(The Agency for Health Care Policy and Research Smoking Cessation Clinical Practice Guideline)
O objetivo desse artigo é resumir o documento Smoking Cessation Clinical Practice Guideline, criado por um comitê de consultores convocado pela Agência Americana para Pesquisa e Política em Saúde (US-AHCPR), que estabelece as condutas para se abordar, na prática clínicaClínica médica, no Brasil, também conhecida como Medicina Interna e Clínica geral, é a especialidade médica que trata de pacientes adultos, atuando principalmente em ambiente hospitalar. Inclui o estudo das doenças de adultos, não cirúrgicas, não obstétricas e não ginecológicas, sendo a especialidade médica a partir da qual se diferenciaram todas as outras como Cardiologia e Pneumologia.No Brasil, o especialista em Clínica médica deve cumprir, além do curso de Medicina, dois anos de Residência médica.Em Portugal, trata-se de um termo actualmente a cair em desuso. Em sua substituição, surgiu a Especialidade de Medicina Geral e Familiar, mais abrangente e de natureza diferente., o paciente tabagista e implementar o plano de abandono desse vício. Este artigo, assim como o documento completo, é direcionado a três públicos diferentes: 1) médicos de atenção primária, 2) especialistas em abandono de tabagismoUm vocábulo de origem francesa que se refere à condição do fumante gravemente dependente da nicotina e que, em conseqüência, manifesta graves sintomas de abstinência. Equivalente a síndrome de dependência do tabaco. e 3) administradores, consumidores e fornecedores de serviços de saúde.
O documento foi baseado numa revisão da literatura especializada sobre o assunto no período de 1975 a 1994 e suas conclusões em resumo são:
1) médicos da atenção primária:
- devem identificar os pacientes tabagistas;
- implementar o plano de abandono do vício;
- oferecer reposição de nicotinaUm alcalóide que é a principal substância psicoativa do tabaco. Tem efeitos tanto estimulantes quanto relaxantes. Produz um efeito de alerta no eletroencefalograma e, em alguns indivíduos, um aumento na capacidade de focalização da atenção. Em outros, reduz a ansiedade e a irritabilidade.A nicotina é utilizada sob forma de inalação da fumaça do tabaco ou como “tabaco sem fumaça” (tabaco de mascar), rapé ou goma de mascar com nicotina. Cada tragada de fumaça de tabaco inalada contém nicotina que é rapidamente absorvida através dos pulmões e chega ao cérebro em segundos. A nicotina provoca uma tolerância e uma dependência consideráveis. Devido ao seu rápido metabolismo, os níveis cerebrais de nicotina caem rapidamente e o fumante sente um desejo intenso (craving) de mais um cigarro, 30-45 minutos depois de fumar o último.No usuário de nicotina que se tornou fisicamente dependente, desenvolve-se uma síndrome de abstinência depois de algumas horas da última dose: necessidade imperiosa (craving) de fumar, irritabilidade, ansiedade, raiva, dificuldade de concentração, aumento do apetite, diminuição da freqüência cardíaca e, por vezes, dor de cabeça e perturbações do sono. O desejo intenso tem seu pico em 24 horas e declina ao longo de várias semanas, apesar de poder ser evocado por estímulos associados a hábitos de fumar anteriores.O tabaco contém várias outras substâncias além da nicotina. O uso prolongado do tabaco pode resultar em câncer do pulmão, cabeça ou pescoço, em doenças cardíacas, em bronquite crônica, em enfisema e em outros transtornos físicos.A dependência de nicotina (F17.2) está classificada na CID-10 como um transtorno por uso do tabaco em transtorno por uso de substância psicoativa. quando indicado e
- agendar contatos para acompanhamento.
2) especialistas em abandono do tabagismo:
- criar sessões individuais ou em grupos para aconselhamento;
- oferecer reposição de nicotina e
- aconselhar sobre manejo da abstinênciaA abstenção do uso de droga ou (particularmente) de bebidas alcoólicas, por questão de princípio ou por outras razões.Quem pratica a abstinência de álcool é chamado de “abstêmio” ou “abstêmio total”. A expressão “atualmente abstinente”, freqüentementeempregada em inquéritos populacionais, geralmente define uma pessoa que não ingeriu bebidas alcoólicas nos últimos 12 meses; esta definição não coincide necessariamente com a descrição que o próprio indivíduo faz de si como um abstêmio.O termo “abstinência” não deve ser confundido com “síndrome de abstinência” ( Deve-se, no entanto, diferenciar “abstêmio” (pessoa que não bebe ou não usa drogas) de “abstinente” (pessoa que presentemente não está bebendo, que não está usando drogas).Veja também: sobriedade; temperança. e apoio social.
3) administradores, consumidores e fornecedores de serviços de saúde
- exigir ou garantir a existência de programas contínuos de identificação e tratamento de tabagistas;
- exigir ou garantir o treinamento das equipes de saúde para a implementação desses programas;
- exigir ou garantir a criação de equipes dedicadas a essa tarefa e
- exigir ou garantir o reembolso dos profissionais e atividades ligadas ao abandono do tabagismo.
O tabagismo mereceu a atenção da US-AHCPR quanto à necessidade de se criar um documento com orientações para sua identificação e combate devido à confluência de três fatores principais:
- é o hábito que individualmente constitui a principal ameaça à saúde;
- os médicos não tem dedicado a atenção necessária, além de se mostrarem propensos a ignorarem o problema
- intervenções efetivas são disponíveis, além de possuírem caráter preventivo.
O aspecto mais importantes no tratamento do tabagismo é o impacto que ele têm na prevenção das doenças Doença (do latim dolentia, padecimento) é uma condição anormal de um organismo que interfere nas funções corporais e está associada a sintomas específicos. Pode ser causada por fatores externos, como outros organismos (infecção), ou por desfunções ou malfunções internas, como as doenças autoimunes. A patologia é a ciência que estuda as doenças e procura entendê-las.Resulta da consciência da perda da homeostasia de um organismo vivo, total ou parcial, estado este que pode cursar devido a infecção, inflamação, isquémias, modificações genéticas, sequelas de trauma, hemorragias, neoplasias ou disfunções orgânicas. Distingue-se da enfermidade, que é a alteração danosa do organismo.O dano patológico pode ser estrutural ou funcional. O médico faz a História clínica e examina o paciente a procura de sinal (médico) e sintomas que definem a síndrome da doença, solicita os exame complementar conforme suas hipótese diagnóstica, visando chegar a um diagnóstico.O passo seguinte é indicar um tratamento. dele decorrentes, especialmente as doenças ateroscleróticas e as neoplásicas.
As recomendações a seguir são divididas quanto ao público alvo a que estão dirigidas.
Médicos da atenção primária.
Os médicos se encontram em posição estratégica para abordar pacientes tabagistas, já que 70% deles são atendidos pelo menos uma vez por ano. Além disso, os fumantes reconhecem o aconselhamento médico como um fator de motivação na tentativa de abandono do vício. No entanto, somente 50% dos fumantes relatam ter sido questionados quanto ao vício ou solicitados a abandoná-lo.
Uma questão fundamental a ser colocada é a seguinte: "Por que os médicos não abordam rotineiramente e de forma coerente o vício em nicotina de seus pacientes?". Dentre as razões citadas para tanto temos:
- falta de tempo;
- falta de preparo;
- desânimo frente as baixas taxas de sucesso e
- crença de que isso não é obrigação do médico.
Além de mudanças estruturais, diversas recomendações foram lançadas, objetivando uma mudança na mentalidade e na prática dos profissionais da atenção primária, de forma que todo paciente tabagista tenha seu vício identificado e inicie o tratamento para abandono. As mudanças estruturais seriam: 1) institucionalização da abordagem do tabagismo, 2) reembolso dos médicos e pacientes pelas orientações e farmacoterapia (até mesmo pelo sucesso), respectivamente, 3) motivação mesmo daqueles que ainda não estão dispostos a parar e 4) obrigatoriedade da intervenção no tabagismo por parte do sistema da saúde.
As recomendações estão resumidas no quadro a seguir:
Tabela 1.
Recomendações para o Médico de Atenção Primária | |
Ação
| Estratégias para implementação
|
Primeiro passo: Perguntar. Identificar sistematicamente todos os tabagistas. | |
O uso de tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nicotina.Veja também:nicotina; fumar passivo. deve ser anotado em toda consulta de todo paciente. | Incluir campos impressos no prontuário do paciente de preenchimento obrigatório contendo as informações referentes ao tabagismo. |
Segundo Passo: Aconselhar. Solicitar enfaticamente a todos os fumantes que abandonem o vício. | |
Solicitar de maneira enfática, clara e pessoal a todo paciente tabagista que abandone seu vício. | Como seu médico, preciso informar-lhe que parar de fumar é a ação mais importante que você pode tomar em benefício da sua saúde. Os demais membros da equipe também devem reforçar a mensagem de abandono do vício. |
Terceiro passo: Identificar os tabagistas com vontade de abandonar o vício. | |
Perguntar a todo fumante se ele(a) está compelido a abandonar o vício ou se já tentou anteriormente. | Caso ele esteja, fornecer o apoio necessário (quarto passo)
Caso seja necessário tratamento mais intensivo, encaminhar para o especialista
Caso o paciente não manifeste vontade de parar, convença-o do contrário.* |
Quarto passo: Auxilie o paciente no processo de abandono | |
A) Criar um plano de abandono. | Determinar uma data para parar. O paciente deve informar aos familiares, amigos e colegas de trabalho sobre decisão. Preparar o ambiente, removendo todos os cigarros do seu alcance. Rever as tentativas anteriores, identificando o que ajudava e o que levou à recaídaO retorno ao uso de bebida ou de outra droga após um período de abstinência, freqüentemente acompanhado pela reinstalação de sintomas de dependência. Alguns autores fazem distinção entre recaída e deslize, este último denotando uma ocasião isolada do uso de álcool ou droga.. Antecipar desafios e situações difíceis. |
B) Utilizar a reposição com nicotina. | Utilizar adesivos ou chicletes de nicotina. |
C) Fornecer dicas que facilitam o processo. | Abstinência total é essencial. Evitar o consumo de álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica., devido sua associação com a recorrência. A presença de outros fumantes na casa, especialmente o cônjuge, está associado a baixas taxas de sucesso. O paciente deve elaborar um plano para contornar esse problema. |
D) Fornecer material que suplemente as informações passadas. | deve ser claro, educativo e adequado ao nível sócio-cultural do paciente. |
Quinto passo: Planejar. Agendar retornos para acompanhamento | |
Agendar consultas subsequentes. | O primeiro retorno deve ser na mesma semana e o segundo com menos de um mês. Reconhecer os sucessos, parabenizando o paciente. Mostrar que as recaídas devem ser usadas como lições para evitar que repitam no futuro. Avaliar a reposição com nicotina. |
* Utilizar a regra dos quatro R: relevância(do comportamento de buscar uma substância)O grau de proeminência da busca ou do uso de uma substância, no pensamento ou nas ações do usuário (por exemplo, dar prioridade a obter e usar substâncias sobre qualquer outra atividade). O conceito está incluído nos critérios de dependência da CID-10 e do DSM-IIIR, embora sem o uso do termo “relevância”., risco, recompensa e repetição.
Tabela 2.
Regra dos quatro R para motivar o paciente a parar de fumar. |
Relevância. O médico deve conhecer as preocupações do paciente em relação ao fumoUm termo genérico usado para denotar os vários preparados da planta de maconha (cânhamo), Cannabis sativa. Isso inclui a folha de maconha ou diamba (com variada sinonímia de gíria), o cânhamo-da-índia ou haxixe (derivado da resina dos extremos floridos da planta) e o óleo de haxixe.Na Convenção Única de Narcóticos e Drogas de 1961, a maconha foi definida como “as extremidades floridas ou frutificadas da planta de cannabis (excluindo as sementes e as folhas sem aquelas extremidades) das quais a resina não foi extraída”, enquanto que a resina da cânabis é “a resina bruta ou purificada, extraída da planta da cannabis”. As definições são baseadas na terminologia tradicional indiana como ganja (= cânabis) e charas (= resina). Um terceiro termo indiano, o bhang se refere às folhas. O óleo de cânabis (óleo de haxixe, cânabis líquida ou haxixe líquido) é um concentrado de cânabis obtido pela extração geralmente através de um óleo vegetal.O termo marijuana é de origem mexicana. Originalmente um termo usado para o tabaco barato (ocasionalmente misturado com cânabis), tornou-se um termo genérico para as folhas de cânabis ou a cânabis em geral, em muitos países. O haxixe, inicialmente um termo utilizado para a cânabis nas áreas do Mediterrâneo oriental, é hoje utilizada para a resina da cânabis.A cânabis contém pelo menos 60 canabinóides, muitos dos quais biologicamente ativos. O componente mais ativo é o delta 9-tetrahidrocanabinol (THC), o qual pode ser detectado na urina várias semanas após seu uso (geralmente após ter sido fumado), bem como seus metabólitos.A intoxicação pela cânabis produz sensação de euforia, leveza dos membros e geralmente retração social. Prejudica a capacidade para dirigir veículos bem como para executar outras atividades complexas que requerem habilidade; prejudica a memória imediata, o nível de atenção, o tempo de reação, a capacidade de aprendizado, a coordenação motora, a percepção de profundidade, a visão periférica, a percepção do tempo (a pessoa geralmente tem a sensação de passagem mais lenta do tempo) e a detecção de sinais. Outros sinais de intoxicação podem incluir ansiedade excessiva, desconfiança ou idéias paranóides em alguns e euforia ou apatia em outros, juízo crítico prejudicado, irritação conjuntival, aumento de apetite, boca seca e taquicardia. A cânabis às vezes é consumida com álcool, o que aumenta os efeitos psicomotores.Há registros de que, em casos de esquizofrenia, o uso da cânabis pode precipitar recaídas. Estados de ansiedade e de pânico agudos, e estados delirantes foram também relatados na intoxicação por cânabis; estes geralmente regridem em alguns dias. Os canabinóides são às vezes usados terapeuticamente para glaucoma e para as náuseas em tratamentos quimioterápicos do câncer.Os transtornos por uso de canabinóides estão incluídos nos transtornos por uso de substância psicoativa na CID-10 (classificados em F12)Sinonímia: ceruma; diamba; erva; fumo; liamba; maconha; suruma; marihuana; marijuana.Veja também:síndrome nolitiva., pois deverá explorar principalmente aqueles que são mais relevantes para o paciente, já que ao faze-lo, sua chance de sucesso será maior. |
Risco. O médico deve pedir ao paciente que enumere as conseqüências negativas do tabagismo. Deve frisar que o uso de cigarros de baixos teores não resolve ou evita tais complicações.
Recompensas. O médico deve pedir ao paciente que enumere os benefícios de interromper o tabagismo. |
Repetição. Esse trabalho deve ser feito a cada visita do paciente. |
Parte importante do tratamento é ensinar ao paciente como lidar com as situações que levam à recaída e como evitá-las. O quadro a seguir trata desse assunto.
Tabela 3.
Aprendendo a lidar com os problemas decorrentes do abandono. | |
Reconhecer situações perigosas para a abstinência. | Exemplo
|
Identificar eventos, situações internas ou atividades que aumentam a chance de recaída. | Estar perto de outros fumantes. Estar atrasado. Iniciar um discussão. AnsiedadeAnsiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc. ou humor negativo. Consumo de álcool. |
Desenvolver habilidades para lidar com as situações que ameaçam a abstinência. | Antecipar e evitar tais situações. Fazer mudanças de hábitos de vida para reduzir o estresse. Aprender atividades comportamentais e cognitivas que distraem o paciente da tentação de fumar. |
Conhecer um mínimo sobre o tabagismo e o processo de abandono. | Conhecer a natureza e evolução da abstinência. A natureza viciante da nicotina e o fato de que uma simples tragada pode levar à volta completa do vício. |
Tabela 4.
Tratamento de suporte do paciente em processo de abandono | |
Componente.
| Exemplos.
|
Encorajar o paciente em sua tentativa de abandono | Tratamentos efetivos estão disponíveis. Metade dos fumantes agora estão abstinentes. Comunicar ao paciente sua crença na habilidade dele de parar de fumar. |
Comunicação de cuidado e preocupação | Perguntar ao paciente como ele se sente em parar de fumar. Expressar preocupação e disposição para ajudá-lo. Estar aberto aos sentimentos do paciente com relação a seus medos, dificuldades, experiências e sentimentos ambivalentes. |
Encorajar o paciente a conversar sobre o processo de abandono | Conhecer as razões por que o paciente tomou a decisão de para de fumar. Dificuldades encontradas e sucessos atingidos. Perguntar sobre as preocupações envolvendo o processo de abandono. |
Por fim teríamos a terapia de reposição da nicotina através de gomas de mascar ou adesivo. A reposição com adesivos é preferível, devido à maior aderência e facilidade de uso. Quanto à indicação do uso da reposição com nicotina, três perguntas devem ser respondidas:
- Quem deve receber a reposição de nicotina?
- A reposição deve ser individualizada?
- Qual a forma de administração preferível: chicletes ou goma de mascar.
As doses estabelecidas foram pesquisadas em pacientes que fumavam mais de 10-15 cigarros por dia. Caso seja usada em pacientes que fumam menos que isso, as doses recomendadas devem ser reduzidas. As pesquisa também não apoiam a individualização da terapia de reposição por adesivos a não ser nos casos dos fumantes leves. No caso das gomas de mascar, a dose pode ser dobrada para 4mg no casos de fumantes pesados. A preferência pelo uso dos adesivos em detrimento das gomas de mascar deve-se a: 1) maior aderência ao tratamento e 2) não requer treinamento para que o uso seja efetivo. A goma de mascar deve ser usada quando for preferida pelo paciente, na vigência de contra-indicações específicas para o uso do adesivo ou falha com o adesivo.
O uso de adesivos de nicotina deve ser evitado em grávidas e em mulheres amamentando. Pacientes com IAM recente (até 4 semanas) , arritmias e angina pectoris severa devem tentar parar sem o uso da nicotina. A ocorrência de reações no local do adesivo chega a 50%. Pode ser evitada com mudança da posição e uso de creme de hidrocortisona 5% ou triancinolona 0,5%. Em menos de 5% dos pacientes é necessário interromper o uso. A duração de oito semanas ou menos parece ser tão eficaz quanto períodos mais longos. Os regimes abaixo são sugeridos:
Tabela 5.
Marca
| Duração em semanas
| Dosagem em mg por hora
|
Nicoderm ou Habitrol | 4 2 2
| 21/ 24 14/24 7/24
|
Prostep | 4 4
| 22/24 11/24
|
Nicotrol | 4 2 2
| 15/16 10/16 5/16
|
O adesivo deve ser colocado logo pela manhã em área sem cabelo entre o pescoço e a cintura. O paciente deve estar em abstinência do cigarro. Não há nenhuma restrição pelo uso do adesivo.
Para a reposição com a goma de mascar, valem as mesmas precauções indicadas no caso do adesivo. Os efeitos colaterais específicos incluem: dispepsia, dor na mandíbula, soluçosOsoluçoé um fenômeno reflexo que se manifesta por contração espasmódica e involuntária do diafragma, prosseguida de movimento de distensão e de relaxamento, através do qual o pouco ar que a contração forçara a entrar no estômago é expulso com um ruído característico. Costuma ocorrer geralmente após a ingestão de líquido ou sólido. Geralmente é benigno e auto-limitado, mas pode ser sintoma de uma doença crônica e necessitar de tratamento. Apesar de evidência anedótica, o soluço em si não é fatal.O soluço benigno que geralmente sofremos, pode ser resolvido com a interrupção do ciclo respiratório segurando por alguns segundos a respiração. Fazendo isto, o diafragma será forçado a voltar a funcionar juntamente com a respiração e o soluço passa, mas pode continuar a ocorrer em alguns casos. e irritação da mucosa oral. Pacientes usando gomas de 2mg não devem ultrapassar 30 unidades por dia e aqueles usando as de 4mg, 20 unidades. Os pacientes devem estar abstinentes do cigarro. A técnica correta de mascar é; mastigação vagarosa até que apareça um gosto de pimenta, a partir daí colocar a goma entre a gengiva e a parede da boca, a fim de aumentar a absorção da nicotina pela mucosa oral; esse processo deve ser repetido por cerca de trinta minutos. Devem ser evitados alimentos e bebidas 15minutos antes do uso da goma de mascar e durante seu uso. Um erro freqüente dos pacientes é usar menos do que deviam. Para evitar isso, devem ser receitadas gomas a cada 1 ou 2 horas por um período de um a três meses.
Especialistas em abandono do tabagismo e programas institucionais.
Os especialistas em abandono do tabagismo são um recurso vital no esforço pelo combate ao tabagismo. Eles podem atuar nas seguintes etapas dos programas de combate ao tabagismo:
- referência treinamento e consultoria para os não especialistas que fornecem serviços de abandono do tabagismo dentro da prática clínica diária;
- desenvolvimento e avaliação de mudanças em procedimentos clínicos que aumentam as taxas de diagnóstico e tratamento de tabagistas
- condução de pesquisas de para determinar a efetividade das atividades de promoção do abandono do fumo e
- desenvolver tratamentos inovadores que apresentem melhor relação custo-benefício.
Tabela 6.
Dados Relevantes para a Implementação de Programas Intensivos de Abandono |
1) Existe uma forte correlação entre a intensidade do aconselhamento e as taxas de abandono. Os tratamentos podem ser intensificados aumentando-se a duração das sessões, o período de aconselhamento ou o número de sessões. |
2) Altos graus de dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoolismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “dependência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicáveis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tolerância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação)., comorbidades psiquiátricas e baixos níveis motivacionais indicam maior chance de recaída. Esses indicadores devem ser usados para se estimar a intensidade do tratamento. |
3) Aumentando o número de profissionais que fazem parte do programa de abandono, com a inclusão de enfermeiros, dentistas, psicólogos além do médico aumentam a chance de abandono. |
4) Aconselhamento individual e em grupos são eficazes. |
5) A individualização do aconselhamento são efetivos. A resolução de problemas advindos do abandono e o treinamento do paciente para enfrentá-los aumenta as chances de sucesso. |
6) Farmacoterapia na forma de adesivos ou gomas de mascar de nicotina aumenta as taxas de abandono a despeito das intervenções comportamentais e psicossociais. |
7) Não há diferença nas taxas de abandono entre grupos distintos quanto a idade, raça, gênero, etc. |
Tabela 7.
Recomendações para Programas Intensivos de Abandono do Tabagismo. |
Abordagem. Deve ser determinado se o paciente está disposto ou não a parar de fumar através desse tipo de programa. |
Profissionais envolvidos. Profissionais de várias áreas devem estar envolvidos. Um profissional da área médica seria responsável pelo aspecto da saúde física e outro da área de psicologia pelos problemas psicossociais. |
Intensidade. As 4 a 8 sessões deve durar no mínimo 20 a 30 minutos, num período de no mínimo duas a oito semanas ou mais de preferência. |
Formato. Individual ou coletivo; material extra deve ser fornecido e contatos de acompanhamentos devem ser estabelecidos. |
Conteúdo. Os alvos devem ser: motivação para largar e para evitar recaída; a resolução de problemas decorrentes do abandono; e apoio social nas sessões. |
Farmacoterapia. Todo tabagista em processo de abandono deve ter acesso à reposição de nicotina como descrito. |
População. Esse programa pode ser usado para qualquer tipo de fumante. |
Administradores, consumidores e fornecedores de serviços de saúde.
Embora orientações para a prática clínica têm sido direcionadas para o médico da atenção primária, a promoção do abandono do vício em tabaco demanda uma abordagem mais geral, pois o clínico deverá sem aparado por políticas que incentivem a sua atuação no sentido de identificar e tratar pacientes tabagistas. Ou seja, a responsabilidade pelo combate ao tabagismo deve ser distribuída. Se por um lado o médico tem o dever profissional de identificar e tratar seus pacientes tabagistas, por outro, os administradores, consumidores e fornecedores de serviços de saúde têm a responsabilidade de criar políticas, fornecer recursos e tomar a frente das decisões que intensifiquem os esforços para se reduzir a população de tabagistas.
Autor / Tradução
( The Agency for Health Care Policy and Research Smoking Cessation Clinical Practice Guideline)
Mais Acessados Hoje
Hoje:
- Filhos adolescentes e as dificuldades que os pais enfrentam. Quem precisa de ajuda?
- Quais os efeitos imediatos (agudos) do uso da cocaína?
- Alcool e outras Drogas
- Uso e abuso de drogas na adolescência: o que se deve saber e o que se pode fazer
- Tratamento para indivíduos com abuso ou dependência de cocaína e crack
- O dependente químico em recuperação
- Cocaína.
- Tratamento da dependência de álcool com Naltrexona: a droga que mata a sede de álcool
- O Tratamento da Família na Dependência Química
- Solventes e inalantes
- Drogas Estimulantes (Anfetaminas)
- Maconha
- Portais de Jornais e Revistas de Psiquiatria no Exterior
- Quais as conseqüências do uso continuado (crônico) da cocaína?
- O que é um adicto e 12 Passos
- Esteróides Anabolizantes
- A personalidade do usuário de drogas
- Os 12 passos e a recuperação.
- Quem é o co dependente
- Causas e consequências da dependência química
- Adolescência e drogas II
- Recaída e síndrome de abstinência
- Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001
- Internação compulsória para tratamento de alcoólatras e dependentes químicos
- Alterações hematológicas ligadas ao alcoolismo
- Naltrexona (Revia®):
- Prevenção: dicas para os pais manterem seus filhos longe das drogas.
- Uso, abuso e dependência de cocaína
- Abstinência e dependência quimica
- Legislação que estabelece regras paras as clinicas e comunidades terapêuticas resolução - rdc nº 101, de 30 de maio de 2001



Comentários
Comentar