar a determinar os efeitos da cannabis no cérebro.
Fisiopatologia e Efeitos Físicos Adversos
A ação fisiológica exata da cannabis não é conhecida; entretanto, diversos achados bioquímicos têm sido relatados. Tem-se demonstrado que o delta-9-THC afeta a síntese de proteínas e ácidos nuclêicos, rompendo o metabolismo
celular e a formação de DNA e RNA ( Nahas, 1977). Estudos in vitro têm demonstrado divisão celular anormal e espermatogênese anormal resultando em diminuição na contagem de esperma. A exposição a altos níveis de delta-9THC tem sido associada com anormalidades ao nascimento e na reprodução em animais e diminuição nos hormônios sexuais e reprodutivos femininos em humanos. Entretanto, continua controverso o efeito da cannabis sobre a fertilidade humana masculina ou feminina.
O Relatório do Comitê para Estudo dos Efeitos da Cannabis e de seus derivados na Saúde da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América (1982) sobre os efeitos da cannabis a longo prazo foi inconclusivo. Não houve evidências convincentes de que a cannabis produz alterações permanentes no SNC ou no comportamento. Pacientes com doença cardiovascularCirurgia cardiovascular é a subespecialidade médica que se ocupa do tratamento cirúrgico das doenças que acometem o coração.Dentre as cirurgias mais realizadas está a revascularização miocárdica onde o cirurgião tenta refazer a circulação de um território do músculo cardíaco que está sendo mal perfundido devido uma obstrução coronariana. Em geral utiliza-se enxertos da veia safena ou artéria mamária, que é uma artéria que perfunde a região do osso esterno.Outras cirurgias comumente realizadas são as que visam correção das doenças que acometem as valvas cardíacas.Em muitas cirurgias cardíacas há necessidade de parada total do coração. Nesse momento estabelece-se a circulação extracorpórea (CEC) e todo o movimento sanguíneo, bem como a oxigenação do mesmo se dá por aparelhos. subjacente podem não tolerar os aumentos na freqüência cardíaca e na pressão arterial que a cannabis provoca. A cannabis pode ter um leve efeito imunosupressor. A fumaça da cannabis contém carcinógenos semelhantes ao tabaco e o uso pesado crônico de cannabis pode predispor à doença pulmonar obstrutiva crônica ou neoplasia pulmonar.
Existem controvérsias em torno do conceito de uma síndrome de transtorno do comportamento pelo uso crônico de cannabis. Grande parte destes trabalhos foram feitos na Jamaica, Índia e Egito, onde o uso pesado crônico de derivados poderosos de cannabis foi estudado. Classicamente, esta "síndrome amotivacionalVeja síndrome nolitiva." é caracterizada por passividade, redução dos impulsos, atividade dirigida para objetivos diminuída, memória diminuída, fadigaA palavra fadiga é usada cotidianamente para descrever uma série de males, que vão desde um estado genérico de letargia até uma sensação específica de calor nos músculos provocada pelo trabalho intenso.Fisiologicamente,"fadiga"descreve a incapacidade de continuar funcionando ao nível normal da capacidade pessoal devido a uma percepção ampliada do esforço.Fadiga é onipresente na vida cotidiana, mas geralmente torna-se particularmente perceptível durante exercícios pesados.A fadiga possui duas formas; uma se manifesta como uma incapacidade muscular local para desenvolver um trabalho e a outra se manifesta como uma sensação abrangente de falta de energia, corporal ou sistêmica.Devido a estas duas facetas divergentes de sintomas de fadiga, tem sido proposto que as causas da fadiga sejam encaradas sob perspectivas"central"e"periférica"., déficits na solução de problemas e apatia e é descrita como uma "névoa" que dura diversas semanas após a abstinência.
A pesquisa da síndrome amotivacional tem sido complicada por problemas metodológicos, incluindo vieses de seleção e falta de controles. É muito difícil determinar fatores de personalidade prévios ao uso e os efeitos de fatores ambientais opressivos. Achados semelhantes nos usuários crônicos de cannabis nos Estados Unidos têm sido descritos, embora uma síndrome amotivacional totalmente desenvolvida não tenha sido claramente estabelecida. Kupfer et al. (1973) compararam fumantes crônicos de cannabis pesados com leves e não encontraram aumento global na psicopatologia, embora tenham encontrado um aumento de características depressivas e de sinais mentais de organicidade em ambos os grupos. Uma hipótese é que o subconjunto de pacientes amotivacionais, em ambos os grupos, pode ter tido uma tendência subjacente para a depressão. Um espectro de dificuldades cognitivas e comportamentais pode resultar secundariamente ao abuso de cannabis a longo prazo. Apatia e falta de motivação nesses pacientes, pode representar um pólo do espectro e ser o resultado de múltiplos fatores ( Millman e Sbriglio, 1986).
Potencial Terapêutico
O delta-9-THC tem sido usado em settings médicos para combater náuseas e vômitos, principalmente em associação com agentes quimioterápicos para o câncer e no glaucomaGlaucoma é a designação genérica de um grupo de doenças que atingem o nervo óptico e envolvem a perda de células ganglionares da retina num padrão característico de neuropatia óptica. A pressão intraocular elevada é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de glaucoma, não existindo contudo uma relação causal direta entre um determinado valor da pressão intraocular e o aparecimento da doença - enquanto uma pessoa pode desenvolver dano no nervo com pressões relativamente baixas outra pode ter pressão intraocular elevada durante anos sem apresentar lesões. Se não for tratado o glaucoma leva ao dano permanente do disco óptico da retina, causando uma atrofia progressiva do campo visual, que pode progredir para cegueira.. Efeitos broncodilatadores, anticonvulsivos e antiespasmódicos têm também sido descritos mas não comprovados ( Cohen, 1986). Atualmente, o delta-9-THC é usado quando tudo o mais falha. O delta-9-THC pode também diminuir a pressão intra-ocular em 30 porcento em pessoas normais, o que o toma um agente útil em pacientes com glaucoma. Entretanto, freqüentemente é necessário o seu uso por toda a vida, o que expõe os pacientes aos riscos a longo prazo do delta-9-THC à saúde.
Tratamento Agudo
Geralmente os efeitos adversos da intoxicação por cannabis não levam à atenção profissional. Apoio, reafirmação e teste de realidade por amigos ou familiares geralmente é suficiente. Sintomas físicos como taquicardia podem contribuir para uma "síndrome de luta ou fuga". Enfatizar que a cannabis pode causar esses sintomas e assegurar que eles passarão geralmente ajuda esses indivíduos. Agentes ansiolíticosDrogas contra a ansiedade. Veja sedativos/hipnóticos. são ocasionalmente necessários e neurolépticos podem ser utilizados em casos de psicose prolongada.
Tratamento do Uso Crônico
O tratamento do abuso de cannabis segue os princípios gerais para o abuso de outras substâncias, com atenção especial a problemas do desenvolvimento afetando a adolescência. A cannabis pode ser uma das muitas drogas de abuso. O objetivo é a abstinência total de todas as substâncias psicoativas.
As intervenções precisam ser feitas precocemente nas carreiras de drogas do adolescente, uma vez que ocorrem rupturas severas nos marcos do desenvolvimento. A avaliação psiquiátrica completa inclui uma avaliação escolar e familiar. A negação de riscos psicológicos e de saúde freqüentemente necessita de confrontação, especialmente em pacientes forçados ao tratamento. Freqüentemente apenas quando o paciente pára de usar a droga e percebe a melhora cognitiva é que ocorre a auto-motivação. Mudanças no estilo de vida tais como evitar pessoas, lugares e coisas relacionadas ao uso deveriam ser encorajadas. Baixa auto-estima, depressão, problemas familiares severos e transtornos de aprendizagem podem surgir e precisam ser reconhecidos. O aconselhamento parental pode ser muito eficaz na resolução de distúrbios nas interações familiares e de problemas com as fronteiras. Em adolescentes muito jovens, o envolvimento, a preocupação e o controle pelos pais têm uma forte influência no comportamento. Alguns anos mais tarde, a influência parental pode diminuir e a identificação com o grupo de companheiros iguais pode aumentar.
Tratamento Hospitalar
O abuso de cannabis pura raramente requer tratamento hospitalar e a desintoxicaçãoO processo pelo qual um indivíduo é afastado dos efeitos de uma substância psicoativa.Como um procedimento clínico, é o processo de afastamento da substância realizado de maneira segura e efetiva, de tal forma que os sintomas da abstinência são minimizados. O serviço no qual esse processo se dá é denominado de unidade ou centro de desintoxicação.Tipicamente, o indivíduo está clinicamente intoxicado ou já em abstinência no início da desintoxicação. A desintoxicação pode ou não envolver o uso de medicamentos. Quando os usa, o medicamento em geral é uma droga que apresenta tolerância cruzada e dependência cruzada em relação à(s) substância(s) usada(s) pelo paciente. A dose é calculada para aliviar a síndrome de abstinência sem induzir intoxicação e é gradualmente diminuída à medida que o paciente se recupera.A desintoxicação como um procedimento clínico implica que o indivíduo seja supervisionado até recuperar-se completamente da intoxicação ou da síndrome de abstinência física. O termo “autodesintoxicação” é usado algumas vezes para denotar a recuperação não assistida de um episódio de intoxicação ou de sintomas da abstinência. não é necessária. Ocasionalmente, com abuso severo ou problemas comportamentais, especialmente em populações adolescentes, é necessária a intervenção hospitalar.
Tratamento Ambulatorial
O tratamento ambulatorial consiste de grupos de auto-ajuda (como dos 12 passos) terapia individual ou de grupo, terapia familiar e testes periódicos de urina para monitorizar a abstinência. Os programas para adolescentes podem concentrar-se em promover o comportamento relacionado à idade e aumentar a comunicação através de várias modalidades verbais e não verbais. As famílias precisam tomar consciência de como podem ajudar ou prejudicar o processo de tratamento. Geralmente, uma abordagem não crítica, honesta, estável e firme é necessária com adolescentes.
Os canabinóides podem ser detectados na urina até 21 dias após a abstinência em fumantes crônicos devido à redistribuição no tecido adiposo; entretanto, um a cinco dias é o período normal da urina permanecer positiva ( Schwartz e Hawks, 1985). Portanto, a monitorização inicial da droga precisa ser interpretada de acordo com isso. O principal método para detecção na análise da urina é o imunoensaio enzimático ou radioimunoensaio. Este método é rápido, relativamente barato e razoavelmente preciso (95 porcento). Estudos de cromatografia são mais caros, mas aumentam a sensibilidade e a especificidade. Apenas amostras sangüíneas podem ser usadas como indicadores de níveis agudos de intoxicação. A menos que os ensaios sejam padronizados para todos os laboratórios, os resultados podem variar entre os laboratórios.
Referências e Autores:
Tratado de PsiquiatriaPsiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais em humanos, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e outras áreas afins.Uma doença ou problema psíquico pode ser tratado através de medicamentos ou várias formas de psicoterapia.A avaliação psiquiátrica envolve o exame do estado mental e a história clínica. Testes psicológicos, neurológicos e exames de imagem podem ser utilizados na avaliação, assim como exames físicos. Os procedimentos diagnósticos variam mas os critérios oficiais estão descritos em manuais como a CID-10 da Organização Mundial de Saúde e o DSM-IV da American Psychiatric Association., Dr Richard J Frances, Dr John E Franklin Jr – Capítulo 11;
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Comentários
Agradecimento
Obrigada vcs me ajudaram muito no meu trabalho :)
MEU FILHO SOFREU U ACIDENTE
MEU FILHO SOFREU U ACIDENTE DE CARRO A 6 NESES,LAUDO:TRAUMA RAQUI- MELULAR
ESTA COM PARAPLEGIA. DESCONFIO QUE ESTA FAZENDO USO DA MACONHAUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva....ISTO INTERFERE NA SUA RECUPERAÇÃO??/
meu filho teve um trauma
meu filho teve um trauma raquimedular.. está com paraplegia....desconfio que esta fazendo uso da maconhaUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva...isso enterfere na sua recuperação???
por favor,não publique!!!
usuário
Minha namorada é uma usuária, infelizmente por esse motivo, estamos finalizando nosso relacionamento.
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