RESUMO
Introdução: O consumo de álcoolNa terminologia química, os álcoois constituem um numeroso grupo de compostos orgânicos derivados de hidrocarbonetos que contém um ou mais grupos hidroxila (-OH). O etanol (ou álcool etílico, C2H5OH) é um dos membros dessa classe de compostos, e é o principal ingrediente psicoativo das bebidas alcoólicas. Por extensão, o termo “álcool” também é usado para referir-se a bebidas alcoólicas.O etanol resulta da fermentação de açúcar produzida por lêvedos. Em condições normais, as bebidas produzidas por fermentação têm uma concentração de álcool que não ultrapassa 14%. Na produção de álcoois por destilação, ferve-se uma mistura fermentada e o etanol que se evapora é recolhido como um condensado quase puro. Além do seu uso para consumo humano, o etanol é também usado como combustível, como solvente e na manufatura química (veja álcool impróprio para o consumo humano).O álcool absoluto (etanol anidro) é o etanol contendo não mais do que 1% de água por massa. Nas estatísticas sobre produção ou consumo de álcool, o álcool absoluto refere-se ao conteúdo de álcool (como 100% de etanol) das bebidas alcoólicas.Do ponto de vista químico, o metanol (CH3OH), também conhecido como álcool metílico e álcool de madeira (ou de amido), é o mais simples dos álcoois. É usado como um solvente industrial e também como um adulterador para desnaturar o etanol e torná-lo impróprio para o consumo (bebidas metiladas). O metanol é altamente tóxico; dependendo da quantidade consumida, pode produzir turvação da visão, cegueira, coma e morte.Outros álcoois impróprios para o consumo, com efeitos potencialmente nocivos, são consumidos ocasionalmente, como, p.ex., o isopropanol (álcool isopropílico, freqüente em desinfetantes) e etilenoglicol (usado como anticongelante em automóveis).O álcool é um sedativo/hipnótico com efeitos semelhantes aos dos barbitúricos. Além dos efeitos sociais do uso, a intoxicação pelo álcool pode resultar em envenenamento e até morte; o uso excessivo e prolongado pode resultar em dependência ou numa ampla variedade de transtornos mentais orgânicos e físicos.Os transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de álcool (F10) são classificados como transtornos decorrentes do uso de substância psicoativa na CID-10 (F10-F19).Veja também:cardiopatia alcoólica; cirrose alcoólica; dano cerebral associado ao álcool; delirium; encefalopatia de Wernicke; escorbuto; fígado gorduroso alcólico; gastrite alcoólica; hepatite alcoólica; miopatia relacionada com álcool ou drogas; neuropatia periférica; pancreatite alcoólica; pelagra; pseudo-síndrome de Cushing; síndrome amnésica induzida por álcool ou droga; síndrome de deficiência de tiamina; síndrome fetal alcoólica. é um problema de saúde pública muito relevante. O objetivo do presente estudo foi identificar a prevalência de alcoolismo e explorar possíveis fatores que contribuam para esse hábito.
Metodologia: Foi realizado um estudo transversal de base populacional no município de Rio Grande (RS), constando de uma amostra de 1.044 indivíduos, de ambos sexos, com idade entre 12 e 75 anos. Definiu-se dependência de álcoolVeja dependência. pelo questionário CAGE, e o abusoabuso (de drogas, de álcool, de substâncias, de produtos químicos ou de substâncias psicoativas)Um grupo de termos muito utilizado embora com significados variáveis. Na 3a. edição revista do Manual Diagnóstico e Estatístico da Associação Psiquiátrica Norte-Americana (DSM-III-R), “abuso de substância psicoativa” é definido como “padrão desajustado de uso indicado pela continuação desse uso apesar do reconhecimento da existência de um problema social, ocupacional, psicológico ou físico, persistente ou recorrente, que é causado ou exacerbado pelo uso recorrente em situações nas quais ele é fisicamente arriscado”. Trata-se de uma categoria residual, ao qual é preferível o diagnóstico de dependência, quando for o caso. O termo “abuso” é algumas vezes utilizado de forma desaprovativa para designar qualquer tipo de uso, particularmente o de drogas ilícitas. Devido à sua ambigüidade, o termo não é usado na 10a. revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10) (exceto no caso de substâncias que não produzem dependência; veja mais adiante); uso nocivo e uso arriscado são os termos equivalentes na terminologia da OMS, embora eles geralmente digam respeito apenas aos efeitos físicos e não às conseqüências sociais. O emprego de “abuso” também é desestimulado pelo Escritório de Prevenção do Abuso de Substâncias dos EUA, embora expressões como “abuso de substâncias” sigam sendo amplamente utilizadas na América do Norte, para se referir, de modo geral, aos problemas do uso de substâncias psicoativas.Em outros contextos, o abuso já indicou padrões de uso não-médico ou não aprovado, independentemente das conseqüências. Assim, a definição publicada em l969 pela Comissão de Peritos da OMS em Dependência de Drogas foi “uso excessivo de droga, persistente ou esporádico, inconsistente ou sem relação com a prática médica aceitável” (veja uso indevido de álcool ou droga). de álcool foi caracterizado pelo consumo de 30 ou mais gramas por dia para homens e 24 ou mais gramas por dia para mulheres. Para controlar o efeito de fatores de confusão, procedeu-se a uma análise multivariada por regressão logística.
Resultados: 5,5% dos indivíduos abusavam de álcool, dos quais 2,5% eram dependentes. Após controle por possíveis fatores de confusão, identificou-se uma associação significativa entre alcoolismo e as seguintes variáveis: sexo masculino (razão de chances - RC=6,28), tabagismoUm vocábulo de origem francesa que se refere à condição do fumante gravemente dependente da nicotina e que, em conseqüência, manifesta graves sintomas de abstinência. Equivalente a síndrome de dependência do tabaco. (RC=5,42) e classe social E (RC=5,37).
Conclusão: Os resultados identificaram as dificuldades de se realizar um estudo de base populacional sobre alcoolismo e revelaram que homens que fumam e são de classe social mais baixa têm uma chance maior de apresentar problemas vinculados ao álcool. A prevalência de abuso de álcool em Rio Grande foi de 5,5%, e de dependência(F1x.2)Em termos gerais, o estado de necessidade ou dependência de alguma coisa ou alguém para apoio, funcionamento ou sobrevivência. Quando aplicado ao álcool e outras drogas, o termo implica a necessidade de repetidas doses da droga para sentir-se bem ou para evitar sensações ruins. No DSM-IIIR, a dependência é definida como “um conjunto de sintomas cognitivos, comportamentais e psicológicos que indicam que uma pessoa tem o controle do uso da substância psicoativa prejudicado e persiste nesse uso a despeito de conseqüências adversas”. Equivale aproximadamente à síndrome de dependência da CID-10. No contexto da CID-10, o termo dependência refere-se de maneira geral a qualquer dos elementos da síndrome. O termo é freqüentemente usado como equivalente de adicção e de alcoolismo.Em 1964 uma Comissão de Peritos da OMS introduziu “dependência” em substituição a adicção e hábito10. O termo pode ser usado de maneira genérica em relação a todas as drogas psicoativas (dependência de drogas, dependência química, dependência do uso de substância), ou referir-se especificamente a uma droga em particular ou a uma classe de drogas (p.ex., dependência de álcool, dependência de opióide). Embora a CID-10 descreva dependência em termos aplicáveis a todas as classes de drogas, há diferenças entre os sintomas de dependência característicos das diferentes drogas.De forma não qualificada, dependência refere-se a ambos os elementos físicos e psicológicos. A dependência psicológica ou psíquica refere-se à vivência de controle prejudicado sobre o beber ou o uso da droga (veja craving, compulsão), ao passo que a dependência fisiológica ou física refere-se à tolerância e aos sintomas de abstinência (veja também neuro-adaptação). Em discussões de orientação biológica, dependência é freqüentemente usada com referência à dependência física apenas.Ainda no contexto psicofarmacológico, emprega-se também dependência ou dependência física num sentido mais limitado para referir-se exclusivamente ao desenvolvimento de sintomas de abstinência que seguem uma interrupção do uso de droga. Neste sentido restrito, a dependência cruzada é vista como complementar a tolerância cruzada, e ambas definições referem-se somente à sintomatologia física (neuroadaptação)., 2,5%.
Descritores: Álcool, abuso, dependência, epidemiologia, estudo transversal, atenção primária.
INTRODUÇÃO
O consumo de álcool é reconhecido como um importante problema de saúde pública1,2.
A proporção de dependentes de álcool em relação ao uso na vida, segundo o CEBRID3, é de 20% para homens e 10% para mulheres. Nos Estados Unidos, o gasto com o uso de tabacoQualquer preparação das folhas da Nicotiana tabacum, uma planta nativa da América, Seu principal ingrediente psicoativo é a nicotina.Veja também:nicotina; fumar passivo., álcool e outras drogasUm termo de uso variado. Em medicina, refere-se a qualquer substância com o potencial de prevenir ou curar doenças ou aumentar o bem estar físico ou mental; em farmacologia, refere-se a qualquer agente químico que altera os processos bioquímicos e fisiológicos de tecidos ou organismos. Portanto, droga é uma substância que é, ou pode ser, incluída numa farmacopéia. Na linguagem comum, o termo se refere especificamente a drogas psicoativas e em geral ainda mais especificamente às drogas ilícitas, as quais têm um uso não médico além de qualquer uso médico. As classificações profissionais (por exemplo: “álcool e outras drogas”) normalmente procuram indicar que a cafeína, o tabaco, o álcool e outras substâncias de uso habitual não médico sejam também enquadradas como drogas, na medida em que elas são consumidas, pelo menos em parte, por seus efeitos psicoativos. atinge 238 bilhões de dólares por ano, sendo 98,6 bilhões gastos com o uso de álcool4.
A expectativa de vida de alcoolistas nos Estados Unidos diminui em média 15 anos, sendo as causas de morte, em ordem decrescente: doença cardiovascularCirurgia cardiovascular é a subespecialidade médica que se ocupa do tratamento cirúrgico das doenças que acometem o coração.Dentre as cirurgias mais realizadas está a revascularização miocárdica onde o cirurgião tenta refazer a circulação de um território do músculo cardíaco que está sendo mal perfundido devido uma obstrução coronariana. Em geral utiliza-se enxertos da veia safena ou artéria mamária, que é uma artéria que perfunde a região do osso esterno.Outras cirurgias comumente realizadas são as que visam correção das doenças que acometem as valvas cardíacas.Em muitas cirurgias cardíacas há necessidade de parada total do coração. Nesse momento estabelece-se a circulação extracorpórea (CEC) e todo o movimento sanguíneo, bem como a oxigenação do mesmo se dá por aparelhos., câncer, acidentes de trânsito e suicídio; enquanto isso, o número de internações hospitalares por problemas relacionados ao consumo de álcool alcança 32%4. Nesse mesmo país, a prevalência de alcoolismo atinge 5 a 10%4; na América Latina, é de 3 a 23%5; no Brasil, de 3,4 a 9%1,3,5; e em Pelotas (RS), a prevalência é de 9%6.
Os objetivos do presente estudo foram: identificar a prevalência de abuso e dependência de álcool na zona urbana de Rio Grande (RS) em indivíduos de 12 a 75 anos de idade; e evidenciar associações existentes entre fatores biológicos, demográficos, socioeconômicos e comportamentais e abuso e dependência de álcool.
MATERIAL E MÉTODOS
O delineamento utilizado foi do tipo transversal de base populacional com indivíduos de 12 a 75 anos moradores da cidade de Rio Grande.
Utilizou-se o programa Epi-Info para os cálculos de tamanho de amostra, definindo-se como parâmetros básicos um poder estatístico de 80%, prevalência de doença de 9% (com base no estudo de Pelotas6) e razão de prevalência (RP) de 1,5. Assim, o tamanho da amostra estimado foi de 1.156 indivíduos.
Foi aplicado um questionário padronizado e pré-codificado com 86 questões, as quais contemplavam as variáveis em estudo, nasVeja teor alcoólico no sangue. quais se incluíam o SRQ-20 (Self-Report Questionnaire) e o CAGE.
O SRQ-20 é um questionário que contém 20 perguntas de respostas simples (do tipo sim/ não), indicando casos prováveis de transtornos psiquiátricos menores. O ponto de corte para a positividade foi de cinco ou mais respostas afirmativas para homens e de sete ou mais para mulheres.
O CAGE é um questionário utilizado para estimar a magnitude do alcoolismo em empresas ou populações, e consta de quatro questões básicas a respeito da ingestão de álcool: C (cut-down - diminuir a ingesta), A (annoyed- irritado), G (guilty- culpado), E (eyeopener - identificação de ressacaUm estado pós-intoxicação que inclui os efeitos imediatamente posteriores à ingestão de bebidas alcoólicas em excesso: Os componentes não-etílicos das bebidas podem estar envolvidos em sua etiologia. Os aspectos físicos podem incluir fadiga, cefaléia, sede, vertigem, transtornos gástricos, náusea, vômitos, insônia, tremores finos das mãos e pressão arterial elevada ou diminuída. Os sintomas psicológicos incluem ansiedade aguda, culpa, depressão, irritabilidade e sensibilidade aumentada. A quantidade de álcool necessária para produzir ressaca varia com a condição mental e física do indivíduo, embora geralmente quanto mais alto o teor alcoólico no sangue durante o período de intoxicação, mais intensos os sintomas subseqüentes. Os sintomas também variam com a atitude social. Usualmente, a ressaca não dura mais que 36 horas depois que todos os traços da bebida deixaram o organismo.Alguns dos sintomas da ressaca são similares aos da síndrome de abstinência do álcool, mas o termo ressaca é reservado usualmente aos efeitos posteriores a um episódio único de beber e não implica, necessariamente, nenhum outro transtorno por uso de álcool.). O ponto de corte adotado para a positividade do teste foi de duas ou mais respostas positivas.
As variáveis independentes estudadas foram: gênero, cor da pele, idade, classe social, escolaridade, renda, tabagismo, consumo de álcool, café, chimarrão, obesidadeObesidade, nediez ou pimelose (tecnicamente, da língua grega pimelē = gordura e ose processo mórbido) é uma doença na qual a reserva natural de gordura aumenta até o ponto em que passa a estar associada a certos problemas de saúde ou ao aumento da taxa de mortalidade.Apesar de se tratar de uma condição clínica individual, é vista, cada vez mais, como um sério e crescente problema de saúde pública: o excesso de peso predispõe o organismo a uma série de doenças, em particular doenças cardiovasculares, diabetes mellitus tipo 2, apnéia do sono e osteoartrite., padrão de atividade física, distúrbios psiquiátricos menores, história familiar de consumo de álcool, procedência, situação laboral e ocupação.
As variáveis dependentes foram abuso de álcool e dependência de álcool. O abuso de álcool foi caracterizado como ingestão diária de 30 gramas ou mais para homens e 24 gramas ou mais para mulheres7. A dependência de álcool foi definida por duas ou mais respostas positivas ao CAGE.
O perfil sociodemográfico foi avaliado pelo questionário CCEB (Critério de Classificação Econômica Brasil) da Associação Brasileira de Institutos de Pesquisa de Mercado (ABIPEME), que estima o poder de compra das pessoas e das famílias urbanas, diferenciando-as em classes econômicas.
A obesidade foi aferida através do índice de massa corporal acima de 30 kg/m2. Foram sorteadas 25 zonas censitárias (conglomerados), sendo entrevistadas 1.044 pessoas. Domicílios onde houve recusa ou nenhum morador foi encontrado, e também aqueles onde os indivíduos da faixa etária em estudo estavam ausentes na primeira visita foram visitados novamente. As recusas e os domicílios de pessoas de difícil acesso não foram substituídos, sendo considerados como perdas. Os domicílios coletivos, como, por exemplo, hotéis, cadeias e escolas, foram excluídos do estudo.
Foram elaboradas duas digitações comparadas no programa Epi-Info, com o objetivo de checagem de consistência. Os erros detectados foram buscados no questionário de origem e retificados na digitação com menor densidade de falhas.
A análise univariada foi descritiva; a bivariada usou o teste do qui-quadrado; a medida de efeito foi RP. Na análise multivariada, foi utilizada regressão logística, tendo-se por medida de efeito a razão de chances (RC) e o intervalo de confiança (IC). Foi considerado estatisticamente significativo p<0,05.
Os dados obtidos foram considerados sigilosos, e os entrevistados apresentaram consentimento informado.
RESULTADOS
A amostra estudada foi composta por 1.044 pessoas, e as perdas alcançaram 9,7%. Houve predomínio de pessoas de cor branca, que moravam com companheiro, do sexo feminino e da classe social C. No que diz respeito à escolaridade (em anos de estudo), um terço das pessoas desta amostra superaram o primeiro grau da atual estrutura escolar formal. Referiram haver nascido em Rio Grande 56% das pessoas estudadas. O desemprego alcançou 20,4% da população economicamente ativa (PEA) (Tabela 1).
Evidenciou-se que 26% eram fumantes e, destes, 76% fumavam mais de 10 cigarros/dia. O consumo de chimarrão atingiu 59,2% da amostra; destes, 60% apresentavam este hábito com um padrão diário. O consumo de café foi informado como positivo por 79,5%, e, destes, 83,7% o faziam diariamente. O estudo identificou 88,2% sedentários, 16,2% obesos e 22,5% com transtornos psiquiátricos menores.
Aproximadamente um terço da amostra revelava história familiar de consumo de álcool e havia ingerido álcool no último mês. Destes, 24% beberam cerveja, 4,6% tomaram vinho e 2,5% usaram cachaça; 5,5% abusavam de álcool, e 2,5% eram dependentes de álcool (Tabela 2).
A análise bivariada evidenciou associação significativa das variáveis dependentes abuso e dependência de álcool com sexo masculino, idade entre 30 e 49 anos, indivíduos pertencentes à classe social E, história familiar positiva de consumo de álcool, consumo de chimarrão e consumo de fumo.
Para controlar fatores de confusão, utilizou-se análise multivariada por regressão logística, que manteve a associação existente entre 281
Tabela 1 - Descrição da amostra estudada em Rio Grande (RS) - abuso e dependência de álcool n=1044
RP = razão de prevalência; IC95% = intervalo de confiança de 95%; SM = salário mínimo; PEA = população
economicamente ativa.
Tabela 2 - Análise bivariada para identificação de fatores de risco e associação com alcoolismo (Rio Grande, RS)
n=1044 RC=razão de chances. abuso e dependência de álcool e as variáveis sexo masculino (RC=6,28), fumante (RC=5,42) e classe social E (RC=5,37) (Tabela 3).
DISCUSSÃO
Os estudos transversais são largamente utilizados para investigar a prevalência de condições, permitindo melhorar o planejamento das ações de saúde e gerar hipóteses de novos 1,5,6,8,9
A distribuição desta amostra por cor da pele, sexo, estado civil e transtornos psiquiátricos menores é semelhante às distribuições encontradas em outros estudos realizados em Pelotas6, Porto Alegre (RS)7 e no Rio de Janeiro (RJ)10,11.
O consumo de álcool encontrado em semelhantes. O consumo apresentado no Canadá (75%), embora inferior aos já citados, é bastante superior ao da Colômbia e ao do México (51%), que é comparável ao do Rio de Janeiro (52%)10. O consumo revelado neste estudo aponta para uma proporção surpreendentemente inferior (33%).
O consumo abusivo de álcool observado em um estudo realizado em Porto Alegre (15%)11 foi superior ao de Pelotas (9%)6,11 e de Rio Grande (5,5%).
A dependência de álcool em Rio Grande, que corresponde a 2,5% (evidenciada pelo 4,12-18), mostra-se significativamente inferior à encontrada nos Estados Unidos (5% entre mulheres e 10% entre homens) e em Porto Alegre (9%7), e é bastante similar aos valores encontrados em Pelotas (4%6,11) e no Rio de Janeiro (3%10).
amostras populacionais nos Estados Unidos (90%) e na Austrália (87%) mostram valores n=1044 RC=razão de chances; IC95% =intervalo de confiança de 95%.
A disparidade para menos na proporção de consumo e abuso de álcool em Rio Grande quando comparada aos demais estudos poderia ser explicada pelas perdas ocorridas nesta pesquisa, na hipótese de que os não respondentes apresentassem proporções de consumo de álcool superiores àqueles que responderam ao questionário. Entretanto, existe a possibilidade de que este achado reflita a realidade19,20. O presente estudo evidenciou umaprevalência de abuso e dependência de álcool aproximadamente duas vezes menor em Rio Grande do que em Pelotas. Consideradas as limitações, os resultados deste estudo mostram uma proporção inferior de positividade ao CAGE em relação a estudos realizados em Pelotas, Porto Alegre, Rio de Janeiro e nos Estados Unidos. Uma possível interpretação para essa variação pode ser a magnitude das perdas, com 9,7% de taxa de não-respostas no estudo (viésde seleção).
Entre as variáveis estudadas, seis exerceram efeito sobre o abuso e a dependência de álcool: uma do tipo socioeconômica (classe social E), três do tipo biológico (idade de 30 a 49 anos, sexo masculino, história familiar de consumo) e duas do tipo comportamental (tabaco e chimarrão). A associação entre tabagismo e abuso e dependência de álcool é confirmada pela literatura3,8,11,21,22-25. Entretanto, devido ao fato de exposição e desfecho terem sido coletados em um mesmo momento, torna-se necessário chamar a atenção para a possível existência decausalidade reversa.
Após proceder à análise multivariada, as variáveis história familiar de consumo de álcool, idade e consumo de chimarrão deixaram de apresentar associação significativa, e as variáveis sexo, tabaco e classe social E mantiveram efeito sobre abuso e dependência de álcool.
CONCLUSÃO
A execução desta pesquisa evidenciou as dificuldades de se conduzir um estudo de base populacional sobre alcoolismo. Estimou-se que, em Rio Grande, 5,5% da população abusa de álcool e 2,5% é dependente. O grupo formado por homens fumantes e de baixo nível socioeconômico é mais vulnerável ao abuso e à dependência de álcool. Os serviços de saúde de Rio Grande devem desenvolver campanhas para diminuir o uso de álcool, com especial atenção nesse estrato da população.
ABSTRACT
Introduction: Alcohol consumption is serious public health issue. This study aimed at determining the prevalence of alcohol consumption in a southern 285
R. Psiquiatr. RS, 26'(3): 280-286, set./dez. 2004 Abuso e dependência de álcool em Rio Grande (RS) - Primo & Stein
Brazilian municipality and at investigating associated factors. Methods: A cross-sectional populationbased survey was carried out in the municipality of Rio Grande, southern Brazil, with a sample of 1,044 people, both male and female, aged 12 to 75 years. Alcohol dependence was defined according to the CAGE questionnaire, and alcohol abuse was defined as the daily consumption of at least 30 grams of alcohol for men and 24 grams for women. Potential confounding factors were controlled in the multivariate analysis (logistic regression). Results: Alcohol abuse was found in 5.5% of the sample, and dependence in 2.5%. After adjusting for confounding factors, a significant association was observed between alcohol consumption and the following variables: male gender (odd ratio - OR=6.28), smoking (OR=5.42), and social class E (OR=5.37). Conclusion: Our results revealed the difficulties involved in the performance of a population-based study to assess alcohol consumption and showed that men who smoke and come from lower-income groups have greater chances of presenting alcoholrelated problems. The prevalence of alcohol abuse in Rio Grande was of 5.5%, and of alcohol dependence, of 2.5%.
Keywords: Alcohol, abuse, dependence, epidemiology, cross-sectional study, primary care.
Title: Prevalence of alcohol abuse and dependence in Rio Grande, state of Rio Grande do Sul: a crosssectional, population-based survey
RESUMEN
Introducción: El consumo de alcohol es un problema de salud pública muy relevante. El objetivo de este estudio fue identificar la prevalencia de alcoholismo y explorar posibles factores de riesgo. Metodología: Se hizo un estudio transversal de base poblacional en Rio Grande (RS), con una muestra de 1.044 individuos de ambos sexos, con edades entre 12 y 75 años. La dependencia de alcohol fue definida por el cuestionario CAGE, y el abuso de alcohol fue caracterizado por el consumo de 30 o más gramos / día para hombres y 24 gramos / día para mujeres. Para controlar el efecto de factores de confusión, se hizo un análisis multivariado por regresión logística. Resultados: El 5,5% de los individuos abusaban del alcohol, siendo el 2,5% dependientes. Después del control por posibles factores de confusión, se identificó una asociación significativa entre el alcoholismo y las siguientes variables: sexo masculino (razón de chances - RC=6,28), tabaquismo (RC=5,42) y clase social E (RC-5,37). Conclusión: Los resultados identificaron las dificultades de realizar un estudio de base poblacional sobre alcoholismo y revelaron que hombres que fuman y pertenecen a clases sociales más bajas tienen una mayor posibilidad de presentar problemas vinculados al alcohol.
Palabras clave: Alcohol, abuso, dependencia, epidemiología, estudio transversal, atención primaria.
Título: Prevalencia del abuso y de la dependencia de alcohol en Rio Grande (RS): un estudio transversal de base poblacional
Autor
Newton Luiz Numa Peixoto Primo*
Airton Tetelbom Stein**
* Professor Adjunto de ClínicaClínica médica, no Brasil, também conhecida como Medicina Interna e Clínica geral, é a especialidade médica que trata de pacientes adultos, atuando principalmente em ambiente hospitalar. Inclui o estudo das doenças de adultos, não cirúrgicas, não obstétricas e não ginecológicas, sendo a especialidade médica a partir da qual se diferenciaram todas as outras como Cardiologia e Pneumologia.No Brasil, o especialista em Clínica médica deve cumprir, além do curso de Medicina, dois anos de Residência médica.Em Portugal, trata-se de um termo actualmente a cair em desuso. Em sua substituição, surgiu a Especialidade de Medicina Geral e Familiar, mais abrangente e de natureza diferente. Médica, Departamento Medicina Interna, Fundação Universidade de Rio Grande, RS.
** Professor Titular de Epidemiologia da Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre e do Curso de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade Luterana do Brasil. Assistente de Coordenação de Ensino do Grupo Hospitalar Conceição.
Correspondência: Newton Luiz Numa Peixoto Primo Rua Dom Bosco, 26/301 - Bairro Cidade Nova CEP 96211-090 - Rio Grande - RS E-mail: primo@mikrus.com.br
Obtido em: Revista de PsiquiatriaPsiquiatria é uma especialidade da Medicina que lida com a prevenção, atendimento, diagnóstico, tratamento e reabilitação das doenças mentais em humanos, sejam elas de cunho orgânico ou funcional, tais como depressão, doença bipolar, esquizofrenia e transtornos de ansiedade.A meta principal é o alívio do sofrimento psíquico e o bem-estar psíquico. Para isso, é necessária uma avaliação completa do doente, com perspectivas biológica, psicológica, sociológica e outras áreas afins.Uma doença ou problema psíquico pode ser tratado através de medicamentos ou várias formas de psicoterapia.A avaliação psiquiátrica envolve o exame do estado mental e a história clínica. Testes psicológicos, neurológicos e exames de imagem podem ser utilizados na avaliação, assim como exames físicos. Os procedimentos diagnósticos variam mas os critérios oficiais estão descritos em manuais como a CID-10 da Organização Mundial de Saúde e o DSM-IV da American Psychiatric Association. do Rio Grande do Sul - SPRS - VOLUME 26'(3): 280-286, set./dez. 2004 pagina http://www.revistapsiqrs.org.br/sumario.php?id_volume=5
Recebido em 22/07/2004. Revisado em 27/07/2004. Aceito em 30/11/2004.
R. Psiquiatr. RS, 26'(3): 280-286, set./dez. 2004 Abuso e dependência de álcool em Rio Grande (RS) - Primo & Stein
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- Recaída, fase oito: Perda de controle do comportamento
- As autoridades começam a tratar o problema das drogas mais como questão de saúde do que como caso de polícia.
- Cocaína e mulheres
- Drogas ilícitas e esquizofrenia em adolescentes.
- Filhos adolescentes e as dificuldades que os pais enfrentam. Quem precisa de ajuda?
- Drogas em familia
- Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001
- Quais as conseqüências do uso continuado (crônico) da cocaína?
- Acompanhamento e reforço
- GHB: Quais são os interesses reais por trás da proibição?
- Comportamentos afirmativos e comportamentos infantilizados
- Recaída, fase nove: Reconhecimento da perda de controle
- Uso, abuso e dependência de cocaína
- Escalas de avaliação de dependência de drogas: aspectos gerais
- Recaída, fase um: Sinais (internos) de aviso de recaída.
- Calmantes e sedativos
- O mecanismo de ação do etanol



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